A corrida pela semaglutida nacional começou oficialmente. A EMS, maior laboratório farmacêutico do Brasil, lançou nesta semana a Ozivy — a primeira caneta de semaglutida 100% brasileira a chegar às farmácias após a queda da patente da substância original, da Novo Nordisk. O preço inicial é de R$ 452 por caneta, mas a empresa já oferece pacotes que reduzem o custo mensal para menos de R$ 300 nos primeiros meses de tratamento.
A substância, que ganhou fama mundial por seus efeitos no controle do diabetes tipo 2 e na perda de peso, agora fica mais acessível para milhões de brasileiros que dependem dela. A distribuição começou pelas capitais nesta segunda-feira (15) e deve alcançar todo o país até julho, segundo a EMS.
O que muda na prática para quem usa semaglutida?
Para o paciente brasileiro, a chegada da Ozivy significa, acima de tudo, mais opções e preços potencialmente mais baixos. Até agora, quem precisava de semaglutida dependia exclusivamente dos medicamentos importados — como o Ozempic e o Wegovy, da Novo Nordisk — ou de versões de outros laboratórios nacionais, como a Eurofarma, que já produzem a substância, mas com preços ainda elevados.
Com a EMS entrando no mercado, a concorrência aumenta. E isso já está se refletindo nos valores. A própria Novo Nordisk reduziu seus preços após a queda da patente, e a Eurofarma também anunciou cortes nos preços de seus produtos à base de semaglutida, o Extensior e o Poviztra. Hoje, o paciente encontra doses iniciais entre R$ 399 e R$ 599 nas farmácias.
Na visão do MundoManchete, o movimento é positivo, mas ainda distante do ideal. O preço de R$ 452 por caneta ainda é alto para grande parte da população, especialmente para tratamentos crônicos que exigem uso contínuo. A expectativa é que, com o aumento da produção e a entrada de mais concorrentes, os valores caiam ainda mais nos próximos meses.
Ozivy vs. concorrentes: como fica a briga de preços?
A EMS não está apenas lançando uma caneta avulsa. Ela montou uma estratégia de preços agressiva para conquistar mercado. Veja como fica o plano de tratamento:
- Pacote inicial (3 meses): R$ 863,23 por canetas com doses suficientes para 90 dias. Isso dá um custo médio mensal de R$ 287 — bem abaixo dos R$ 452 da compra avulsa.
- Quarto mês em diante: a caneta de manutenção custa R$ 498.
- Pacote futuro (sem data): duas canetas de 1,0 mg por R$ 896, ainda sem previsão de chegada às prateleiras.
Comparando com os concorrentes: a Eurofarma vende o Extensior e o Poviztra com preços entre R$ 399 e R$ 599 para as doses iniciais. A Novo Nordisk, após reduzir preços, também se mantém nessa faixa. Ou seja, o pacote inicial da EMS é o mais barato do mercado atualmente — mas apenas para quem pode comprar três meses de uma vez.
Para quem prefere comprar mês a mês, a Ozivy avulsa (R$ 452) fica no meio do pelotão: mais cara que a opção mais barata da Eurofarma (R$ 399), mas mais barata que a mais cara (R$ 599). A guerra de preços, portanto, está apenas começando.
Semaglutida: entenda por que esse medicamento virou febre
A semaglutida não é um remédio novo. Ela foi aprovada para tratamento de diabetes tipo 2 há anos, mas ganhou as manchetes mundiais quando estudos mostraram sua eficácia na perda de peso — a ponto de ser apelidada de “caneta mágica” nas redes sociais.
“A semaglutida imita um hormônio chamado GLP-1, produzido naturalmente pelo intestino após as refeições. Esse hormônio estimula a liberação de insulina, reduz a produção de glicose pelo fígado e retarda o esvaziamento do estômago”, explica a bula do medicamento.
O resultado prático: o paciente sente menos fome, come menos e, consequentemente, perde peso. Mas não é só isso. O controle glicêmico melhora significativamente, reduzindo o risco de complicações do diabetes, como problemas renais, cardíacos e de visão.
A popularidade explodiu quando celebridades e influenciadores passaram a usar o medicamento para emagrecer rapidamente, gerando uma demanda global que superou a capacidade de produção da Novo Nordisk. No Brasil, a procura foi tanta que o Ozempic ficou em falta em várias farmácias em 2024 e 2025.
Com a queda da patente, outros laboratórios puderam produzir a substância, aumentando a oferta e, teoricamente, baixando os preços. A Ozivy é o primeiro fruto desse movimento no Brasil.
Quem pode usar a Ozivy? E quais os riscos?
A Ozivy é indicada principalmente para pacientes com diabetes tipo 2 que não conseguem controlar a glicemia com metformina ou outros medicamentos orais. Também pode ser prescrita para obesidade ou sobrepeso associado a comorbidades, como hipertensão ou colesterol alto — mas sempre sob orientação médica.
Importante: a semaglutida não é um medicamento para emagrecimento rápido e sem esforço. Ela exige acompanhamento médico, dieta balanceada e atividade física. O uso inadequado pode trazer efeitos colaterais, como náuseas, vômitos, diarreia, pancreatite e, em casos raros, problemas na tireoide.
Outro ponto: a Ozivy é vendida em canetas com doses progressivas. O tratamento começa com 0,25 mg por semana, depois sobe para 0,5 mg e, eventualmente, para 1,0 mg — sempre conforme a tolerância do paciente. Pular etapas ou aumentar a dose por conta própria é perigoso.
Na visão do MundoManchete, o maior risco hoje é a automedicação. Com a popularização do medicamento, muitas pessoas buscam a semaglutida sem prescrição, o que pode levar a sérios problemas de saúde. A EMS informa que a venda da Ozivy é controlada e exige receita médica, mas a fiscalização nas farmácias nem sempre é rigorosa.
O que você deve fazer com essa informação
Se você tem diabetes tipo 2 ou obesidade e está considerando a semaglutida, o primeiro passo é consultar um médico endocrinologista ou nutrólogo. Só ele pode avaliar se o medicamento é indicado para o seu caso e qual a dose correta.
Depois da prescrição, compare os preços. A Ozivy da EMS é uma opção, mas não a única. Eurofarma e Novo Nordisk também oferecem versões da substância. O preço varia de acordo com a dose, a região e a farmácia. Vale a pena pesquisar em aplicativos de desconto e programas de fidelidade.
Para quem busca economia, o pacote inicial de três meses da EMS (R$ 863,23) é a melhor oferta do momento — desde que o paciente tenha condições de pagar o valor à vista. Se não for possível, a compra mensal avulsa (R$ 452) ainda é competitiva.
Fique atento também às falsificações. Com a alta demanda, produtos piratas podem surgir. Compre sempre em farmácias de confiança e verifique o lacre da embalagem.
Perguntas Frequentes sobre a Ozivy (semaglutida da EMS)
1. A Ozivy é igual ao Ozempic?
Sim, a substância ativa é a mesma: semaglutida. A diferença está no fabricante (EMS vs. Novo Nordisk) e no preço. A eficácia e os efeitos colaterais são equivalentes, desde que a dose seja a mesma. No entanto, a Ozivy pode ter pequenas diferenças nos excipientes (componentes não ativos), que não afetam o resultado clínico. Sempre informe seu médico sobre qual marca você está usando.
2. Preciso de receita para comprar a Ozivy?
Sim. A venda é controlada e exige receita médica (retenção de receita, conforme a RDC 344/98). O medicamento é de uso contínuo e só deve ser utilizado sob supervisão de um profissional de saúde. Farmácias que vendem sem receita estão sujeitas a penalidades, e o paciente corre riscos à saúde.
3. Quanto tempo leva para a Ozivy fazer efeito?
Os efeitos no controle glicêmico podem ser percebidos nas primeiras semanas, mas a perda de peso significativa geralmente ocorre após 8 a 12 semanas de uso, com a dose adequada. O tratamento é de longo prazo — não é uma solução rápida. A maioria dos estudos mostra perda de 5% a 15% do peso corporal em 6 meses a 1 ano, aliado a dieta e exercícios.
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Tags: semaglutida, EMS, Ozivy, diabetes, emagrecimento, medicamento nacional, farmácia
Fonte Original: g1.globo.com
Foto: Reproducao / G1
