Budah surpreende com ‘Frequência Lunar’ e feats de Pabllo Vittar e Iza

Budah surpreende com ‘Frequência Lunar’ e feats de Pabllo Vittar e Iza Reproducao / G1

Chegou o disco que já está dando o que falar nas redes e nos grupos de WhatsApp. Nesta quarta-feira, 28 de maio, a rapper capixaba Budah soltou “Frequência Lunar”, seu segundo álbum de estúdio, e a pergunta não é mais se o rap feminino brasileiro cresceu — é até onde ele vai chegar. Com 14 faixas, 13 produtores e participações de gente como Pabllo Vittar, Iza, Duquesa, Tasha & Tracie e outras feras, o trabalho é um soco no peito para quem ainda acha que lugar de mulher no hip hop é secundário.

O novo disco que veio para incendiar as pistas

Diferente do primeiro álbum, “Púrpura” (2024), que tinha uma atmosfera mais introspectiva e solar, “Frequência Lunar” é noite, é baile, é dança. A própria Budah explica:

“O álbum vem bem diferente do ‘Púrpura’. É um trabalho mais noturno, com pegada mais de rap e beats marcantes, feito para dançar e curtir com as amigas nos bailes, mas o álbum também puxa para a reflexão. Tem muito papo reto e letras sobre autoestima, sobre o lugar que a mulher merece ocupar e sobre ser quem você é sem precisar se encaixar em padrões.”

Essa mudança não é só de humor. É uma escolha artística que coloca Budah no centro da pista, comandando um som que vai do boombap ao drill, passando por R&B, ragga, house e pop. É a trilha sonora para a virada da noite — e para as reflexões que vêm depois.

Um time de feras na produção

Quem olha a ficha técnica pode até se assustar: 13 produtores assinam as faixas. Nomes como AmandesNoBeat, André Nine, Calixto, DJ Caetano (Mousik), Donatto, Douglas Moda, Franco – The Sir!, Iamlopess, Iuri Rio Branco, Larinhx, Lucas Vaz, Tibery e Vitão criaram uma colcha de retalhos sonora que, no fim das contas, funciona como se fosse uma única batida pulsante. Essa diversidade de cerebros por trás dos beats é um dos segredos do disco: cada faixa tem identidade própria, mas todas conversam entre si. Para o ouvinte brasileiro comum, isso se traduz em um repertório que não cansa. Dá para ouvir na ida para o trabalho, no pré-jogo do fim de semana ou na academia. O salto de qualidade em relação ao disco de estreia é nítido e mostra que Budah não está de brincadeira.

📦 Recomendado pela redação

Fire TV Stick 4K


Ver na Amazon →

Como afiliado Amazon, o MundoManchete pode receber comissão por compras qualificadas.

Parcerias que vão parar tudo: de Pabllo Vittar a Iza

Um dos maiores atrativos de “Frequência Lunar” é, sem dúvida, o time de convidados. “Vampira” traz Pabllo Vittar em um feat que mistura o pop dançante da drag com a atitude crua de Budah. Já “Salto 15” une a rapper a Iza em uma faixa que fala de poder e liberdade — duas mulheres pretas trocando versos afiados, algo que a música brasileira via pouco até pouco tempo atrás. Duquesa aparece em “Vip – Ninguém te conhece”, Tasha & Tracie em “Vida de artista”, e Ajulliacosta e Franco – The Sir! dividem “Sua favorita”, enquanto Vita fecha com “Submundo”. É uma constelação de talentos femininos (com alguns aliados) que mostra a força da cena atual. Na visão do MundoManchete, esse tipo de colaboração não é só jabá: é um movimento consciente de fortalecimento coletivo, algo que o hip hop brasileiro aprendeu com as antigas e que hoje floresce como nunca.

A ascensão feminina no rap brasileiro: de Negra Li a Budah

Para entender o tamanho do que Budah e suas parceiras estão fazendo, vale lembrar que o caminho começou lá atrás. Negra Li, nos anos 2000, abriu portas que pareciam trancadas a sete chaves. Depois vieram nomes como Karol Conká, Flora Matos, e mais recentemente Djonga trouxe reflexões, mas o protagonismo feminino explodiu mesmo com o streaming. Segundo dados de plataformas como o Spotify, nos últimos três anos o número de ouvintes de rappers mulheres no Brasil cresceu mais de 150%. Isso não é por acaso: letras que falam de vivências reais, de autoestima, de racismo, de machismo, de vitórias, encontraram eco em uma juventude que busca representatividade. “Frequência Lunar” é, nesse sentido, um marco. Budah não canta só para si; ela amplifica vozes que muitas vezes ficam abafadas. A última vez que vimos um feito semelhante foi com o sucesso de “AmarElo”, de Emicida, que também uniu reflexão e grande apelo popular — mas com a diferença de que agora a linha de frente é toda feminina.

Autoestima e liberdade: as letras que falam por todas

O viés feminino não está só na escolha das convidadas. Em entrevista, Budah contou que muitos versos foram inspirados em relatos e conversas com outras mulheres. “O álbum puxa para a reflexão. Tem muito papo reto e letras sobre autoestima, sobre o lugar que a mulher merece ocupar e sobre ser quem você é sem precisar se encaixar em padrões”, disse. Essa troca transforma o disco em quase um confessionário coletivo. Uma faixa como “Salto 15”, por exemplo, fala de andar de cabeça erguida — literal e metaforicamente — enquanto “Vampira” brinca com a ideia de ser temida e desejada ao mesmo tempo. Para a moça que pega ônibus lotado todo dia, que enfrenta assédio na rua, que batalha para ser levada a sério no trabalho, ouvir essas mensagens em um beat viciante é quase um abraço sonoro. É nesse ponto que Budah acerta em cheio: ela transforma vivência em combustível para dançar e, de quebra, para se sentir dona do próprio caminho.

De onde Budah veio e para onde ela vai

Nascida e criada no Espírito Santo, Budah começou a rimar ainda na adolescência, influenciada pelo rap nacional e pela cena local. Seu primeiro álbum, “Púrpura”, já tinha mostrado versatilidade e letras pessoais, mas foi com os singles e colaborações dos últimos dois anos que ela furou a bolha. Hoje, com “Frequência Lunar”, ela se posiciona como uma das principais vozes da nova geração. O que vem por aí? Turnês, clipes, quem sabe uma indicação ao Grammy Latino — tudo é possível quando se tem 14 faixas sólidas e um exército de fãs que cresce a cada dia. Enquanto isso, o ouvinte comum pode esperar topar com o som dela em playlists das plataformas de áudio, nas festas, nos stories. O recado é claro: Budah não está apenas lançando um disco; ela está consolidando um nome e abrindo portas para as próximas meninas que sonham com um microfone.

O que você deve fazer com essa informação

Se você curte rap nacional, música brasileira de qualidade ou simplesmente quer entender o que está rolando na cultura pop, “Frequência Lunar” merece sua atenção. Coloque o álbum para tocar em um momento tranquilo, preste atenção nas letras, compartilhe as faixas com as amigas. Se você é pai, mãe, irmão, mostre para as mulheres da sua vida: a representatividade importa. E se você é uma mina que rima no quarto, use Budah como referência de que é possível, sim. Mais do que consumir, apoiar artistas independentes no streaming é um ato que fortalece uma cena cada vez mais diversa. Por fim, fique de olho nos próximos shows: quando Budah chegar à sua cidade, vale o ingresso. Até lá, aumente o volume e deixe a lua guiar.

FAQ: Tudo que você precisa saber sobre Budah e “Frequência Lunar”

1. Quem é Budah?
Budah é uma rapper capixaba, nascida no Espírito Santo, que ganhou destaque na cena do rap nacional com o álbum de estreia “Púrpura” (2024) e participações em projetos de peso. Ela é conhecida por letras que misturam vivência pessoal, autoestima e batidas modernas, sendo uma das vozes femininas mais promissoras do hip hop brasileiro atual.

2. Quais as principais músicas do álbum “Frequência Lunar”?
O disco tem 14 faixas, e os destaques vão para os feats: “Vampira” com Pabllo Vittar, “Salto 15” com Iza, “Vip – Ninguém te conhece” com Duquesa, “Vida de artista” com Tasha & Tracie, “Sua favorita” com Ajulliacosta e Franco – The Sir!, e “Submundo” com Vita. Cada uma explora um estilo diferente, mas o álbum como um todo é coeso e dançante.

3. Por que “Frequência Lunar” é importante para o rap feminino?
O álbum reúne uma quantidade significativa de mulheres produtoras e artistas, reforçando o movimento de ascensão feminina no gênero. Além disso, as letras abordam temas como empoderamento, lugar de fala e liberdade de ser quem se é, dialogando diretamente com as dores e aspirações das mulheres brasileiras. É um passo à frente no legado de pioneiras como Negra Li.

Tags: Budah, Frequência Lunar, rap feminino, Pabllo Vittar, Iza

Fonte: Ir para Fonte

Foto: Reproducao / G1