Anvisa aprova Ozivy: caneta emagrecedora nacional com semaglutida

Anvisa aprova Ozivy: caneta emagrecedora nacional com semaglutida Reproducao / G1

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta terça-feira (26 de maio) o registro da Ozivy, a primeira caneta emagrecedora brasileira que utiliza semaglutida, o mesmo princípio ativo do famoso Ozempic. A decisão histórica abre caminho para que o medicamento seja comercializado no país, com previsão de chegada às farmácias entre julho e agosto de 2026, segundo a EMS, farmacêutica responsável.

A aprovação que pode mudar o jogo do emagrecimento no Brasil

A Ozivy é um divisor de águas por ser o primeiro produto nacional com semaglutida, fármaco que revolucionou o tratamento da obesidade. Diferentemente de um genérico, ela é um medicamento similar — ou seja, tem marca própria (Ozivy) e embalagem personalizada, mas o mesmo princípio ativo do Ozempic. A EMS investiu R$ 1,2 bilhão na construção de uma fábrica em Hortolândia (SP) para produzir a caneta, que será a primeira de uma nova geração de tratamentos acessíveis aos brasileiros. Além disso, a crescente popularidade do fisiculturismo no Brasil também levanta questões sobre segurança e saúde nesse contexto.

A autorização da Anvisa não significa que o remédio estará nas gôndolas amanhã. O vice-presidente da EMS, Marcus Sanchez, tem afirmado que o prazo para disponibilização é de dois a três meses — ou seja, até o final de agosto. “Estamos trabalhando para que a Ozivy esteja à disposição da população o mais rápido possível, respeitando todos os trâmites de produção e logística”, declarou em entrevista coletiva após a aprovação.

É importante entender que a demora não é burocrática, mas de fabricação e distribuição. A planta de Hortolândia precisa atingir capacidade total, e o transporte exige refrigeração constante, um desafio extra para um país de dimensões continentais.

Quanto a Ozivy vai custar (e quando você poderá comprá-la)

A pergunta de milhões: qual o preço da caneta nacional? A EMS ainda não definiu o valor final, mas projeções do Itaú BBA indicam que a concorrência pode reduzir os preços em até 30% no curto prazo. Hoje, o Ozempic é vendido em farmácias por aproximadamente R$ 1.300 (preço de tabela), e há ofertas promocionais por volta de R$ 999. Considerando que um similar deve ter desconto mínimo de 20% sobre o medicamento de referência, a Ozivy pode sair por algo em torno de R$ 1.040 — mas a expectativa é que promoções e negociações de descontos derrubem ainda mais esse valor.

A lógica de precificação é diferente da de um genérico. Se a Ozivy fosse genérica, a lei obrigaria um abatimento de pelo menos 35% no preço máximo. Por ser similar, a margem é menor. Isso não significa que o consumidor não verá vantagem: a simples existência de uma opção nacional força a Novo Nordisk, fabricante do Ozempic, a oferecer descontos maiores para manter participação de mercado. É o início de uma guerra de preços que promete beneficiar quem precisa do tratamento.

Mas não espere uma queda drástica imediata. O estudo do Itaú BBA projeta redução de até 50% em cinco anos, conforme mais laboratórios entrem na disputa. A paciência, portanto, será uma aliada de quem busca economia.

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Por que a concorrência demora para chegar (e os preços não caem tão rápido)

Embora a aprovação da Ozivy seja um marco, a Anvisa tem um cronograma limitado: no máximo três autorizações por semestre para esse tipo de medicamento. Mais de uma dezena de pedidos aguardam análise, e a fila deve se estender até o final de 2027. Isso significa que, mesmo com a patente da semaglutida expirada desde março, não veremos uma avalanche de canetas nacionais no curto prazo.

O gargalo não é apenas regulatório. Produzir canetas injetáveis exige uma infraestrutura cara e complexa, com controle microbiológico rigoroso, envase estéril e logística refrigerada. Poucas farmacêuticas brasileiras têm essa capacidade. A EMS gastou mais de R$ 1 bilhão para erguer sua fábrica. Outras, como Aché, Hypera e Cimed, optaram por parcerias com laboratórios asiáticos, principalmente indianos, para importar o produto pronto e reembalá-lo ou terceirizar a fabricação. Essas alternativas, porém, enfrentam impostos de importação que podem corroer a competitividade — tema que ainda está em discussão no governo.

Enquanto a oferta for restrita, a pressão sobre os preços será moderada. A chegada de mais similares ou genéricos — se um dia houver — poderia acelerar a queda, mas isso ainda parece distante.

O que a Ozivy muda na prática para o brasileiro comum

Para quem já usa Ozempic ou pretende iniciar o tratamento, a notícia é positiva: mais opções significam mais poder de barganha e, eventualmente, preços menores. Quem sofre com a obesidade — condição que atinge mais de 20% dos brasileiros, segundo o Ministério da Saúde — terá uma alternativa nacional que pode se tornar mais barata com o tempo e, principalmente, menos sujeita a oscilações de estoque do produto importado. Essa situação é ainda mais preocupante quando consideramos as questões de saúde em torno do uso de anabolizantes, que impactam a segurança dos usuários.

Na visão do MundoManchete, a aprovação da Ozivy é um passo importante para democratizar o acesso a um tratamento que comprovadamente ajuda a perder até 15% do peso corporal. No entanto, é preciso cautela. Semaglutida não é uma solução milagrosa: seu uso deve ser feito sob prescrição e acompanhamento médico, pois os efeitos colaterais podem incluir náuseas, diarreia e, em casos raros, complicações pancreáticas. Além disso, a popularidade do Ozempic para fins estéticos (off-label) já gerou escassez para diabéticos. Com a Ozivy no mercado, esse risco pode se repetir se o uso indiscriminado não for coibido.

Outro ponto pouco comentado: a produção local reduz a dependência do câmbio. O Ozempic, importado, fica mais caro quando o dólar sobe. A Ozivy, fabricada em Hortolândia, tem custos majoritariamente em reais, o que pode garantir maior estabilidade de preço, especialmente em um país sujeito a turbulências cambiais.

Um breve histórico das canetas emagrecedoras no Brasil

Antes da semaglutida, a primeira geração de canetas usava liraglutida, princípio ativo que promove perda de até 8% do peso. A EMS, inclusive, já produzia versões nacionais desse fármaco: Oliri e Lirux. A semaglutida chegou como segunda geração, mais potente, e agora a tirzepatida (Mounjaro) representa a terceira geração, com redução de até 22,5% do peso. O detalhe é que a patente da tirzepatida no Brasil pertence à Eli Lilly e só expira em 2036, portanto não teremos similares nacionais desse medicamento tão cedo.

O movimento da EMS com a Ozivy repete a estratégia adotada com a liraglutida: assumir a dianteira na produção local assim que a patente cai. Isso coloca a empresa em posição privilegiada, mas também abre espaço para que outros laboratórios sigam o mesmo caminho — ainda que devagar, como explicamos.

Perguntas que você provavelmente tem sobre a Ozivy

A Ozivy é exatamente igual ao Ozempic?

Não. Embora ambos contenham semaglutida, a Ozivy é um medicamento similar, não um genérico. Isso significa que ela pode ter pequenas diferenças na formulação dos excipientes (ingredientes não ativos), no design da caneta e na apresentação. A eficácia e a segurança, no entanto, devem ser equivalentes, já que a Anvisa exige testes que comprovem a mesma biodisponibilidade do fármaco.

Preciso de receita médica para comprar a Ozivy?

Sim. É um medicamento de venda sob prescrição, indicado principalmente para diabetes tipo 2 e, em muitos casos, para pacientes com obesidade ou sobrepeso com comorbidades. Jamais use semaglutida por conta própria. O uso sem orientação pode mascarar hábitos alimentares inadequados e provocar efeitos colaterais sérios.

Ela emagrece mesmo sem dieta e exercícios?

A semaglutida reduz o apetite e retarda o esvaziamento gástrico, o que ajuda a comer menos. Porém, os melhores resultados — perda de até 15% do peso — são obtidos quando o medicamento é combinado com mudanças na alimentação e prática regular de atividade física. Sem essas mudanças, o efeito tende a ser menor e o reganho de peso após a suspensão do remédio é bastante provável.

O que você deve fazer com essa informação

A aprovação da Ozivy é um avanço, mas o caminho para o bolso do consumidor ainda exige paciência. Se você já faz uso de semaglutida, fique atento aos preços: a partir de agosto, vale comparar o valor da nova caneta nacional com o Ozempic e eventuais promoções. Quem ainda não iniciou o tratamento deve, antes de qualquer coisa, consultar um médico para avaliar se a semaglutida é a melhor opção — e jamais comprar o remédio sem receita, seja pela internet, seja em farmácia.

O MundoManchete acredita que a chegada de uma versão brasileira é uma excelente notícia para a saúde pública, pois coloca o país no mapa da produção de medicamentos modernos e pode, no médio prazo, tornar o tratamento da obesidade mais acessível. Mas reforçamos: obesidade é uma doença crônica que exige abordagem multidisciplinar. Caneta emagrecedora é ferramenta, não solução mágica. Acompanhe as próximas notícias do setor e dedique-se ao autocuidado com informação de qualidade.

Tags: Ozivy, semaglutida, emagrecimento, Anvisa, EMS, caneta emagrecedora, saúde

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Foto: Reproducao / G1