Abandono Afetivo: A Ausência Paterna e suas Consequências no Brasil
O abandono afetivo é um tema recorrente no Brasil, impactando profundamente a vida de muitos. Conheça a história de Vitória e a luta por reconhecimento.

O que é Abandono Afetivo?
O abandono afetivo é um conceito que se refere à ausência emocional e física de um dos pais na vida de um filho, resultando em consequências psicológicas e sociais duradouras. Esse fenômeno é particularmente comum no Brasil, onde muitos filhos enfrentam a falta de uma figura paterna em suas vidas. De acordo com estudos, cerca de 90% das ações judiciais relacionadas ao abandono afetivo envolvem a omissão do pai, revelando um padrão preocupante que afeta uma parte significativa da população. Especialistas afirmam que essa ausência não se limita apenas ao descaso material, mas implica numa falta de suporte emocional e afetivo, que é fundamental para o desenvolvimento saudável de uma criança.
A ausência do pai pode manifestar-se de diversas maneiras, como a falta de suporte durante momentos críticos da infância, como aniversários, formaturas e outras celebrações. O impacto psicológico do abandono afetivo pode levar a sentimentos de rejeição e insegurança, além de dificuldades em formar relacionamentos saudáveis na vida adulta. A história de Vitória Schroder é um exemplo claro desse tipo de abandono, onde a falta do pai não só marcou sua infância, mas também influenciou suas escolhas e percepções ao longo da vida.
A História de Vitória Schroder: Um Caso Real de Abandono Afetivo
Vitória Schroder, uma corretora de imóveis de 24 anos, cresceu sem qualquer contato com seu pai. Desde o nascimento, o pai estava ausente, e Vitória lutou para entender o vazio deixado por essa figura paterna. Segundo ela, o único contato que teve com o pai ocorreu antes de seu nascimento, quando ele não apenas a registrou, mas também decidiu que não queria ter filhos. Essa decisão se tornou um fardo emocional que Vitória carregou ao longo de sua vida.
“Eu não tenho memórias dele porque eu não o conheço, eu nunca o vi”, afirma Vitória, que se recorda de momentos marcantes da infância, como as apresentações do Dia dos Pais, em que via outras crianças acompanhadas de seus pais. Essa ausência se tornou mais evidente em momentos de celebração, onde a presença do pai era sentida de forma aguda. Vitória expressa a dor e a confusão que sentiu ao ver outras crianças desfrutando de momentos que deveriam ser compartilhados com seu pai.
RECOMENDAÇÃO DO EDITOR
Se você está buscando entender mais sobre os efeitos do abandono afetivo e como isso pode impactar vidas, recomendamos um livro que explora esse tema profundamente. A leitura pode oferecer insights valiosos e ajudar a entender a complexidade das relações familiares.
A ausência de uma figura paterna não é apenas uma questão de presença física, mas envolve a construção de um relacionamento emocional que nunca aconteceu. Vitória, ao crescer, passou a se questionar sobre sua própria valia, desenvolvendo um padrão de busca por aprovação que a levou a se esforçar ao máximo em tudo o que fazia. “Eu cresci tirando notas boas porque, para mim, se eu não fosse perfeita, todo mundo iria me abandonar também”, conta ela, revelando como o abandono afetivo moldou sua percepção de si mesma.
Impactos Psicológicos do Abandono Afetivo
Os impactos psicológicos do abandono afetivo são amplamente discutidos por especialistas na área da psicologia. A psicóloga clínica e forense Andréia Calçada explica que a ausência de um dos pais pode levar a uma série de problemas emocionais, como ansiedade, medo de rejeição e dificuldades em formar vínculos saudáveis. Muitas vezes, essas crianças crescem sem entender a razão pela qual a figura paterna está ausente, levando a um ciclo de insegurança e questionamentos que podem perdurar por toda a vida.
Outro aspecto importante destacado pela psicóloga Glícia Brasil é como esses sentimentos se manifestam na vida adulta. “Há um medo de rejeição, ansiedade e dificuldade de acreditar que pode ser amado”, explica. Esses padrões muitas vezes afetam a capacidade do adulto de se relacionar de forma saudável, resultando em relacionamentos problemáticos e em uma constante busca por validação externa.
Vitória, por exemplo, ao tentar se aproximar do pai na vida adulta, enfrentou mais uma decepção quando ele a bloqueou em todas as tentativas de contato. Essa rejeição reforçou suas inseguranças e questionamentos sobre seu valor pessoal. O processo de buscar a Justiça por abandono afetivo, portanto, não apenas representa uma busca por reparação financeira, mas também uma tentativa de validar suas experiências e reconhecer a dor que sentiu ao longo dos anos.
O Reconhecimento Judicial do Abandono Afetivo
A legislação brasileira tem avançado no reconhecimento do abandono afetivo, permitindo que filhos busquem indenizações por omissões paternas. Em 2025, a legislação passou a esclarecer que a presença dos pais na vida dos filhos vai além das obrigações financeiras, incluindo a responsabilidade emocional e afetiva. Essa mudança legal reflete uma crescente conscientização sobre a importância do papel dos pais na formação emocional de seus filhos.
Vitória decidiu levar sua situação à Justiça aos 18 anos, buscando reconhecimento por sua experiência de abandono. O pai foi condenado a pagar uma indenização de R$ 150 mil, embora tenha recorrido da decisão. Para muitos, a indenização pode parecer uma forma de compensação, mas para Vitória, ela não preenche o vazio deixado pela ausência do pai. “Ajuda, mas não é tudo. Eu queria ter o meu pai”, afirma, refletindo sobre a complexidade da relação entre o reconhecimento legal e a experiência emocional do abandono.
Como Superar as Marcas do Abandono Afetivo
Superar as marcas do abandono afetivo é um processo que exige tempo, autocompreensão e, muitas vezes, apoio profissional. Para aqueles que passaram por experiências semelhantes, é fundamental buscar terapia e construção de um ambiente seguro onde se possa explorar e entender as emoções relacionadas à ausência de um dos pais. O apoio de amigos e familiares também é essencial para ajudar na ressignificação dessas experiências e na construção de relacionamentos saudáveis.
Vitória, por exemplo, apesar de sua luta interna, tenta ressignificar sua história e construir um futuro onde sua experiência de abandono não defina quem ela é. Ela busca se concentrar em suas realizações profissionais e na construção de vínculos significativos com pessoas que a apoiam. “Se eu pudesse falar com o meu pai, eu diria que sou a Vitória, que tenho 24 anos, e que hoje trabalho como corretora de imóveis em Goiânia. Eu perguntaria o porquê. Por que ele não quis fazer parte da minha vida?”, ela reflete, mostrando uma vontade de entender e curar as feridas deixadas pelo abandono.
Perspectivas Futuras sobre o Abandono Afetivo no Brasil
O abandono afetivo é uma questão que ainda precisa de maior atenção e discussão no Brasil. Com a evolução da legislação e o aumento da conscientização sobre os impactos emocionais do abandono, espera-se que mais pessoas se sintam incentivadas a buscar reconhecimento por suas experiências. A luta de Vitória e de muitos outros pode ajudar a criar um espaço onde o abandono afetivo é discutido abertamente, permitindo que as vítimas encontrem apoio e compreensão.
Além disso, a sociedade precisa trabalhar na construção de uma cultura que valorize a presença ativa dos pais na vida dos filhos, promovendo o diálogo sobre paternidade responsável e afetiva. A educação e a conscientização sobre os efeitos do abandono afetivo podem ajudar a prevenir futuras situações de omissão e abandono, criando um ambiente mais saudável para as gerações futuras.
Tags: abandono afetivo, pais ausentes, consequências emocionais, Vitória Schroder, justiça brasileira, relações familiares
Fonte: Ir para Fonte
Foto: Reproducao / G1
