Nos anos 1990, enquanto o Brasil ainda engatinhava no mercado de videogames, um jogo nacional conseguiu o impensável: superar produções da Disney e conquistar o mercado internacional. Guimo, desenvolvido pela Southlogic Studios, não apenas venceu a concorrência — ele abriu portas que mudariam para sempre a indústria brasileira de games.
Mas o que exatamente fez desse jogo um marco? E o que essa história tem a ver com o brasileiro comum hoje? Vamos direto aos fatos.
O que era Guimo e por que ele era diferente
Guimo era um jogo de plataforma 2D lançado em 1997, desenvolvido pela Southlogic Studios, um estúdio fundado em Porto Alegre. O personagem principal era um menino que usava um boné vermelho — sim, semelhanças com Mario são inevitáveis — mas a jogabilidade e o estilo artístico eram únicos.
O grande diferencial de Guimo estava na sua qualidade técnica. Enquanto a maioria dos jogos brasileiros da época sofria com gráficos rudimentares e bugs constantes, Guimo entregava animações suaves, level design bem elaborado e uma trilha sonora marcante. Era um produto que rivalizava com os grandes lançamentos internacionais.
O jogo foi distribuído pela empresa brasileira Tectoy, responsável por trazer o Mega Drive ao Brasil. E foi justamente essa parceria que permitiu que Guimo chegasse às prateleiras das lojas — algo raro para um game nacional na época.
O feito histórico: vencer a Disney no próprio jogo deles

O momento mais impressionante da história de Guimo aconteceu quando o jogo foi colocado lado a lado com produções licenciadas da Disney, como O Corcunda de Notre Dame e Hércules, também lançados para Mega Drive. Em termos de vendas e recepção crítica, Guimo não apenas competiu — ele venceu.
Na visão do MundoManchete, esse feito é ainda mais impressionante quando consideramos o contexto: a Southlogic era um estúdio pequeno, com orçamento limitado, enquanto a Disney tinha acesso a recursos praticamente infinitos e equipes de dezenas de desenvolvedores. Guimo provou que talento e dedicação podiam superar dinheiro — pelo menos naquela época.
O sucesso foi tão expressivo que a Tectoy passou a tratar Guimo como um de seus títulos principais, algo que antes era impensável para um jogo brasileiro. As cópias se esgotaram rapidamente e o jogo ganhou versões para PC e outros consoles.
Como Guimo abriu portas para o Brasil no mercado internacional
O reconhecimento conquistado por Guimo não ficou apenas no Brasil. O jogo chamou a atenção de publishers internacionais, que passaram a ver a Southlogic como um estúdio capaz de entregar produtos de qualidade global. Isso resultou em contratos de distribuição fora do país e em uma série de oportunidades que antes estavam restritas a estúdios americanos, japoneses ou europeus.
O impacto prático? A Southlogic passou a ser contratada para desenvolver jogos para outras empresas, gerando empregos e renda no Brasil. Na época, o país tinha pouquíssimos estúdios com capacidade de exportar jogos, e Guimo foi o catalisador dessa mudança.
Isso mostra que, mesmo em um mercado dominado por gigantes, um produto bem feito pode furar a bolha. E essa lição vale não só para games, mas para qualquer setor da economia brasileira.
O que aconteceu com a Southlogic depois de Guimo

Após o sucesso de Guimo, a Southlogic continuou desenvolvendo jogos e crescendo. O estúdio lançou outros títulos, como Show do Milhão (baseado no programa de Silvio Santos) e Mega Man X Collection (versão para PC). Mas o grande marco veio anos depois: a empresa foi adquirida pela Ubisoft, uma das maiores publishers de jogos do mundo.
Na visão do MundoManchete, essa aquisição é um caso raro de sucesso na indústria brasileira de tecnologia. Enquanto muitas startups nacionais são compradas por valores irrisórios, a Southlogic conseguiu ser absorvida por um gigante global, mantendo sua equipe e sua identidade. Hoje, o estúdio opera como Ubisoft Porto Alegre, desenvolvendo jogos para franquias como Assassin’s Creed e Far Cry.
Isso significa que, indiretamente, Guimo ajudou a criar centenas de empregos qualificados no Brasil, muitos deles ocupados por profissionais que hoje trabalham em jogos que você joga no seu console ou PC.
O legado de Guimo para os games brasileiros hoje
Atualmente, o Brasil tem uma indústria de games que fatura bilhões de reais por ano. Estúdios como Aquiris (de Porto Alegre) e Mad Mimic (de São Paulo) são conhecidos internacionalmente. Mas tudo isso começou com passos pequenos — e Guimo foi um dos primeiros.
O jogo é lembrado até hoje como um marco dos games nacionais. Em 2023, uma versão remasterizada foi lançada para plataformas modernas, apresentando o personagem a uma nova geração de jogadores. Além disso, documentários e reportagens sobre a história do game continuam sendo produzidos, mantendo viva a memória desse feito.
Para o brasileiro comum, a história de Guimo serve como um lembrete de que o Brasil sempre teve capacidade de competir em nível global — mesmo quando as condições eram desfavoráveis. E isso é algo que pode inspirar não só desenvolvedores, mas qualquer pessoa que queira empreender ou inovar.
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O que você deve fazer com essa informação
Se você é fã de videogames, vale a pena buscar uma cópia de Guimo (a versão remasterizada está disponível em lojas digitais) e experimentar um pedaço da história dos games brasileiros. Se você é desenvolvedor ou empreendedor, a lição é clara: qualidade e dedicação podem superar recursos limitados.
Além disso, apoiar a indústria nacional de games — comprando jogos brasileiros, seguindo estúdios locais e divulgando seu trabalho — é uma forma de ajudar o setor a crescer ainda mais. O Brasil já provou que pode fazer jogos de nível mundial. Agora, cabe a nós consumir e valorizar esse conteúdo.
Perguntas frequentes sobre Guimo
Onde posso jogar Guimo hoje?
Guimo está disponível em versão remasterizada para PC, via Steam e outras plataformas digitais. Também é possível encontrar versões originais do jogo para Mega Drive em sites de colecionadores ou emuladores. A versão remasterizada inclui gráficos melhorados e suporte para controles modernos.
Guimo realmente vendeu mais que jogos da Disney?
Sim, em termos de vendas no Brasil e recepção crítica, Guimo superou títulos licenciados da Disney lançados para Mega Drive na mesma época, como O Corcunda de Notre Dame e Hércules. O feito é ainda mais impressionante considerando que Guimo era um jogo de um estúdio pequeno e independente.
O que aconteceu com os criadores de Guimo?
Os fundadores da Southlogic Studios seguiram carreiras na indústria de games. Muitos deles continuam trabalhando na Ubisoft Porto Alegre, que surgiu da aquisição do estúdio. Outros fundaram novas empresas ou atuam como consultores na área de desenvolvimento de jogos.
Tags: guimo, games brasileiros, southlogic, ubisoft, mega drive
Fonte Original: techtudo.com.br
Foto: Reproducao / TechTudo
