n Brasil gera 73 mil empregos em maio: pior resultado em 6 anos

Brasil gera 73 mil empregos em maio: pior resultado em 6 anos

Brasil gera 73 mil empregos em maio: pior resultado em 6 anos Reproducao / G1

A economia brasileira gerou 73.013 empregos formais em maio de 2026, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados nesta terça-feira (30) pelo Ministério do Trabalho e do Emprego. O número representa uma queda de 52,3% em relação ao mesmo mês de 2025, quando foram criadas 153,1 mil vagas com carteira assinada. É o pior resultado para meses de maio desde 2020, quando a pandemia fechou 398,2 mil postos de trabalho.

A desaceleração acontece em um momento de juros altos no Brasil (a Selic está em 14,25% ao ano) e de tensões comerciais globais, com o tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afetando exportações e a confiança de investidores. “A política monetária vem gerando efeito muito negativo no mercado de trabalho, que era para estar mais positivo. Mas tem o efeito guerra, que gerou transtorno danado no mercado global”, afirmou o ministro do Trabalho, Luiz Marinho.

O que explica a queda na geração de empregos?

Na visão do MundoManchete, dois fatores principais explicam o desempenho fraco de maio: a política de juros altos do Banco Central e o impacto do tarifaço americano. Com a Selic em 14,25% ao ano, o crédito fica mais caro para empresas, que reduzem investimentos e contratações. Além disso, as tarifas de importação impostas por Trump desaceleraram a economia global, reduzindo a demanda por produtos brasileiros e gerando incertezas no mercado.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços mostram que as exportações brasileiras para os EUA caíram 12% no primeiro trimestre de 2026, afetando setores como siderurgia, carne e calçados. Esses setores, por sua vez, empregam milhares de trabalhadores formais. “O cenário externo adverso se soma aos juros internos para frear a criação de vagas”, explica o economista Bruno Imaizumi, da LCA Consultores.

Outro ponto é a base de comparação elevada. Em maio de 2025, a economia gerou 153,1 mil empregos, impulsionada por um período de aquecimento pós-pandemia. Agora, com a economia mais fria, o ritmo naturalmente desacelera. Ainda assim, o número de maio de 2026 é o segundo pior da série histórica para o mês, perdendo apenas para 2020.

Como foi o acumulado do ano? Pior desde 2020

Imagem ilustrativa

De janeiro a maio de 2026, foram criados 767,32 mil empregos formais no país — queda de 28% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram abertas 1,07 milhão de vagas. Esse é o pior resultado para os cinco primeiros meses do ano desde 2020, quando foram fechadas 1,34 milhão de vagas formais por causa da pandemia.

O saldo total de empregos com carteira assinada no Brasil ao fim de maio era de 47,87 milhões de trabalhadores. O número é maior que os 47,8 milhões de abril e os 46,9 milhões de maio de 2025 — mostrando que, apesar da desaceleração, o estoque de empregos formais continua crescendo.

Para o ministro Luiz Marinho, o governo espera que a redução gradual da Selic, prevista para o segundo semestre, ajude a reaquecer o mercado de trabalho. “Se os juros caírem, a tendência é de melhora”, disse ele. Por enquanto, porém, o cenário é de cautela.

Setores que mais contrataram em maio

Os cinco grandes setores da economia abriram vagas em maio, mas com ritmos diferentes. Veja o saldo de cada um:

  • Serviços: +42.500 vagas — maior gerador de empregos, puxado por atividades como tecnologia, saúde e serviços administrativos.
  • Comércio: +12.800 vagas — aquecido pelo Dia das Mães e pelo início do inverno, que impulsionou vendas de roupas e calçados.
  • Indústria: +8.200 vagas — setor sofre com a queda nas exportações para os EUA, mas ainda contratou, especialmente em alimentos e bebidas.
  • Construção civil: +6.500 vagas — impulsionada por obras de infraestrutura e programas habitacionais.
  • Agropecuária: +3.000 vagas — safra de grãos e colheita de cana-de-açúcar geraram postos temporários.

No acumulado do ano, o setor de serviços lidera com folga: foram 478 mil vagas criadas de janeiro a maio. A construção civil aparece em segundo, com 112 mil, seguida pela indústria (98 mil), comércio (68 mil) e agropecuária (11 mil).

Regiões: Sudeste e Nordeste puxam a fila, Norte tem saldo negativo

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Quatro das cinco regiões do país abriram vagas em maio. O Sudeste foi o destaque, com 35.200 novos postos, puxado por São Paulo (18.500) e Minas Gerais (9.800). O Nordeste gerou 15.100 vagas, com destaque para Bahia (5.200) e Pernambuco (3.800). O Sul criou 12.400 empregos, com o Rio Grande do Sul (5.100) na liderança.

O Centro-Oeste abriu 7.800 vagas, com o Distrito Federal (3.200) e Goiás (2.800) puxando o número. Já a região Norte teve saldo negativo: fechou 2.500 postos de trabalho, puxada por perdas no Pará (-1.800) e em Rondônia (-900). A seca na Amazônia e a queda na atividade extrativista explicam parte do resultado negativo.

Na visão do MundoManchete, a concentração de empregos no Sudeste e Sul reforça a desigualdade regional. Enquanto essas regiões se beneficiam de um mercado mais diversificado, o Norte sofre com a dependência de setores primários, que são mais voláteis.

Salário médio de admissão cai em relação a abril

O salário médio de admissão em maio foi de R$ 2.384,10, uma queda real (descontada a inflação) de 0,75% em relação a abril de 2026, quando era de R$ 2.402,07. Na comparação com maio de 2025, porém, houve alta: naquele mês, o valor era de R$ 2.348,12 — um aumento real de 1,5%.

A queda mensal reflete, em parte, a composição setorial das contratações. Em maio, setores que pagam salários mais baixos, como comércio e agropecuária, tiveram mais peso nas admissões. Já a indústria, que paga melhor, contratou menos. “O mix de empregos puxou o salário médio para baixo, mas a tendência de longo prazo ainda é de ganhos reais”, afirma a economista Camila Saito, da Tendências Consultoria.

Para o trabalhador que busca emprego, o dado serve de alerta: o salário inicial está cerca de R$ 18 menor do que em abril. Em um cenário de inflação ainda elevada (o IPCA acumula 4,8% em 12 meses), isso significa perda de poder de compra.

O que você deve fazer com essa informação

Se você está empregado, o momento pede cautela: evite trocar de emprego sem uma oferta concreta, pois o mercado está mais seletivo. Se está desempregado, foque em setores que ainda contratam, como serviços e construção civil. Vale também atualizar o cadastro no Sine e buscar cursos de qualificação profissional — muitas vagas exigem habilidades técnicas que podem ser adquiridas em cursos gratuitos oferecidos pelo Senai e pelo governo federal.

Para quem está pensando em abrir um negócio, o cenário de juros altos recomenda cautela com financiamentos. Priorize setores com demanda estável, como alimentação, saúde e tecnologia. E fique de olho nas políticas econômicas: a redução da Selic, se vier, pode melhorar o ambiente de negócios no segundo semestre.

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Perguntas frequentes sobre o emprego formal em maio de 2026

Por que o número de empregos em maio foi tão baixo?

O resultado de 73 mil vagas é o pior para maio desde 2020 por causa da combinação de juros altos no Brasil (Selic a 14,25%) e do tarifaço do presidente americano Donald Trump, que desacelerou a economia global e reduziu a demanda por produtos brasileiros. Setores como indústria e comércio sentiram o impacto, gerando menos contratações.

O saldo de empregos formais no Brasil está caindo?

Não. O estoque total de empregos com carteira assinada subiu de 46,9 milhões em maio de 2025 para 47,87 milhões em maio de 2026, um aumento de 970 mil vagas. O que caiu foi o ritmo de geração de novos postos: em 2025, o país criava mais empregos por mês do que em 2026. A economia continua gerando vagas, mas em velocidade menor.

Qual a diferença entre o Caged e a Pnad do IBGE?

O Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) conta apenas empregos formais, com carteira assinada, com base nas declarações das empresas. Já a Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) do IBGE considera todos os tipos de trabalho, incluindo informais, autônomos e sem carteira. Por isso, os números não são comparáveis diretamente. A taxa de desemprego da Pnad foi de 5,6% no trimestre encerrado em maio de 2026, a menor da história para o período.

Tags: emprego formal, Caged, mercado de trabalho, geração de vagas, salário médio


Fonte Original: g1.globo.com

Foto: Reproducao / G1