n PIX vira alvo de Trump e pode gerar tarifas de 25% ao Brasil

PIX vira alvo de Trump e pode gerar tarifas de 25% ao Brasil

PIX vira alvo de Trump e pode gerar tarifas de 25% ao Brasil Reproducao / G1

O PIX, que rapidamente se tornou o meio de pagamento favorito dos brasileiros, agora está no centro de uma disputa comercial com os Estados Unidos. O governo de Donald Trump ameaça aplicar tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, alegando que o sistema criado pelo Banco Central favorece o Estado e prejudica empresas americanas, especialmente as operadoras de cartão de crédito.

A decisão final deve sair nos próximos dias, e o Brasil já enviou representantes a Washington para tentar evitar a medida. Enquanto isso, o PIX – que responde por 54% de todas as transações financeiras no país – virou peça de um jogo político que mistura comércio, tecnologia e eleições.

Por que o PIX incomoda os Estados Unidos?

Na visão de Washington, o Banco Central brasileiro acumula dois papéis que não deveriam andar juntos: é ao mesmo tempo quem opera o PIX e quem regula o sistema financeiro. Para o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), isso cria um conflito de interesses. As empresas americanas de cartão de crédito – como Visa e Mastercard – perderam espaço no Brasil desde que o PIX foi lançado: sua participação nas transações caiu de 23% para 15%.

O governo Trump também reclama que os bancos são obrigados a destacar o PIX na página inicial dos aplicativos e não podem cobrar tarifas dos usuários. “Isso força os provedores americanos a promoverem seu concorrente brasileiro”, afirmou o USTR em documento oficial.

“A gente não precisa pagar taxa nenhuma pelo PIX. Com cartão de crédito tem taxa, anuidade, taxa do banco… Com o PIX não”, disse Paulo Ricardo Conceição, dono de um quiosque em Copacabana.

Na prática, o PIX barateou o custo das transações para o consumidor, mas também reduziu a receita das bandeiras de cartão. Nos Estados Unidos, sistemas similares ao PIX não existem em escala nacional – o país ainda depende de transferências via ACH (que podem levar dias) ou de serviços privados como Venmo e Zelle.

O que o Brasil responde?

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O governo brasileiro rebate as acusações com dois argumentos principais. Primeiro: o PIX ampliou o mercado de pagamentos digitais como um todo, beneficiando também empresas americanas. Google e Visa, por exemplo, passaram a oferecer serviços integrados ao PIX. O Banco Central afirma que o número de usuários de cartão continuou crescendo desde 2020.

Segundo: a acusação de que o PIX é um “sistema estatal” ignora que ele foi desenvolvido em parceria com o setor privado – os bancos e as fintechs participaram da implementação. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, enviou uma carta ao USTR destacando que o PIX incluiu milhões de brasileiros que estavam fora do sistema bancário tradicional. Hoje, cerca de 80% da população usa a ferramenta.

Brasília também vê motivações geopolíticas por trás da reclamação americana. O PIX e sistemas semelhantes (como o UPI da Índia e o MPesa do Quênia) desafiam a hegemonia do dólar nas transações internacionais, ao oferecer alternativas rápidas e de baixo custo.

O que muda na prática para o brasileiro?

Se os EUA aplicarem as tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, o impacto será sentido em vários setores. Os principais alvos são produtos como suco de laranja, café, aço, carne bovina e calçados. Isso pode encarecer as exportações brasileiras e, em última instância, afetar empregos e preços internos.

Mas o PIX em si não deve ser desativado ou sofrer alterações por causa dessa briga. O sistema é regulado pelo Banco Central e não depende de autorização dos EUA para funcionar. O que está em jogo é a relação comercial entre os dois países – e, indiretamente, a imagem do Brasil como parceiro confiável.

Para o consumidor brasileiro, o PIX continuará sendo gratuito e rápido. O que pode mudar é o preço de alguns produtos exportados para os EUA, caso as tarifas sejam aplicadas. Mas, na prática, o brasileiro comum não precisa se preocupar com o fim do PIX – a chance disso acontecer é praticamente zero.

O PIX é bom para todos? Até para os EUA?

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro – que era presidente quando o PIX foi lançado –, defendeu o sistema durante uma visita a Washington. “O PIX é bom para o Brasil. E, por incrível que pareça, é bom também para os Estados Unidos”, afirmou.

A declaração mostra como o PIX conseguiu unir espectros políticos opostos no Brasil. Pesquisas indicam que mais de 90% dos brasileiros avaliam o sistema positivamente. O apoio é transversal: ele funciona tanto para o vendedor de coco na praia quanto para o empresário que compra um imóvel.

Do lado americano, a crítica é menos sobre o PIX em si e mais sobre o modelo de regulação. Os EUA preferem que o mercado de pagamentos seja dominado por empresas privadas, enquanto o Brasil optou por um sistema público e gratuito. É uma diferença de filosofia econômica que agora virou motivo de disputa comercial.

Para quem lembra, a última vez que os EUA ameaçaram tarifas sobre produtos brasileiros foi em 2024, também durante o governo Trump. Na ocasião, a maior parte das tarifas foi revogada após negociações. O histórico sugere que há espaço para acordo, mas o clima político em ano eleitoral pode endurecer as posições.

O que você deve fazer com essa informação

Se você é consumidor, não precisa se preocupar com o PIX – ele continua funcionando normalmente. Mas fique de olho nos preços de produtos que dependem de exportação para os EUA, como café e suco de laranja. Se as tarifas forem aplicadas, parte do custo pode ser repassada para o mercado interno.

Se você é empresário ou trabalha com comércio exterior, vale a pena acompanhar as negociações entre Brasil e EUA. Uma tarifa de 25% pode inviabilizar contratos e exigir readequação de preços ou busca por novos mercados.

Independentemente do resultado, o PIX veio para ficar. A briga comercial é sobre regras e tarifas, não sobre a existência do sistema. O brasileiro pode continuar usando o PIX com a tranquilidade de quem tem um dos meios de pagamento mais modernos do mundo.

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Perguntas frequentes sobre o PIX e as tarifas dos EUA

O PIX pode ser desativado por causa da briga com os EUA?

Não. O PIX é um sistema brasileiro, regulado pelo Banco Central, e não depende de autorização dos Estados Unidos para funcionar. A briga comercial pode resultar em tarifas sobre produtos brasileiros, mas não afeta a operação do PIX. O sistema continua funcionando normalmente, com transações gratuitas e instantâneas.

O que são essas tarifas de 25% que os EUA ameaçam aplicar?

São tarifas de importação que os Estados Unidos podem cobrar sobre produtos brasileiros como suco de laranja, café, aço, carne bovina e calçados. Se aplicadas, esses produtos ficariam mais caros no mercado americano, o que pode reduzir as exportações brasileiras e afetar empregos no Brasil. A decisão final deve sair nos próximos dias.

Por que os EUA estão reclamando do PIX se ele é gratuito para o brasileiro?

Os EUA argumentam que o PIX favorece o Estado brasileiro em detrimento de empresas privadas americanas, como as operadoras de cartão de crédito. Elas perderam participação no mercado brasileiro desde o lançamento do PIX. Washington também critica o fato de o Banco Central ser ao mesmo tempo operador e regulador do sistema, o que, na visão americana, cria um conflito de interesses.

Tags: PIX, tarifas, Estados Unidos, Brasil, comércio exterior


Fonte Original: g1.globo.com

Foto: Reproducao / G1