Backrooms: o filme de terror que saiu da internet e chegou a Hollywood

Backrooms: o filme de terror que saiu da internet e chegou a Hollywood Foto: Francesco Ungaro no Unsplash

Na quinta-feira, 28 de maio, os cinemas brasileiros recebem um dos filmes de terror mais aguardados do ano – e também um dos mais peculiares. “Backrooms: Um não-lugar” é o primeiro longa-metragem de Kane Parsons, um youtuber de apenas 20 anos que, em 2022, viralizou com uma série de vídeos inspirados na lenda urbana dos “backrooms”. Agora, com um orçamento de Hollywood e dois indicados ao Oscar no elenco, Parsons tenta provar que o horror nascido em fóruns anônimos pode funcionar nas telonas. Mas, segundo as primeiras críticas, o final pode não agradar a todos.

De um post no 4chan para a tela grande: a origem das Backrooms

Em maio de 2019, uma imagem anônima postada no fórum 4chan mudaria para sempre o terror online. A foto mostrava um escritório vazio, com paredes amarelas, carpete bege e luzes fluorescentes zumbindo – um cenário que qualquer pessoa que já trabalhou num escritório dos anos 1990 reconheceria. Um usuário comentou que, se você “saisse da realidade sem querer”, poderia parar ali, num espaço infinito de salas idênticas, sem ninguém por perto. Nasciam os “backrooms”, um pesadelo burocrático e sem saída.

Rapidamente, a ideia se espalhou por fóruns como o Reddit, onde milhares de pessoas passaram a criar histórias, mapas e até mesmo “níveis” diferentes desse labirinto dimensional. A lenda ganhou camadas: criaturas estranhas, sons desconhecidos e a sensação constante de ser observado. Mas foi Kane Parsons, com seu canal Kane Pixels no YouTube, quem deu o salto definitivo. Usando gráficos de computador de baixo orçamento e uma narrativa de found footage, ele produziu uma série de curtas que acumularam mais de 100 milhões de visualizações. A autenticidade crua dos vídeos assustou até os mais céticos e chamou a atenção de grandes estúdios. O trabalho de Parsons é um exemplo claro de como a cultura digital pode gerar obras cinematográficas relevantes.

📦 Recomendado pela redação

Fire TV Stick 4K


Ver na Amazon →

Como afiliado Amazon, o MundoManchete pode receber comissão por compras qualificadas.

Kane Parsons: como um adolescente se tornou o novo rosto do terror

Imagem ilustrativa

Quando os primeiros vídeos de Kane viralizaram, ele tinha apenas 17 anos. A qualidade técnica impressionava, mas era a narrativa minimalista – sem jumpscares fáceis, mas com um pavor crescente – que prendia o espectador. Em entrevistas, Parsons contou que sempre foi fascinado pelo “medo do vazio” e que os backrooms representavam um tipo de solidão que a geração digital conhece bem. Sua assinatura de direção, com enquadramentos estranhos e silêncios prolongados, fez escola.

O que torna esse filme ainda mais notável é que Hollywood não tentou “adultizar” o projeto. Parsons manteve o controle criativo, mesmo diante de um orçamento muito maior. O estúdio A24, conhecido por apostar em terror autoral como “Hereditário” e “Midsommar”, abraçou a visão do jovem diretor. “Eles entenderam que eu não queria fazer um filme de monstro tradicional”, afirmou Parsons em uma coletiva de imprensa. “Queria capturar a sensação de estar perdido em algo muito maior do que você.” O resultado é um terror psicológico que foge do lugar-comum, mesmo que tropece nos minutos finais.

Entre paredes amarelas e o divã da terapeuta

A trama de “Backrooms: Um não-lugar” não se limita ao purgatório de escritórios. O filme acompanha David (Chiwetel Ejiofor), dono de uma loja de móveis em decadência, que um dia entra num corredor nos fundos do seu negócio e nunca mais sai. Sua terapeuta, Dra. Marlene (Renate Reinsve), percebe que o desaparecimento não é comum e começa a investigar o que há por trás daquela porta amarela. Aos poucos, o filme alterna entre o desespero de David no labirinto e a angústia de Marlene no mundo real, tentando provar que aquele lugar existe.

Essa estrutura dupla dá ao filme uma força emocional rara no gênero. Ejiofor, indicado ao Oscar por “12 Anos de Escravidão”, constrói um homem quebrado que aos poucos se entrega ao absurdo. Já Reinsve, que encantou o mundo em “Pior Pessoa do Mundo”, interpreta a cientista cética que se vê obrigada a acreditar no inexplicável. Juntos, eles ancoram o espectador em meio a cenários que lembram pesadelos corporativos.

Oscar no elenco, mas a estrela é o não-lugar

Imagem ilustrativa

É inegável que ter dois atores indicados à maior premiação do cinema dá um peso extra à produção. Chiwetel Ejiofor entrega uma atuação contida e física, usando olhares e a respiração para transmitir o terror de quem perdeu qualquer referência. Em um dos momentos mais angustiantes, seu personagem caminha por horas sem encontrar uma saída, e a câmera de Parsons nunca corta. A sensação de claustrofobia é quase real.

Renate Reinsve, por sua vez, faz da Dra. Marlene uma mistura de empatia e obsessão. Ela não é uma heroína de ação; é uma mulher inteligente que usa a lógica para combater o impossível. A química entre os dois, mesmo em cenas separadas por dimensões, sustenta o filme nos momentos mais arrastados. E há muitos deles, o que não chega a ser um problema: o ritmo lento é intencional e ajuda a construir a atmosfera opressiva que faz de “Backrooms” uma experiência única.

Quando o roteiro se perde nos próprios corredores

Infelizmente, nem tudo funciona. O principal problema apontado pela crítica internacional é o terceiro ato. Parsons introduz elementos que prometem expandir a mitologia – como uma sociedade secreta de exploradores e pistas sobre a origem do lugar –, mas abandona tudo abruptamente. Em vez de um clímax satisfatório, o filme opta por um anticlímax que, para muitos, cheira a arrogância. “Parece que o diretor quis ser provocador e deixar tudo em aberto, mas esqueceu de amarrar o que o próprio filme propôs”, resume um crítico.

Na visão do MundoManchete, essa decisão não estraga a experiência completa, mas decepciona justamente porque o resto do filme é tão forte. A sensação é de que Parsons confiou demais na própria assinatura e subestimou a necessidade de dar ao público algum encerramento. Ainda assim, não é um erro fatal: as imagens do não-lugar permanecem na memória por dias, e a trilha sonora minimalista ajuda a consolidar o desconforto.

Perguntas Frequentes

1. Preciso ter assistido aos vídeos do Kane Pixels no YouTube para entender o filme?
Não. Embora os curtas do canal Kane Pixels tenham uma timeline própria, o longa-metragem é uma história independente. O filme foi pensado justamente para quem nunca ouviu falar dos backrooms, apresentando todo o conceito do zero. Para os fãs antigos, há pequenas referências visuais, mas elas não atrapalham o entendimento da trama principal.

2. O filme é baseado em alguma história real?
Os backrooms são puramente fictícios, nascidos como uma “creepypasta” – uma lenda urbana da internet. No entanto, a ideia de um espaço liminal infinito mexe com medos muito reais: o medo do isolamento, da burocracia sem fim e de lugares familiares que de repente se tornam ameaçadores. É essa base psicológica que torna o terror tão eficaz, mesmo sem eventos sobrenaturais explícitos. Confira outras produções que também exploram lendas urbanas e o terror psicológico, como “Os Testamentos: final explicado e o que esperar da 2ª temporada”.

3. Vale a pena assistir “Backrooms: Um não-lugar” no cinema ou posso esperar o streaming?
O diretor e os críticos são unânimes: a experiência no cinema faz diferença. O design de som, com os zumbidos constantes das lâmpadas e os passos ecoando, foi calibrado para sistemas de som potentes. Além disso, a sensação de imersão nos corredores infinitos se beneficia da tela grande. Se você tem medo mediano de filme de terror, o cinema potencializa cada susto – mas prepare-se para olhar para trás ao sair da sala escura.

O que você deve fazer com essa informação

Agora que você sabe o que esperar, a decisão de encarar os backrooms é sua. Se você é fã de terror psicológico que foge de jumpscares baratos e valoriza atmosfera, provavelmente vai sair satisfeito, mesmo com o final controverso. Se prefere histórias bem amarradas e finais conclusivos, talvez seja melhor ajustar as expectativas. De qualquer forma, “Backrooms: Um não-lugar” é um marco: prova que a cultura digital pode gerar obras cinematográficas relevantes e que a idade do diretor é apenas um número quando há talento de sobra. O MundoManchete recomenda que você aproveite a estreia e tire suas próprias conclusões – afinal, no labirinto sem fim da internet, as opiniões mais valiosas são aquelas que a gente mesmo constrói.

Tags: backrooms, filme de terror, Kane Parsons, crítica, cinema brasileiro, lenda da internet

Fonte: Ir para Fonte