Cazuza regravado: nova geração recria ‘Exagerado’

Cazuza regravado: nova geração recria 'Exagerado' Reproducao / G1

Quarenta e um anos após o lançamento de “Exagerado”, o álbum que marcou a estreia solo de Cazuza ganha uma nova roupagem. A série “Replay”, do Canal Bis, convocou dez artistas da nova geração da música brasileira para regravar todas as faixas do disco de 1985. O resultado será lançado em álbum no dia 9 de junho de 2026, mesma data em que todos os episódios da temporada entram no catálogo do Globoplay.

O projeto não é apenas uma homenagem. É uma tentativa de apresentar um dos maiores poetas do rock brasileiro a quem nasceu depois dos anos 1990. Com nomes que vão do pop de Ludmilla ao experimentalismo de Maria Beraldo, passando pelo rock marginal de Johnny Hooker, a seleção promete controvérsias e surpresas — exatamente como Cazuza gostava.

Quem canta o quê? A lista completa de regravações

A série “Replay – Exagerado” escalou artistas de diferentes vertentes da música brasileira para recriar as dez faixas do álbum. Veja quem canta cada música:

  • “Exagerado” – Ludmilla
  • “Medieval II” – Mateus Fazeno Rock
  • “Cúmplice” – Urias
  • “Mal nenhum” – Jadsa
  • “Balada de um vagabundo” – Johnny Hooker
  • “Codinome beija-flor” – Catto
  • “Desastre mental” – Maria Beraldo
  • “Boa vida” – Getúlio Abelha
  • “Só as mães são felizes” – Raquel
  • “Rock da descerebração” – Thalin

A escolha dos intérpretes não foi aleatória. Cada artista foi selecionado por ter uma identidade sonora que conversa — ou contrasta — com o espírito de Cazuza. Ludmilla, por exemplo, traz o groove e a potência vocal para o maior hit do disco. Já Johnny Hooker, conhecido por letras ácidas e performances teatrais, encara “Balada de um vagabundo”, faixa que já carrega uma ironia afiada.

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Por que “Exagerado” ainda importa em 2026?

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Lançado em 1985, o álbum “Cazuza” — apelidado de “Exagerado” pelo público — foi o primeiro trabalho solo do cantor após sua saída do Barão Vermelho. Na época, a música que dá nome ao disco estourou nas rádios com versos como “Eu nunca mais vou respirar / Se você não me notar”. A letra, escrita em parceria com Leoni e Ezequiel Neves, capturou o espírito romântico e exagerado de uma geração.

Mas o disco não era só romantismo. Faixas como “Rock da descerebração” e “Boa vida” mostravam a veia crítica e irônica de Cazuza. “Só as mães são felizes”, com seu humor ácido sobre a maternidade, continua sendo uma das letras mais provocativas do cancioneiro nacional.

Na visão do MundoManchete, o projeto “Replay” acerta ao não tratar o material como relíquia de museu. Ao convocar artistas que têm suas próprias carreiras e estilos, a série força uma atualização estética que pode soar estranha para puristas, mas que mantém viva a obra de um artista que morreu jovem — aos 32 anos, em 1990 — e deixou um legado que ainda ecoa.

O que a nova geração pode aprender com Cazuza?

Cazuza foi um dos primeiros artistas brasileiros a tratar abertamente de temas como sexualidade, vício em drogas e crítica política em plena redemocratização. Em 1985, o Brasil ainda respirava os ares da Nova República, e o rock nacional vivia seu auge com bandas como Legião Urbana, Titãs e Paralamas.

Diferente de muitos contemporâneos, Cazuza não tinha medo de ser vulnerável. Suas letras eram confessionais, quase terapêuticas. “Codinome beija-flor”, por exemplo, fala sobre um amor platônico com uma delicadeza rara no rock. Já “Mal nenhum” é uma declaração de liberdade afetiva que, décadas depois, ainda soa atual.

Para os artistas convidados, regravar essas canções é também um exercício de interpretação. Cantar Cazuza exige entrega emocional — não basta ter técnica. É preciso entender o contexto de um homem que viveu intensamente e morreu cedo, vítima da Aids, numa época em que a doença era estigma e sentença de morte.

Onde e quando ouvir o álbum “Replay – Exagerado”

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O álbum completo com as dez regravações será lançado na terça-feira, 9 de junho de 2026. As faixas estarão disponíveis nas principais plataformas de streaming, como Spotify, Deezer, Apple Music e YouTube. Além disso, todos os episódios da temporada de “Replay – Exagerado” entram no catálogo do Globoplay na mesma data.

A série do Canal Bis mostra o processo de gravação de cada artista, incluindo bastidores, ensaios e a escolha dos arranjos. Para quem quer entender como uma música de 40 anos pode soar nova sem perder a essência, os episódios são um prato cheio.

Para quem prefere ouvir sem spoiler visual, o álbum standalone é a melhor opção. As regravações foram produzidas com liberdade criativa — algumas mantêm a estrutura original, outras arriscam mudanças radicais de ritmo e instrumentação.

FAQ: Tudo o que você precisa saber sobre “Replay – Exagerado”

1. O que é a série “Replay” do Canal Bis?

“Replay” é uma série documental musical que convida artistas contemporâneos para regravar, na íntegra, álbuns clássicos da música brasileira. Cada temporada é dedicada a um disco específico. A terceira temporada, “Replay – Exagerado”, recria o álbum solo de estreia de Cazuza, de 1985. A série mostra os bastidores das gravações, os arranjos e as escolhas artísticas de cada intérprete.

2. Quem são os artistas que participam? Tem algum nome conhecido do grande público?

Sim. A lista inclui Ludmilla, um dos maiores nomes do pop e funk brasileiro na atualidade, Johnny Hooker, que tem uma carreira consolidada no rock independente, e Urias, cantora e compositora que ganhou destaque com seu pop eletrônico. Também participam Mateus Fazeno Rock, Jadsa, Maria Beraldo, Catto, Getúlio Abelha, Raquel e Thalin — artistas que circulam entre o indie, o rock e a MPB experimental.

3. O álbum original ainda vale a pena ser ouvido?

Com certeza. “Exagerado” (1985) é um dos discos fundamentais do rock brasileiro. Além do hit que dá nome ao álbum, traz joias como “Codinome beija-flor”, “Boa vida” e “Só as mães são felizes”. A sonoridade é típica dos anos 1980, com teclados e guitarras características da época, mas as letras de Cazuza são atemporais. Ouvir o original antes de conferir as regravações é uma ótima forma de comparar e perceber como cada artista interpretou o material.

O que você deve fazer com essa informação

Se você é fã de Cazuza ou simplesmente curte boa música brasileira, marque na agenda: 9 de junho de 2026. Nesse dia, reserve um tempo para ouvir o álbum “Replay – Exagerado” do começo ao fim. Se possível, ouça primeiro o disco original de 1985 para sentir o contraste. Depois, assista aos episódios da série no Globoplay — eles ajudam a entender o processo criativo por trás de cada regravação.

Para quem nunca ouviu Cazuza, essa é uma porta de entrada perfeita. As versões modernas podem soar mais familiares aos ouvidos acostumados com a produção musical de hoje, e a partir delas você pode descobrir um dos maiores letristas que o Brasil já teve.

E se você quer apoiar o projeto, o melhor caminho é ouvir as faixas nas plataformas oficiais e compartilhar com amigos. Música boa merece ser espalhada — e Cazuza, mesmo 36 anos após sua morte, ainda tem muito a dizer.

Tags: Cazuza, Exagerado, Replay, Canal Bis, Globoplay, Ludmilla, Johnny Hooker, música brasileira, regravação, álbum 2026


Fonte Original: g1.globo.com

Foto: Reproducao / G1