n Idosos lideram crescimento no uso da internet no Brasil

Idosos lideram crescimento no uso da internet no Brasil

Idosos lideram crescimento no uso da internet no Brasil Reproducao / G1

A pesquisa ‘Acesso à Internet e à Televisão e Posse de Telefone Móvel Celular para Uso Pessoal 2025’, divulgada pelo IBGE, mostra que brasileiros com 60 anos ou mais foram os que mais aumentaram o uso da internet no último ano. Embora ainda sejam a faixa etária com menor acesso, os idosos passaram de 70,1% de usuários em 2024 para 74,5% em 2025 — um crescimento de 4,4 pontos percentuais em apenas um ano. Desde 2019, o aumento foi de impressionantes 29,6 pontos percentuais.

Enquanto isso, crianças de 10 a 13 anos foram a única faixa etária que viu o uso da internet cair — de 84,9% para 84,4%. A principal razão foi a falta de necessidade (33,8%) e preocupações com privacidade e segurança (30,3%). O mesmo padrão se repetiu com o uso de celulares: idosos em alta, crianças em baixa.

No total, 90,5% da população brasileira com 10 anos ou mais usou a internet em 2025, o que representa 168,7 milhões de pessoas. O celular é o principal dispositivo de acesso, usado por 98,7% dos internautas. As atividades mais comuns são chamadas de voz ou vídeo (95,3%), troca de mensagens (90,2%) e assistir a vídeos (89,3%).

Por que os idosos estão entrando de vez na internet?

O IBGE atribui o crescimento ao avanço das facilidades tecnológicas e à maior disseminação da internet no dia a dia. Smartphones mais simples, planos de dados mais acessíveis e aplicativos com interfaces adaptadas estão derrubando barreiras que antes afastavam os mais velhos. A pandemia de Covid-19 também deixou um legado: muitos idosos que precisaram usar a internet para se conectar com a família ou acessar serviços essenciais descobriram que a tecnologia não é tão complicada quanto parecia.

Outro fator é o crescimento de serviços online voltados para esse público, como telemedicina, delivery de compras e aplicativos de bancos com letras grandes e comandos por voz. Para quem tem dificuldade de locomoção ou mora sozinho, a internet virou uma ferramenta de autonomia. O dado de que 80,3% dos idosos já usam celular reforça essa tendência — o aparelho é a porta de entrada para o mundo digital.

Na visão do MundoManchete, o movimento é positivo, mas ainda há um longo caminho pela frente. Afinal, um quarto dos idosos brasileiros ainda está offline. Programas de inclusão digital, como cursos gratuitos em centros comunitários e bibliotecas, precisam ser ampliados para que ninguém fique para trás — especialmente em um país onde serviços públicos e privados migram cada vez mais para o ambiente virtual.

Crianças de 10 a 13 anos: a geração que está fugindo da tela?

Imagem ilustrativa

Pode parecer contraditório, mas justamente a faixa etária que se espera que seja nativa digital está diminuindo o uso da internet. A queda foi pequena — de 84,9% para 84,4% —, mas o dado chama atenção porque vai na contramão de todas as outras idades. Os motivos revelam uma mudança de comportamento: 33,8% das crianças que não acessaram a internet disseram que não sentiram necessidade, e 30,3% citaram preocupação com privacidade ou segurança.

Especialistas em psicologia infantil apontam que esse movimento pode estar relacionado a uma maior conscientização dos pais sobre os riscos online, como exposição a conteúdos impróprios, cyberbullying e contato com estranhos. Muitas famílias estão impondo limites mais rígidos ao tempo de tela, especialmente após estudos recentes associarem o uso excessivo de redes sociais a problemas de ansiedade e depressão em adolescentes.

Outro fator é a oferta de atividades offline. Escolas e comunidades têm investido em esportes, artes e brincadeiras tradicionais como alternativa ao celular. A queda no uso de celular entre crianças de 10 a 13 anos — de 56,7% para 55,2% — reforça a hipótese de que os pais estão optando por dispositivos mais controlados, como tablets com bloqueio parental, ou simplesmente adiando a entrega do primeiro smartphone.

Na visão do MundoManchete, esse é um sinal saudável, desde que não signifique exclusão digital. O ideal é que as crianças aprendam a usar a internet com segurança e moderação, não que fiquem totalmente afastadas. Programas de educação digital nas escolas podem ajudar a equilibrar os dois mundos.

O que muda na prática para o brasileiro comum?

Para quem tem pais ou avós idosos, a notícia é animadora: a chance de eles estarem conectados a um grupo de WhatsApp da família, fazerem videochamadas ou até mesmo pedirem comida pelo app é cada vez maior. Isso significa mais contato, mais autonomia para eles e menos preocupação para você. Se o seu pai ou sua mãe ainda resiste à tecnologia, talvez seja o momento de insistir com paciência — os números mostram que a maioria está aderindo.

Para quem tem filhos na faixa dos 10 aos 13 anos, o recado é diferente: a queda no uso não é necessariamente um problema, mas é importante entender o motivo. Se for por falta de interesse, tudo bem. Se for por medo de privacidade, vale a pena conversar sobre segurança online e ensinar boas práticas. O importante é que a criança não perca oportunidades de aprendizado que a internet oferece, como pesquisas escolares, cursos online e contato com outras culturas.

No geral, o Brasil está mais conectado: 90,5% da população com 10 anos ou mais usa a internet. Isso representa 168,7 milhões de pessoas. As áreas urbanas ainda lideram, mas a diferença para o campo caiu de 37,5 pontos percentuais em 2016 para apenas 8,5 pontos em 2025. Ou seja, o acesso está se democratizando, embora ainda haja desigualdades regionais e de renda.

Desigualdade digital: quem ainda está de fora?

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Apesar do avanço geral, cerca de 9,5% dos brasileiros com 10 anos ou mais ainda não usam internet. Isso equivale a aproximadamente 17,7 milhões de pessoas. O perfil desse grupo é bem definido: concentra-se entre os mais velhos, com menor escolaridade e renda mais baixa. A pesquisa mostra que, entre os idosos, 25,5% ainda estão offline — um número que, embora tenha caído, ainda é alto.

Nas áreas rurais, o acesso também é menor, mas a diferença está diminuindo. Em 2016, a distância entre campo e cidade era de 37,5 pontos percentuais; em 2025, caiu para 8,5 pontos. Isso se deve à expansão da rede de fibra óptica e ao aumento da cobertura de internet móvel em regiões afastadas. Programas como o Wi-Fi Brasil, do governo federal, e iniciativas privadas de levar conectividade a comunidades isoladas estão surtindo efeito.

Ainda assim, o custo do aparelho e do plano de dados continua sendo uma barreira. Para muitos idosos de baixa renda, um smartphone básico ainda pesa no orçamento. A inclusão digital plena exige não só infraestrutura, mas também políticas que tornem a tecnologia mais acessível financeiramente.

O que você deve fazer com essa informação

Se você tem um idoso na família, aproveite o momento para incentivar o uso da internet de forma segura. Ensine a identificar golpes, a não clicar em links suspeitos e a usar aplicativos de confiança. Ajudar um parente mais velho a se conectar pode transformar a rotina dele — e a sua também. Se for possível, presenteie com um smartphone simples, mas funcional, e instale apps úteis como o WhatsApp, o YouTube e o aplicativo do banco.

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Tags: IBGE, idosos internet, crianças internet, inclusão digital, pesquisa internet Brasil


Fonte Original: g1.globo.com

Foto: Reproducao / G1