n Bebida alcoólica em queda: o que muda no Brasil?

Bebida alcoólica em queda: o que muda no Brasil?

Bebida alcoólica em queda: o que muda no Brasil? Reproducao / G1

O mundo está bebendo menos. E não é impressão sua. Uma pesquisa inédita da IWSR, empresa global de análise de mercado de bebidas, acaba de revelar que o consumo de álcool deve cair nos próximos dez anos, mesmo com mais gente no planeta. O estudo, que cobre 160 mercados, projeta que os volumes globais de bebida alcoólica em 2035 serão 1% menores do que em 2025.

Para quem acha que isso é pouco, pense no seguinte: a população mundial em idade legal para beber vai crescer 9% no mesmo período. Ou seja, mesmo com mais gente podendo comprar, o consumo total encolhe. É uma virada de mesa histórica para um setor que só conhecia crescimento.

Mas o que isso tem a ver com o Brasil? Tudo. O país é um dos maiores mercados de bebidas do mundo, e as mesmas forças que derrubam o consumo global — saúde, economia, novas gerações — estão em ação por aqui. Neste artigo, o MundoManchete traduz os dados da pesquisa, mostra como essa tendência já afeta o bolso do brasileiro e responde às perguntas que você provavelmente está fazendo.

Por que o mundo está bebendo menos? Três forças que explicam tudo

A IWSR aponta três fatores principais para a queda. O primeiro é econômico: o custo de vida mais alto aperta o orçamento das famílias, e a cerveja ou o vinho acabam sendo cortados da lista de compras. O segundo é comportamental: as novas gerações, especialmente a Geração Z, bebem menos que os millennials e os boomers. Eles preferem experiências, saúde e bem-estar ao pileque de fim de semana.

O terceiro fator é o mais novo e talvez o mais disruptivo: os medicamentos para perda de peso, como o Ozempic e o Wegovy. Estudos recentes mostram que esses remédios reduzem o desejo por álcool em muitos pacientes. “Isso pode ter um impacto silencioso, mas profundo, nas vendas do setor”, afirma Marten Lodewijks, presidente do IWSR, em entrevista à imprensa internacional.

“As empresas precisam se adaptar, em vez de confiar nos sucessos do passado.” — Marten Lodewijks, presidente do IWSR

Na visão do MundoManchete, o alerta de Lodewijks é certeiro. Marcas que insistem em vender o mesmo produto da mesma forma vão perder espaço. Quem se adaptar — com opções sem álcool, coquetéis prontos e marketing mais alinhado à saúde — pode sobreviver.

O que a queda do consumo significa para o bolso do brasileiro?

Imagem ilustrativa

Se você acha que a indústria de bebidas vai simplesmente abaixar os preços para vender mais, é melhor repensar. O que deve acontecer é o oposto: marcas premium vão encarecer, enquanto as marcas populares podem sentir pressão para segurar preços. O resultado? Quem bebe cerveja artesanal ou uísque importado vai pagar mais caro. Quem bebe a cerveja de sempre pode até se beneficiar de promoções mais agressivas.

Outro efeito prático: bares e restaurantes, que dependem da venda de bebidas alcoólicas para sobreviver, terão que se reinventar. Os drinques sem álcool, os mocktails e as cervejas zero álcool já são uma realidade nos cardápios. No Brasil, marcas como Heineken, Brahma e Spaten já investem pesado em versões sem álcool. A expectativa é que esse mercado cresça ainda mais.

Para o consumidor, isso significa mais opções — e talvez contas mais leves no fim do mês, se a escolha for por não beber. Mas também significa que o hábito de “tomar uma” com os amigos pode ficar mais caro, já que os bares vão repassar os custos de uma operação que vende menos bebida alcoólica.

Índia vai ultrapassar os EUA: e o Brasil nessa história?

A pesquisa da IWSR traz um dado que chama a atenção: a Índia deve se tornar o segundo maior mercado de bebidas alcoólicas do mundo até 2032, atrás apenas da China. Os Estados Unidos, que hoje ocupam essa posição, devem cair para terceiro lugar. O consumo na Índia deve crescer 38% em dez anos, impulsionado pelo aumento da renda da classe média e pela urbanização acelerada.

E o Brasil? O país não aparece como destaque de crescimento no estudo, mas também não é citado entre os que mais vão cair. Isso sugere que o mercado brasileiro deve se manter estável, com leve tendência de queda, acompanhando a média global. Mas há um risco: se a economia brasileira continuar pressionada, o consumo pode cair mais rápido que a média mundial.

Na visão do MundoManchete, o Brasil precisa ficar de olho na Índia. O crescimento indiano vai atrair investimentos e marketing global das grandes marcas, que podem deixar o mercado brasileiro em segundo plano. Isso pode significar menos lançamentos, menos inovação e menos competição — o que, no fim, pode encarecer o produto para o consumidor brasileiro.

Coquetéis em lata e bebidas sem álcool: a nova cara do bar

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Uma das tendências mais claras apontadas pelo estudo é a migração do consumo para novas categorias. Cerveja, vinho e destilados tradicionais vão perder volume até 2035. Quem ganha espaço são os coquetéis prontos para beber (os famosos RTDs, na sigla em inglês), as bebidas sem álcool e os produtos com baixo teor alcoólico.

No Brasil, isso já é visível. As prateleiras dos supermercados estão cheias de latinhas de gin tônica, caipirinha pronta, vodka com energético e drinques de todos os sabores. Marcas como 51, Velho Barreiro e até a importada Smirnoff já têm suas versões em lata. E a cerveja sem álcool, que há dez anos era um nicho, hoje é item obrigatório em qualquer festa.

Para o consumidor, a vantagem é a praticidade. Para a indústria, é a margem: coquetéis em lata custam mais caro que a cerveja comum e têm margem maior. Para o brasileiro que gosta de um drinque, a dica é ficar de olho nos preços e nas promoções — porque a categoria deve explodir nos próximos anos.

FAQ: suas dúvidas sobre o futuro do consumo de álcool

1. O brasileiro está bebendo menos do que antes?

Os dados mais recentes do IBGE e da OMS mostram que o consumo per capita de álcool no Brasil vem caindo lentamente desde 2015. A pandemia deu um empurrão temporário para cima, mas a tendência de longo prazo é de queda. A pesquisa da IWSR confirma que essa é uma tendência global, e o Brasil segue o mesmo caminho. A diferença é que, por aqui, a queda é mais lenta do que em países como os EUA e o Reino Unido.

2. Os medicamentos para emagrecer realmente afetam o consumo de álcool?

Sim. Estudos clínicos e relatos de pacientes mostram que medicamentos como semaglutida (Ozempic, Wegovy) e tirzepatida (Mounjaro) reduzem significativamente o desejo por álcool. O mecanismo exato ainda está sendo estudado, mas acredita-se que esses remédios atuam nos centros de recompensa do cérebro, diminuindo a vontade de consumir substâncias como álcool e nicotina. Para a indústria de bebidas, isso representa uma ameaça real e crescente.

3. Vale a pena investir em ações de empresas de bebidas agora?

Depende do seu perfil de investidor. As grandes empresas do setor, como Diageo e Ambev, têm portfólios diversificados e estão se adaptando às novas tendências — com investimento em bebidas sem álcool e coquetéis prontos. Mas o cenário de queda estrutural do consumo é um vento contrário forte. Para quem busca segurança, talvez não seja o melhor momento. Para quem aposta em recuperação de curto prazo, pode haver oportunidades. A recomendação do MundoManchete é: consulte um assessor de investimentos e não coloque todos os ovos na mesma cesta.

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O que você deve fazer com essa informação

A notícia de que o consumo global de álcool está caindo não é motivo para pânico, mas é um sinal de alerta para quem trabalha no setor ou investe nele. Para o brasileiro comum, a principal mensagem é: fique de olho nos seus hábitos de consumo e no seu bolso. Se você bebe, talvez valha a pena experimentar as opções sem álcool — que estão cada vez melhores e mais baratas. Se você não bebe, saiba que está alinhado com uma tendência global que veio para ficar.

E, acima de tudo, informação é poder. Saber que o mercado está mudando permite que você tome decisões melhores — seja na hora de escolher uma bebida, de planejar uma festa ou de investir seu dinheiro. O MundoManchete segue acompanhando o tema e trará novos dados assim que eles surgirem.

Tags: consumo de álcool, IWSR, bebidas alcoólicas, tendências de consumo, saúde e bem-estar, mercado de bebidas, Brasil


Fonte Original: g1.globo.com

Foto: Reproducao / G1