A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deu um passo importante para quem espera alternativas mais baratas aos medicamentos à base de semaglutida — os famosos ‘canetas emagrecedoras’. O Ozivy, da EMS, foi incluído na Lista de Medicamentos de Referência (LMR) nesta sexta-feira (10). Na prática, isso abre caminho para a produção de versões genéricas e similares no Brasil.
Mas calma: não é uma mudança que acontece da noite para o dia. E, para o consumidor, existem detalhes importantes que fazem toda a diferença. Vamos entender o que realmente muda — e o que ainda está por vir.
O que é um medicamento de referência e por que isso importa?
Medicamento de referência é aquele que a Anvisa usa como padrão ouro. Quando um laboratório quer fabricar um genérico ou similar, precisa provar que o seu produto é equivalente ao de referência em qualidade, segurança e eficácia. É como se fosse a ‘certidão de nascimento’ que outros remédios vão usar para se comparar.
Na prática, ter o Ozivy como referência significa que qualquer empresa que quiser produzir semaglutida genérica no Brasil sabe exatamente com o que seu produto precisa se igualar. Isso acelera o processo de aprovação e, no futuro, pode significar mais concorrência e preços mais baixos.
A última vez que a Anvisa atualizou a LMR com um medicamento tão aguardado foi com a inclusão de alguns biossimilares para artrite reumatoide, em 2023. Na ocasião, os preços caíram até 40% em dois anos.
Por que o Ozempic não é o medicamento de referência?
Essa é a pergunta que muita gente faz. Ozempic e Ozivy têm o mesmo princípio ativo: semaglutida. Mas, para a Anvisa, eles são bichos diferentes.
O Ozempic é classificado como medicamento biológico — produzido a partir de células vivas, com um processo complexo. Para criar uma cópia dele, as empresas precisam passar pelo caminho dos biossimilares, que exige estudos clínicos mais robustos e caros.
Já o Ozivy foi aprovado como semaglutida sintética, ou seja, fabricada em laboratório por síntese química. Isso permite que ele entre na lista de referência para genéricos comuns, que são mais simples de copiar e regulamentar.
Na visão do MundoManchete, essa diferença regulatória é uma jogada de mestre da EMS. Ao posicionar o Ozivy como sintético, a empresa cria uma barreira de entrada para concorrentes que queiram copiar o Ozempic (que exige estudos mais caros) e, ao mesmo tempo, pavimenta o caminho para seus próprios genéricos no futuro.
O que isso muda na prática para o brasileiro que precisa de semaglutida?
No curto prazo, nada. O Ozivy já está disponível nas farmácias desde maio, com preço sugerido de R$ 900 a R$ 1.200 — valores próximos ao do Ozempic, que custa entre R$ 800 e R$ 1.100. A diferença é que, agora, o mercado sabe que pode investir em cópias.
Para o brasileiro comum, o impacto real deve aparecer em 12 a 24 meses, quando os primeiros genéricos começarem a ser aprovados. Historicamente, a entrada de genéricos no Brasil reduz os preços em média 35% a 50% nos primeiros dois anos.
Mas tem um porém: a semaglutida é um peptídeo, e sua fabricação não é trivial. Nem todo laboratório tem capacidade técnica para produzir um genérico de qualidade. Isso pode limitar a concorrência e manter os preços mais altos do que o esperado.
Além disso, o Ozivy é vendido em caneta injetável de 1,34 mg/mL, mesma concentração do Ozempic. Mas as dosagens e o número de aplicações por caneta podem variar — o que influencia diretamente no custo por tratamento.
Disputa de gigantes: o mercado de GLP-1 esquenta no Brasil
A semaglutida faz parte da classe dos agonistas GLP-1, que viraram febre mundial. Além do Ozempic (para diabetes) e Wegovy (para obesidade), ambos da Novo Nordisk, o Mounjaro (tirzepatida), da Eli Lilly, também está chegando com força.
O mercado global desses medicamentos deve movimentar mais de US$ 100 bilhões até 2030, segundo projeções de consultorias. No Brasil, a demanda explodiu: entre 2023 e 2025, as vendas de semaglutida cresceram mais de 300%.
Com o Ozivy como referência, a EMS sai na frente. Mas a Novo Nordisk não deve ficar parada: a empresa já estuda versões orais da semaglutida (como o Rybelsus) e pode tentar reclassificar o Ozempic para também entrar na LMR — o que seria uma revolução.
Para o consumidor, essa briga é boa: mais concorrência significa pressão para baixo nos preços. Mas é bom lembrar que esses medicamentos têm efeitos colaterais (náuseas, vômitos, diarreia) e não são indicados para emagrecimento estético sem acompanhamento médico.
O que você deve fazer com essa informação
Se você usa ou pensa em usar semaglutida, o melhor caminho é o bom senso. Não compre o Ozivy achando que é igual ao Ozempic — consulte um médico para saber qual é o mais indicado para o seu caso. E não espere que os genéricos cheguem amanhã: o processo de aprovação leva meses.
Para quem quer economizar, vale a pena acompanhar as atualizações da Anvisa e ficar de olho nos lançamentos. Uma dica prática: cadastre-se no site da EMS para receber alertas de preços e promoções do Ozivy. E, se o médico autorizar, pergunte sobre a possibilidade de usar a versão genérica quando ela chegar — a economia pode ser significativa.
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Perguntas frequentes sobre o Ozivy e os genéricos de semaglutida
1. Ozivy é igual ao Ozempic? Posso trocar um pelo outro?
Não, eles não são intercambiáveis automaticamente. Embora tenham o mesmo princípio ativo (semaglutida), são registrados como categorias diferentes de medicamento. A troca só deve ser feita com orientação médica, pois as dosagens e os excipientes podem ser diferentes, o que altera a absorção e a eficácia.
2. Quando os genéricos do Ozivy vão chegar às farmácias?
O prazo estimado é de 12 a 24 meses, contando a partir da data de inclusão na LMR (julho de 2026). As empresas interessadas precisam desenvolver o produto, fazer os testes de bioequivalência e solicitar o registro na Anvisa. O processo é mais rápido do que para um novo medicamento, mas ainda leva tempo.
3. O genérico vai ser mais barato? Quanto vou economizar?
Historicamente, os genéricos chegam ao mercado com preços entre 35% e 50% menores que o medicamento de referência. Se o Ozivy custa cerca de R$ 1.000, um genérico pode sair por R$ 500 a R$ 650. Mas isso depende da concorrência e da capacidade de produção dos laboratórios. A tendência é de queda, mas não dá para cravar valores exatos.
Tags: Ozivy, semaglutida, genéricos, Anvisa, emagrecimento
Fonte Original: g1.globo.com
Foto: Reproducao / G1
