Brasileiro Dublando Pedro Pascal em ‘O Mandaloriano e Grogu’ Vale o Ingresso?

Brasileiro Dublando Pedro Pascal em 'O Mandaloriano e Grogu' Vale o Ingresso? Foto: Mihail Tregubov no Unsplash

Por quase sete anos, os fãs de Star Wars esperaram por um novo filme nos cinemas. A última tentativa, ‘A Ascensão Skywalker’ (2019), foi um fiasco de crítica e bilheteria — e a promessa de um recomeço com ‘O Mandaloriano e Grogu’ parecia o sopro de esperança perfeito. Afinal, a série The Mandalorian foi o maior acerto da Disney com a saga desde que comprou a Lucasfilm. Mas o que chegou às telas nesta quinta-feira (21) é, na prática, um episódio de TV com orçamento esticado. Divertido? Sim. Memorável? Nem tanto. E isso é um problema para uma franquia bilionária que precisa reconquistar o público.

O fenômeno Baby Yoda não é mais o suficiente?

Era 2019 quando Grogu, o “Baby Yoda”, surgiu na primeira temporada de The Mandalorian e quebrou a internet. O boneco se tornou um ícone imediato, misturando fofura e mistério. Três temporadas depois, o impacto dessa criaturinha já não é o mesmo — e o filme evidencia isso. ‘O Mandaloriano e Grogu’ tenta sustentar boa parte de seu carisma na relação entre o caçador de recompensas Din Djarin (Pedro Pascal) e seu protegido verde, mas a sensação é de que a fórmula se desgastou. O roteiro, assinado por Jon Favreau e Dave Filoni, coloca a dupla em mais uma missão de captura sem grandes consequências. Eles caçam procurados, se protegem e ganham uma nave nova. Só isso.

Na visão do MundoManchete, o problema não está na simplicidade da história, mas na ausência de qualquer elemento que faça o espectador sentir que está vendo um filme de verdade. Star Wars sempre foi sinônimo de batalhas épicas, sabres de luz e vilões carismáticos. Aqui, os antagonistas são tão genéricos que mal merecem um nome. O resultado é uma aventura que diverte em vários momentos — há cenas de ação bem coreografadas, e o próprio Grogu protagoniza uma sequência inusitada —, mas que não entrega a grandeza esperada de uma produção cinematográfica. É como se a Disney tivesse medo de ousar e, no fim, entregasse só o básico.

A participação brasileira que você não sabia

Enquanto o filme patina narrativamente, um detalhe de bastidor coloca o Brasil no mapa da galáxia muito, muito distante. O dublê de corpo que substitui Pedro Pascal nas cenas de ação do Mandaloriano é brasileiro. Trata-se de um profissional que já vem trabalhando há anos na indústria, mas que, em ‘O Mandaloriano e Grogu’, teve ainda mais destaque — afinal, com Pascal cada vez mais ocupado em outras produções, o traje do caçador de recompensas muitas vezes esconde um talento verde-amarelo. Essa participação não está nos créditos principais, mas basta uma busca rápida em redes sociais para ver a comoção de fãs brasileiros ao descobrir que o herói mascarado tem sotaque carioca nos intervalos das gravações.

O que isso muda na prática para o brasileiro comum? Talvez nada que altere a experiência do filme em si, mas abre uma janela interessante sobre a globalização da força de trabalho em Hollywood. Cada vez mais, profissionais brasileiros ocupam funções técnicas em grandes blockbusters, e esse filme é mais um exemplo. Para quem vai ao cinema, é a chance de torcer por um “conterrâneo” que, literalmente, luta contra stormtroopers. A presença de um dublê brasileiro também reforça que Star Wars é uma paixão universal — e que, mesmo numa produção morna, há motivos para os fãs daqui se orgulharem.

O que diferencia ‘O Mandaloriano e Grogu’ de um episódio da série?

Se você está em casa assistindo a The Mandalorian no Disney+, a diferença para o filme é basicamente a tela em que a história aparece. A estrutura é idêntica à de um episódio mediano da série: missão autossuficiente, pouca evolução dos personagens, nenhuma reviravolta de peso. O roteiro tem até aquele ritmo cadenciado que funciona para maratonas no sofá, mas no cinema soa alongado. “Daria um capítulo mediano — e isso é muito pouco para uma franquia bilionária que lançou sua última aventura nos cinemas em 2019”, resume bem a crítica original. E o fã habitual vai se perguntar: “por que eu não estou vendo isso em casa mesmo?”

Para os iniciantes, a falta de conexão com o universo maior de Star Wars pode ser libertadora — não é preciso entender de Jedis, Siths ou da velha República para curtir a aventura. Mas justamente essa simplicidade é o calcanhar de aquiles. O filme não entrega nenhuma cena de ação que justifique a sala escura, nenhum vilão memorável, e a fotografia, embora mais ousada que a da série, ainda escorrega em momentos constrangedores (como a aparição dos AT-ATs, que lembra um videogame de geração passada). A sensação final é de que Favreau e Filoni escreveram a história com a mão no freio, com medo de afetar o cânone da série que ainda vai ganhar mais temporadas.

Star Wars nos cinemas: sete anos de saudades e frustrações

Para entender por que ‘O Mandaloriano e Grogu’ é um retorno tão morno, é preciso voltar a 2019. ‘A Ascensão Skywalker’ fechou a trilogia mais recente de forma apressada e desastrosa, arrecadando US$ 1 bilhão, mas afastando fãs com um roteiro cheio de furos. De lá para cá, a Disney apostou todas as suas fichas no streaming, deixando os cinemas órfãos de Star Wars por quase sete anos. A última vez que um filme da saga realmente empolgou foi em 2015, com ‘O Despertar da Força’. Ou seja, a expectativa para esse retorno era enorme — e a escolha de trazer a dupla do streaming como cabeça de cartaz já era arriscada.

O desafio era transformar uma série de TV num evento cinematográfico. Infelizmente, não deu certo. A bilheteira de estreia pode até ser razoável, mas o boca a boca será seu maior inimigo. Em um universo onde a Marvel também vem tropeçando, a Disney precisava de um triunfo. Em vez disso, entregou um filme que parece ter sido feito mais para manter o engajamento do Disney+ do que para reconquistar o público. O mundo mudou, o streaming cresceu, e talvez o estúdio tenha subestimado o quanto o público sente a diferença entre um conteúdo feito para TV e um espetáculo para a tela grande.

Na visão do MundoManchete: o medo de mexer na fórmula

Fica cada vez mais claro que a atual gestão de Star Wars prefere a segurança à inovação. The Mandalorian foi um sucesso justamente por trazer algo novo: um faroeste espacial intimista, focado em personagens carismáticos e sem depender do legado Jedi. Mas o que era refrescante na primeira temporada virou zona de conforto. ‘O Mandaloriano e Grogu’ não ousa nem mesmo alterar o status quo dos personagens principais — eles entram e saem exatamente iguais, salvo por um novo veículo. Esse medo de mexer na série principal é compreensível do ponto de vista comercial (ninguém quer estragar a galinha dos ovos de ouro), mas para o cinema, a falta de consequências é fatal.

Talvez o maior sintoma dessa cautela excessiva seja a ausência de sabres de luz e de qualquer menção relevante à Força. O filme se passa numa galáxia onde Jedis estão quase extintos, e a única pista do sobrenatural é Grogu — que, coitado, já não tem mais o mesmo peso. Para o fã que cresceu com Luke Skywalker e Darth Vader, essa é uma lacuna difícil de engolir. E não, não se trata de pedir fanservice gratuito. A questão é que Star Wars, no cinema, exige um senso de amplitude e maravilhamento que este filme não tem. “É como se o filme tivesse medo de afetar de qualquer forma a história da série”, resume bem o diagnóstico. E o público, que paga ingresso caro, merece mais do que um episódio de transição.

O que você deve fazer com essa informação

Se você é fã incondicional de The Mandalorian e já estava contando os dias para ver Grogu na tela grande, vá ao cinema. Há diversão, cenas bonitas e aquele carinho pela dupla que só a série construiu. Mas vá com expectativas controladas: é um filme para completistas, não para quem quer ser surpreendido. Já se você nunca viu a série e está curioso só porque é Star Wars, talvez seja melhor esperar. ‘O Mandaloriano e Grogu’ não funciona como porta de entrada nem como espetáculo independente; é um capítulo longo que só faz sentido para quem já está imerso naquela narrativa.

Para o bolso do brasileiro, essa análise é ainda mais importante. O preço do ingresso (e da pipoca) subiu, e a experiência de cinema hoje compete com serviços de streaming que já estão na casa de todo mundo. Se você tem Disney+ — e aqui não custa lembrar que a plataforma é o lar de todas as temporadas da série —, a experiência de ver o filme ali, no conforto do sofá, daqui a alguns meses, pode ser tão ou mais satisfatória. Só não espere que o tamanho da tela transforme o episódio em épico. Ele continua sendo o que é: um bom capítulo de TV, nada mais.

FAQ: Dúvidas rápidas sobre ‘O Mandaloriano e Grogu’

Preciso ter visto a série para entender o filme? Sim. O longa é uma continuação direta e parte do pressuposto de que você conhece a relação entre Din Djarin e Grogu, além de eventos como a posse do Sabre Negro. Quem chega cru pode até acompanhar a ação, mas perderá todo o peso emocional da dupla. Se você ainda não maratonou The Mandalorian, está disponível no Disney+ — assista antes de ir ao cinema.

O filme é ruim? Não, ele é apenas mediano. Tem cenas de ação caprichadas, o carisma de Grogu ainda funciona e a química entre os protagonistas é genuína. Mas falta ambição, vilões marcantes e a grandiosidade que um filme de Star Wars pede. É um entretenimento ok que, para muitos, não justificará o deslocamento até a sala de cinema.

Vale mais a pena ver no cinema ou esperar o streaming? Para a maioria das pessoas, esperar o streaming. A não ser que você seja um fã extremamente dedicado e queira apoiar a franquia, a experiência visual não é tão superior ao que a TV já entrega. Além disso, o Disney+ costuma lançar os filmes poucos meses depois da estreia nos cinemas. Se a ideia é economizar, aguarde.

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Tags: Star Wars, O Mandaloriano e Grogu, Baby Yoda, crítica de cinema, Disney+

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