O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) destacou o governador interino do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, nesta segunda-feira (22). Em cerimônia no Palácio do Planalto, Lula afirmou que o governo federal não vai criar obstáculos para que Couto demonstre que é possível ter um “exemplo de boa governança” no estado. A declaração ocorreu durante a assinatura da adesão do Rio ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag).
O Propag é o novo plano do governo federal para aliviar a pressão financeira sobre estados endividados. No caso do Rio, a prestação mensal que hoje é de cerca de R$ 490 milhões vai cair para R$ 113 milhões — uma redução de quase 77%. O valor, no entanto, vai subir gradualmente ao longo de cinco anos. Em troca, o estado precisa investir em áreas como educação, saúde e segurança.
Na visão do MundoManchete, a fala de Lula tem um peso simbólico grande. Ricardo Couto não é um político eleito. Ele é desembargador e assumiu o cargo após o afastamento do governador Cláudio Castro (PL), investigado por suspeitas de corrupção. Lula, ao mesmo tempo que apoia o programa, coloca a responsabilidade nas costas de Couto: se der certo, o mérito é dele; se der errado, a conta também.
O que é o Propag e como ele funciona na prática?
O Propag é a nova tentativa do governo federal de resolver o problema das dívidas estaduais. Ele substitui regimes anteriores, como o Regime de Recuperação Fiscal (RRF), que foi adotado por estados como Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. A ideia central é simples: o estado ganha um desconto enorme na parcela mensal, mas precisa cumprir metas de investimento.
No caso do Rio, o alívio imediato é de R$ 377 milhões por mês. Esse dinheiro, que antes ia para a União, agora pode ser aplicado em obras, hospitais, escolas e segurança pública. Mas não é um cheque em branco. O estado terá que comprovar que está usando o dinheiro extra em áreas prioritárias. Se não cumprir, pode perder o benefício.
Para o carioca comum, o que muda na prática? Se o governo estadual usar o dinheiro direito, pode significar mais leitos em hospitais, mais policiais nas ruas e mais investimentos em educação. Mas se a gestão falhar, o alívio fiscal pode virar apenas um adiamento do problema — e a dívida continua crescendo.
Ricardo Couto: o governador que não foi eleito
Ricardo Couto é desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ). Ele assumiu o governo interinamente em maio de 2026, após o afastamento de Cláudio Castro por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Castro é investigado por suposto desvio de recursos públicos e fraudes em contratos.
Couto não tem experiência política. Sua carreira foi inteiramente no Judiciário. Por isso, a fala de Lula soa como um voto de confiança, mas também como um alerta. O presidente deixou claro que não vai interferir, mas que espera resultados. “Que você possa se transformar no governador que fez as correções necessárias para que o Rio de Janeiro dê certo”, disse Lula.
O desafio de Couto é enorme. Ele precisa mostrar que um gestor técnico pode fazer mais do que os políticos tradicionais. Se conseguir, pode se consolidar como uma figura de credibilidade. Se falhar, o discurso de Lula pode ser lembrado como uma aposta perdida.
O histórico de dívidas do Rio de Janeiro
O Rio de Janeiro é um dos estados mais endividados do Brasil. A dívida com a União ultrapassa R$ 150 bilhões. O estado já passou por regimes de recuperação fiscal anteriores, mas nunca conseguiu se reequilibrar completamente. A última vez que o Rio teve uma gestão financeira considerada saudável foi no início dos anos 2010, antes da crise do petróleo e dos escândalos de corrupção.
O Propag surge como uma nova chance. Diferente do RRF, que exigia cortes drásticos e privatizações, o novo programa permite que o estado mantenha investimentos enquanto paga a dívida com condições mais leves. A contrapartida é que o governo estadual precisa mostrar resultados em áreas como educação e saúde.
Na visão do MundoManchete, o Propag é uma aposta arriscada. Ele alivia o caixa no curto prazo, mas não resolve o problema estrutural: o Rio gasta mais do que arrecada. Sem reformas internas, o alívio pode ser temporário.
O que o Propag significa para o bolso do carioca?

Para o cidadão comum, o Propag pode ter efeitos diretos e indiretos. O direto é que, com menos dinheiro indo para a União, o estado pode investir mais em serviços públicos. Isso pode significar hospitais com menos filas, escolas com mais recursos e segurança pública com mais efetivo.
O indireto é que, se o estado conseguir se reequilibrar, a confiança dos investidores aumenta. Isso pode gerar mais empregos e renda. Mas isso depende de uma gestão competente, algo que o Rio não vê há anos.
Há também um risco: se o estado não cumprir as metas do Propag, pode perder o benefício e voltar a pagar os R$ 490 milhões mensais. Nesse caso, o ajuste fiscal teria que ser ainda mais duro, com cortes em serviços essenciais. O carioca precisa ficar de olho nos indicadores de cumprimento do programa.
Política em ano eleitoral: o peso do gesto de Lula
2026 é ano eleitoral. Lula está no segundo ano de seu terceiro mandato (não consecutivo). O apoio ao Propag e a declaração sobre Ricardo Couto podem ter leituras políticas. Ao mesmo tempo que o presidente não quer ser acusado de perseguir o Rio, ele também não quer dar munição para a oposição.
O governador interino não é filiado a partido político. Mas sua gestão pode influenciar as eleições de 2026 no estado. Se Couto for bem, pode pavimentar o caminho para candidatos alinhados ao governo federal. Se for mal, a oposição pode usar o fracasso contra Lula.
Na visão do MundoManchete, a fala de Lula é calculada. Ele não assume o risco de dizer que o Rio vai dar certo, mas também não fecha as portas. Deixa a responsabilidade para Couto, enquanto colhe os louros de ter ajudado o estado.
O que você deve fazer com essa informação
Acompanhe os próximos passos do governo do Rio. O Propag prevê metas trimestrais de investimento. Se o estado cumprir, é sinal de que a gestão está no caminho certo. Se atrasar ou descumprir, é hora de cobrar.
Para o cidadão, a dica é simples: fique de olho nos serviços públicos. Se hospitais, escolas e segurança melhorarem nos próximos meses, o Propag está funcionando. Se não, é sinal de que o dinheiro extra não está sendo bem aplicado.
Além disso, participe dos debates públicos. Conselhos de saúde, educação e segurança são espaços onde a população pode cobrar transparência. Quanto mais o carioca se informar, mais difícil será para os governantes desviarem o foco.
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Perguntas Frequentes (FAQ)
Como o Propag pode afetar minha vida no dia a dia?
O Propag reduz a parcela da dívida do Rio com a União em R$ 377 milhões por mês. Esse dinheiro, se bem aplicado, pode ser usado para melhorar hospitais, escolas e segurança pública. Na prática, você pode ver menos filas no posto de saúde, mais policiamento nas ruas e mais recursos nas escolas públicas. Mas tudo depende da gestão do governo estadual.
O que acontece se o Rio não cumprir as metas do Propag?
Se o estado não cumprir as metas de investimento, pode perder o benefício e voltar a pagar os R$ 490 milhões mensais. Isso forçaria um ajuste fiscal mais duro, com cortes em serviços essenciais. Por isso, é importante que a população acompanhe os relatórios trimestrais de cumprimento do programa.
Ricardo Couto pode ser candidato a governador em 2026?
Sim, ele pode. Como desembargador, ele teria que se afastar do cargo para se candidatar. Mas, por enquanto, ele é governador interino e não há confirmação de que vai concorrer. Sua gestão no Propag pode ser usada como vitrine para uma eventual candidatura.
Tags: Lula, Rio de Janeiro, Propag, dívida dos estados, Ricardo Couto, governo federal, adesão, programa de pagamento
Fonte Original: infomoney.com.br
Foto: Reproducao / InfoMoney
