Quem cresceu ouvindo Grupo Revelação sabe que “Tá escrito” é daquelas músicas que marcam época. Lançada em 2009, a faixa virou hino em roda de samba e até hoje toca em churrasco de família. Agora, a música ganha uma nova roupagem, e não é qualquer uma.
Xande de Pilares, ex-vocalista do Revelação e um dos grandes nomes do samba atual, gravou uma versão especial de “Tá escrito” para o álbum “Novos caminhos”, dos músicos Ian Coury (bandolim) e Igor Souza (violão de sete cordas). O single sai nesta quinta-feira, 16 de julho de 2026, e o disco completo chega em 28 de agosto pela gravadora Biscoito Fino.
Essa parceria é interessante porque junta duas gerações da música brasileira: de um lado, um cantor consagrado pelo samba de roda; do outro, dois instrumentistas jovens que estão propondo um olhar novo para gêneros como choro e samba. É o tipo de encontro que raramente acontece no mercado fonográfico atual, dominado por hits de streaming de dois minutos.
O que tem de tão especial nesse álbum?
“Novos caminhos” é um disco essencialmente instrumental. Das oito faixas, sete são temas autorais — seis compostas por Ian Coury e uma por Igor Souza. A única faixa cantada é justamente a regravação de “Tá escrito”, com participação de Xande de Pilares e do percussionista Pretinho da Serrinha.
O ouvinte vai encontrar um trabalho focado na música instrumental brasileira, com diálogo entre bandolim de 10 cordas e violão de sete cordas. O choro, o samba e outras influências nacionais aparecem em composições como “Choro sincopático”, “Gala” e “Mexidinho” (de Ian Coury), além de “Baião cansado” (de Igor Souza).
Para quem não está acostumado com música instrumental, pode parecer um nicho. Mas vale lembrar que o Brasil tem uma tradição forte nesse estilo — de Pixinguinha a Yamandu Costa, passando por Hamilton de Holanda, que é referência para Ian Coury.
Quem são Ian Coury e Igor Souza?
Ian Coury é bandolinista, compositor, arranjador, educador e produtor musical. Nascido em Brasília (DF), ele se formou na Berklee College of Music, uma das escolas de música mais respeitadas do mundo. Já dividiu o palco com artistas como o saxofonista cubano Paquito D’Rivera, a cantora Rosa Passos e o bandolinista Hamilton de Holanda.
Igor Souza, de 25 anos, é violonista de sete cordas, arranjador, produtor musical e professor. Ele tem mestrado em Ensino de Práticas Musicais pela UNIRIO e está cursando doutorado em Música. Já colaborou com Caetano Veloso e com a contrabaixista americana Esperanza Spalding — sim, a mesma que ganhou Grammy de Artista Revelação em 2011.
Os dois se encontraram na paixão pela música brasileira e resolveram gravar juntos um álbum que propõe “outros olhares” para gêneros como choro e samba. O resultado é um trabalho que mistura técnica apurada com a vontade de inovar sem perder a raiz.
O que muda na prática para quem ouve?
Para o fã de samba e choro, “Novos caminhos” é uma oportunidade de ouvir instrumentistas talentosos revisitando gêneros tradicionais com uma linguagem contemporânea. A participação de Xande de Pilares, um nome conhecido do grande público, pode ajudar a atrair ouvintes que normalmente não buscariam um álbum instrumental.
Para quem não conhece o trabalho de Ian Coury ou Igor Souza, o disco funciona como uma porta de entrada para a música instrumental brasileira. E para quem já acompanha a cena, é mais um registro de qualidade que mostra que o choro e o samba estão vivos e se renovando.
Além disso, a regravação de “Tá escrito” pode despertar nostalgia em quem cresceu ouvindo Grupo Revelação. A música foi um dos maiores sucessos da banda no final dos anos 2000 e continua sendo um dos sambas mais tocados em todo o Brasil.
Como está o cenário da música instrumental no Brasil?
A música instrumental brasileira sempre teve um público fiel, mas nunca foi mainstream. Nos últimos anos, porém, artistas como Yamandu Costa e Hamilton de Holanda têm conseguido espaço em festivais internacionais e até em plataformas de streaming. O choro, em particular, vive um momento de renovação, com jovens músicos trazendo novas influências sem abandonar a tradição.
Ian Coury e Igor Souza fazem parte dessa nova geração. O álbum “Novos caminhos” é um exemplo de como o choro e o samba podem dialogar com o presente sem perder a essência. A presença de Xande de Pilares, um cantor que representa o samba de raiz, reforça essa ponte entre o passado e o futuro.
Vale destacar que a Biscoito Fino, gravadora responsável pelo lançamento, é conhecida por apostar em música brasileira de qualidade. O catálogo da gravadora inclui nomes como Maria Bethânia, Chico Buarque e Caetano Veloso, o que dá ainda mais peso ao lançamento.
FAQ: Perguntas que você pode estar fazendo
Quando e onde posso ouvir o single “Tá escrito”?
O single será lançado na quinta-feira, 16 de julho de 2026, nas principais plataformas de streaming (Spotify, Deezer, Apple Music, YouTube). Basta buscar por “Tá escrito” com os nomes de Ian Coury, Igor Souza e Xande de Pilares.
O álbum completo será só instrumental?
Sim, o álbum “Novos caminhos” é essencialmente instrumental, com oito faixas no total. A única exceção é a faixa “Tá escrito”, que conta com os vocais de Xande de Pilares e a percussão de Pretinho da Serrinha. As outras sete faixas são instrumentais, sendo seis de autoria de Ian Coury e uma de Igor Souza.
Vale a pena para quem não é fã de música instrumental?
Depende do seu gosto. Se você curte samba e choro, o álbum pode ser uma ótima descoberta. A participação de Xande de Pilares na faixa “Tá escrito” pode servir como gancho para explorar o resto do trabalho. Mas se você prefere música com vocais o tempo todo, talvez o disco não seja a melhor escolha. De qualquer forma, ouvir a regravação de “Tá escrito” já vale pelo encontro de gerações.
O que você deve fazer com essa informação
Se você é fã de samba, choro ou música instrumental brasileira, marque na agenda: 16 de julho para ouvir o single e 28 de agosto para o álbum completo. Adicione na lista do Spotify ou no YouTube para não esquecer.
Se você não conhece o trabalho de Ian Coury ou Igor Souza, aproveite para pesquisar. Ambos têm carreiras sólidas e materiais disponíveis nas plataformas. Ian Coury, por exemplo, tem trabalhos autorais e colaborações com músicos internacionais. Igor Souza, além de violonista, é professor e pesquisador — seu trabalho acadêmico sobre práticas musicais pode interessar quem estuda música.
E se você é músico ou estudante de música, preste atenção na proposta do álbum: o diálogo entre bandolim de 10 cordas e violão de sete cordas é uma abordagem pouco comum e pode render boas ideias para quem quer explorar novos caminhos na música instrumental.
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Tags: Xande de Pilares, Ian Coury, Igor Souza, Novos Caminhos, música instrumental brasileira
Fonte Original: g1.globo.com
Foto: Reproducao / G1
