n Copa do Mundo aquece venda de grama esportiva em SP

Copa do Mundo aquece venda de grama esportiva em SP

Copa do Mundo aquece venda de grama esportiva em SP Reproducao / G1

Faltam poucos dias para o pontapé inicial da Copa do Mundo de 2026, e não são só os jogadores que estão se preparando. Nos bastidores, uma indústria inteira se movimenta para que o espetáculo aconteça — e parte dela está bem no interior de São Paulo. Em Itapetininga (SP), a produção de grama esportiva vive um verdadeiro boom.

Empresários da região relatam que as vendas cresceram mais de 50% nas últimas semanas, puxadas pela demanda de clubes, centros de treinamento e até escolinhas de futebol que querem gramados de primeira linha para a temporada. Mas o que isso tem a ver com o brasileiro comum? Muito mais do que você imagina.

O que muda na prática para o torcedor e para o contribuinte?

Quando a grama de um estádio é de qualidade, a bola rola mais rápido, os passes saem com mais precisão e os jogadores se movimentam com segurança. Isso significa partidas mais dinâmicas e menos lesões. Para o torcedor, é a diferença entre assistir a um jogo truncado ou a um espetáculo de alto nível.

Mas o impacto não é só dentro de campo. A alta demanda por grama esportiva impulsiona a economia local: mais empregos no campo, mais renda para pequenos produtores e mais arrecadação para os municípios. Em Itapetininga, por exemplo, o setor já movimenta dezenas de famílias que vivem do cultivo de variedades como a esmeralda e a bermuda.

Na visão do MundoManchete, a Copa do Mundo funciona como um termômetro para setores que muitas vezes passam despercebidos. O aquecimento nas vendas de grama mostra que o futebol brasileiro não vive só de jogadores e técnicos — ele depende de uma cadeia produtiva que começa no solo.

Esmeralda e bermuda: as campeãs de venda

Entre as variedades mais procuradas, duas se destacam: a grama esmeralda e a bermuda. A primeira é conhecida pela resistência e adaptação ao clima brasileiro, sendo a escolha preferida de estádios que recebem jogos com frequência. Já a bermuda é famosa por suportar o pisoteio intenso dos atletas sem perder a maciez.

Segundo o técnico agrícola João Marcos Rochel, a escolha da grama certa pode mudar completamente o ritmo de uma partida. “Quando a grama é bem cuidada, forte e uniforme, a bola corre melhor e os jogadores conseguem se movimentar com mais segurança. Além disso, o gramado ajuda a amenizar impactos em quedas e pode reduzir o risco de lesões”, explica.

Para o produtor Emerson Terra Rocha Júnior, que coordena a produção familiar há 35 anos, cerca de 10% do cultivo é destinado a clubes de futebol do Sudeste. A empresa mantém fazendas em Itapetininga e também em Minas Gerais, abastecendo times que vão desde a Série A até divisões de base.

O produtor que viu as vendas dispararem 50%

Guilherme de Souza é um exemplo de quem está surfando a onda da Copa. Há 10 anos no ramo, ele administra mais de 100 alqueires de produção em uma fazenda em Itapetininga — o equivalente a 169 campos de futebol. Metade de toda a grama colhida ali vai para times, clubes e escolas de futebol.

“Nas últimas semanas, as vendas cresceram mais de 50%, impulsionadas pela proximidade da Copa. O momento é muito positivo para o setor”, comemora Guilherme. Ele conta que a demanda aumentou tanto que a equipe precisou reforçar o turno de colheita para dar conta dos pedidos.

A última vez que o setor viveu um aquecimento parecido foi em 2014, quando o Brasil sediou a Copa. Naquela época, a procura por grama esportiva cresceu cerca de 40% nos meses que antecederam o torneio. Agora, com a competição acontecendo fora do país, a demanda vem de clubes que querem se preparar para a temporada e de escolinhas que sonham em revelar novos talentos.

Como a grama impacta o desempenho dos atletas

A qualidade do gramado não é só uma questão estética. Estudos da Federação Internacional de Futebol (FIFA) mostram que um campo mal cuidado pode aumentar em até 30% o risco de lesões musculares e articulares. Gramados irregulares forçam os jogadores a fazerem movimentos bruscos, o que sobrecarrega joelhos e tornozelos.

Além disso, a velocidade da bola muda drasticamente. Em campos com grama alta ou irregular, a bola tende a “prender”, reduzindo a precisão dos passes e a fluidez do jogo. Já em gramados bem cuidados, a rolagem é mais rápida e previsível, favorecendo um futebol mais técnico.

Para o torcedor que paga ingresso ou assina pay-per-view, isso significa um espetáculo de melhor qualidade. E para o contribuinte, que muitas vezes financia a construção ou reforma de estádios públicos, é um indicador de que o dinheiro está sendo bem aplicado.

O que você deve fazer com essa informação

Se você é torcedor, fique de olho na qualidade dos gramados dos estádios que frequenta. Campos bem cuidados são sinal de gestão profissional e respeito ao atleta. Se você é empresário ou investidor, o aquecimento do setor de grama esportiva pode ser uma oportunidade de negócio — especialmente em regiões com vocação agrícola.

E se você é apenas um curioso, vale a pena acompanhar as reportagens do Nosso Campo, que mostram o dia a dia dos produtores rurais que fazem o Brasil acontecer. A Copa do Mundo passa, mas o trabalho no campo continua.

Perguntas frequentes sobre grama esportiva

1. Qual a diferença entre grama esmeralda e bermuda para campos de futebol?
A grama esmeralda é mais resistente ao clima brasileiro e exige menos manutenção, sendo ideal para estádios que recebem jogos com frequência. Já a bermuda é mais macia e suporta melhor o pisoteio intenso, sendo a escolha preferida para centros de treinamento e campos de alto rendimento.

2. A qualidade do gramado realmente influencia o risco de lesões?
Sim. Gramados irregulares ou mal cuidados aumentam o risco de lesões musculares e articulares, especialmente em joelhos e tornozelos. A FIFA recomenda que os campos sejam mantidos com altura e umidade controladas para garantir a segurança dos atletas.

3. O aquecimento nas vendas de grama vai durar só até a Copa?
Historicamente, o pico de vendas acontece nos meses que antecedem grandes torneios. No entanto, o investimento em gramados de qualidade tende a se manter, já que clubes e escolas de futebol buscam padrão internacional durante todo o ano. A Copa funciona como um catalisador, mas o mercado segue aquecido.

Tags: grama esportiva, Copa do Mundo 2026, Itapetininga, produtores rurais, futebol brasileiro


Fonte Original: g1.globo.com

Foto: Reproducao / G1