n Flávio Bolsonaro enfrenta resistência no Nordeste para 2026

Flávio Bolsonaro enfrenta resistência no Nordeste para 2026

Flávio Bolsonaro enfrenta resistência no Nordeste para 2026 Reproducao / G1

O PL enfrenta um desafio de peso na corrida presidencial de 2026: convencer lideranças do Nordeste a apoiarem a candidatura de Flávio Bolsonaro. A região, onde Lula (PT) teve 69,3% dos votos em 2022, se tornou um verdadeiro campo minado para o bolsonarismo. Enquanto alguns aliados fogem do candidato como o diabo da cruz, outros tentam equilibrar o apoio sem queimar o próprio filme. Na visão do MundoManchete, o que está em jogo é um racha silencioso entre o pragmatismo político e a lealdade partidária — e quem vai pagar a conta é o eleitor, que precisa entender os bastidores dessa guerra de alianças.

Pesquisas recentes mostram que Lula tem 54% das intenções de voto no Nordeste no primeiro turno, contra 25% de Flávio. No segundo turno, a vantagem aumenta: 61% a 27%. Esses números explicam por que pré-candidatos a governos estaduais evitam se associar ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Para eles, apoiar Flávio é um tiro no pé — e eles sabem disso.

Por que o Nordeste é um problema para Flávio Bolsonaro?

A resposta é simples: história eleitoral. Em 2022, Lula venceu em todos os nove estados nordestinos, com médias que chegaram a 76,86% no Piauí. O cientista político Marcos Paulo Campos, do Observatório da Política do Nordeste, explica que “associar-se a um candidato bolsonarista no Nordeste não é bom negócio”. As alianças do PL, segundo ele, não garantem que os aliados vão se empenhar na campanha nacional — eles preferem focar nas eleições estaduais.

Na prática, isso significa que Flávio pode até ter o apoio formal de partidos, mas não terá cabos eleitorais dispostos a pedir votos para ele. O resultado? Uma candidatura que cresce pouco na região, mesmo com a máquina partidária.

Ciro Gomes e Raquel Lyra: os aliados que fogem do abraço

Dois exemplos emblemáticos mostram como a resistência funciona. No Ceará, Ciro Gomes (PSDB) lidera as pesquisas para o governo com 46% das intenções de voto, em uma aliança que inclui o PL. Mas, quando perguntado se apoiaria Flávio, Ciro respondeu com outra pergunta: “Por que eu apoiaria um camarada que não é do meu partido?” Ele defende que os partidos mantenham liberdade na disputa presidencial e apoia Aécio Neves (PSDB).

Em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra (PSD) também se distancia. Eleita em 2022 com apoio do PL, ela agora busca aproximação com Lula. “Pernambuco não tem dono”, disse ela em maio, destacando a boa relação com o presidente. A cientista política Priscila Lapa afirma que Raquel não deu espaço para nomes bolsonaristas em seu governo, enfraquecendo o PL no estado.

O palanque forte da Paraíba: exceção que confirma a regra

Na Paraíba, o PL conseguiu montar um palanque competitivo. O senador Efraim Filho se filiou ao partido em março para concorrer ao governo, e o ex-ministro Marcelo Queiroga disputa o Senado. “A visita de Flávio à Paraíba sinalizou a tentativa de nacionalizar a disputa estadual”, diz o cientista político Fábio Machado.

Mas até aqui o cenário é relativo. Machado avalia que “a campanha nacional deve aparecer com força nos atos do PL, mas a tendência é que muitos aliados priorizem a eleição estadual e adotem uma estratégia de aproximação controlada”. Ou seja: mesmo onde o palanque é forte, Flávio não será o centro da campanha.

Bahia, Piauí e Maranhão: o triângulo das Bermudas do bolsonarismo

Imagem ilustrativa

Nos estados onde Lula teve mais de 70% dos votos em 2022, a situação é ainda pior. No Piauí, o governador Rafael Fonteles (PT) é franco favorito, e o principal opositor, Joel Rodrigues (PP), evita apoiar Flávio abertamente. Na Bahia, o PL integra a chapa de ACM Neto (União Brasil), mas ele já declarou apoio a Ronaldo Caiado (PSD) — “Tenho uma relação histórica com Caiado, de mais de 25 anos”, disse.

No Maranhão, o partido não tem palanque forte para a presidencial, mas mantém força nas eleições proporcionais. O cientista político Cláudio André de Sousa resume: “O palanque de Flávio está comprometido na Bahia”.

Alagoas, Sergipe e Rio Grande do Norte: perdas e ganhos

Em Sergipe, a saída de lideranças como a prefeita de Aracaju, Emília Corrêa, para o Republicanos enfraqueceu o PL. Em Alagoas, a perda do ex-prefeito de Maceió JHC para o PSDB deixou o partido sem um palanque robusto. Já no Rio Grande do Norte, a filiação do ex-prefeito de Natal Álvaro Dias ao PL fortaleceu a sigla, mas o cientista político Alan Lacerda alerta: “O centro do discurso vai ser o estado, não a presidencial”.

O que você deve fazer com essa informação

Como eleitor, acompanhe de perto as alianças regionais. Elas definem não só quem governa seu estado, mas também o peso que cada candidato presidencial terá na sua região. Se você mora no Nordeste, saiba que o apoio a Flávio Bolsonaro pode ser apenas de fachada — muitos políticos vão priorizar a própria reeleição. Fique de olho nas pesquisas locais e nos discursos: quem realmente pede voto para o presidenciável? Quem foge do assunto? Isso revela muito sobre as intenções de cada candidato.

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Perguntas frequentes sobre a candidatura de Flávio Bolsonaro no Nordeste

Por que os políticos do Nordeste evitam apoiar Flávio Bolsonaro?

Porque Lula é extremamente popular na região, com 69,3% dos votos em 2022. Associar-se a um candidato bolsonarista pode afastar eleitores locais, prejudicando as chances de reeleição ou de vitória nas disputas estaduais. O custo político é alto demais para a maioria dos pré-candidatos.

Flávio Bolsonaro tem chance de crescer no Nordeste até a eleição?

É possível, mas difícil. O PL tem estrutura partidária e aliados em alguns estados, como na Paraíba e no Rio Grande do Norte. No entanto, a resistência de lideranças como Ciro Gomes e Raquel Lyra limita o crescimento. Para mudar esse cenário, Flávio precisaria de um evento nacional que mude a percepção dos eleitores nordestinos sobre sua candidatura.

O que isso significa para as eleições estaduais no Nordeste?

Significa que as eleições estaduais serão disputadas com temas locais, e não nacionais. Candidatos como Raquel Lyra e Ciro Gomes vão priorizar suas próprias agendas, evitando associar suas imagens à disputa presidencial. Isso pode fragmentar o voto e beneficiar o PT, que tem Lula como principal cabo eleitoral na região.

Tags: Flávio Bolsonaro, Nordeste, eleições 2026, PL, Lula, Ciro Gomes, Raquel Lyra, alianças políticas


Fonte Original: g1.globo.com

Foto: Reproducao / G1