O São Bernardo Futebol Clube escreveu mais um capítulo de sua história na tarde deste domingo (24), no Estádio Antônio Accioly, em Goiânia. Enfrentando um Atlético-GO que vinha embalado por seis jogos de invencibilidade, o Tigre do ABC mostrou que sua campanha na Série B do Campeonato Brasileiro não é obra do acaso. Com um gol de calcanhar do atacante Pablo Dyego, validado pelo VAR aos 36 minutos do segundo tempo, a equipe paulista venceu por 1 a 0, chegou aos 20 pontos e retomou a liderança isolada da competição. Mais do que três pontos, o resultado consolidou o São Bernardo como um dos projetos mais surpreendentes do futebol brasileiro em 2026.
A ascensão meteórica do Tigre do ABC
Poucos imaginavam que, após 10 rodadas, o São Bernardo estaria no topo da tabela da Série B. Fundado em 2004, o clube do Grande ABC paulista passou a maior parte de sua existência disputando divisões inferiores. A virada de chave começou com a reformulação do elenco e a manutenção do técnico Ricardo Catalá, que implantou um estilo de jogo pragmático, focado na solidez defensiva e na eficiência das bolas paradas. Em 2026, o time venceu jogos que no passado seriam considerados impossíveis, como o triunfo fora de casa contra o favorito Atlético-GO. O contexto histórico não deixa dúvidas: a última vez que um clube com menos de 25 anos de fundação liderou a Série B nessa altura foi o Red Bull Bragantino em 2019, que acabou campeão e ascendeu à elite. O paralelo é animador para a torcida do Bernô.
Mas o que explica esse desempenho? Dados da CBF mostram que o Tigre do ABC tem a segunda melhor defesa da competição, com apenas 6 gols sofridos, e o melhor aproveitamento fora de casa. A disciplina tática é o alicerce: o time se defende com duas linhas compactas e explora contra-ataques velozes, como o que resultou no gol de Pablo Dyego. Para o torcedor que acompanha de perto, é a chance de vivenciar uma campanha inesquecível em uma divisão historicamente dominada por clubes tradicionais como Ceará, Sport e Fortaleza.
O jogo: tensão, lesões e goleiros inspirados
O confronto começou com o Atlético-GO tentando impor seu ritmo, mas sofreu um baque logo aos 13 minutos: o capitão e centroavante Gustavo Coutinho sentiu lesão na coxa e deu lugar a Léo Jacó. O São Bernardo, porém, não se intimidou. A equipe visitante controlou a posse nos primeiros momentos, forçando o goleiro Paulo Vítor a trabalhar. Do outro lado, Alex Alves fez pelo menos duas defesas decisivas, incluindo uma em chute de Geovany Soares que arrancou suspiros da torcida goiana. O primeiro tempo foi truncado, com nove faltas marcadas e apenas uma finalização certeira para cada lado — típico de um embate em que os dois times se estudavam mais do que se atacavam.
A lesão de Coutinho mudou o desenho ofensivo do Dragão, que perdeu referência na área. O técnico goiano tentou recompor com a entrada de Guilherme Marques na etapa final, mas a defesa do São Bernardo, liderada por Adriano Martins e com o goleiro Alex Alves em noite inspirada, segurou as investidas. A partida ganhou temperatura nos minutos finais, com o banco paulista pedindo calma e o goiano pressionando em busca do empate. A tensão só seria quebrada de forma dramática.
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O calcanhar de Dyego e o VAR que mudou a história
Aos 36 minutos do segundo tempo, uma cobrança de escanteio executada por Dudu Miraíma encontrou a cabeça de Adriano Martins. O zagueiro desviou no primeiro pau, e a bola sobrou para Pablo Dyego, que, de costas para o gol e cercado por três marcadores, usou o calcanhar para completar para as redes. O árbitro Paulo César Zanovelli inicialmente anulou o lance, sinalizando impedimento ou falta. O silêncio na torcida paulista durou segundos. O VAR, conduzido por José Cláudio Rocha Filho, revisou minuciosamente o lance por quase três minutos, confirmando a posição legal do atacante e a ausência de infração. O gol foi validado, e a comemoração explodiu no banco de reservas.
O episódio reacende o debate sobre o uso da tecnologia no futebol brasileiro. Na Série B, o VAR está presente desde 2023, mas ainda enfrenta críticas por lentidão e inconsistências. Neste domingo, porém, o recurso foi determinante para corrigir um erro que teria custado caro ao líder. Na visão do MundoManchete, o lance mostra que, quando bem operado, o VAR não tira a emoção do jogo — ele entrega justiça. E foi justamente essa justiça que manteve o São Bernardo na rota do título simbólico do primeiro turno.
Pablo Dyego, o herói improvável de São Bernardo
O nome do jogo é Pablo Dyego. Contratado no início da temporada, o atacante de 29 anos rodou por clubes como Santa Cruz, Remo e Caxias antes de desembarcar no ABC. Na atual campanha, ele soma quatro gols e se tornou peça de confiança de Catalá saindo do banco. Seu gol de calcanhar demonstra mais do que oportunismo: revela a inteligência tática de um jogador que soube interpretar o espaço na área adversária. Para o torcedor, Dyego simboliza o espírito do elenco — sem estrelas, mas com entrega e capacidade de decisão nos momentos críticos.
Perguntado após a partida, o atacante minimizou a façanha: “Foi instinto. Quando a bola veio, só pensei em tocar para o gol. O VAR demorou, mas eu tinha certeza que estava legal.” A humildade contrasta com a importância do lance, que deve entrar para a história do clube. Com a vitória, o São Bernardo alcança um feito notável: em 10 jogos, já soma 6 vitórias, 2 empates e apenas 2 derrotas, com saldo positivo de 8 gols. O rendimento é de 66,7%, equivalente ao que normalmente garante o acesso à Primeira Divisão nos últimos anos.
O que muda na Série B depois desse resultado?
Com 20 pontos, o São Bernardo abre distância de times como Fortaleza (17) e Sport (16), que ainda jogarão na rodada. O Atlético-GO, estacionado nos 12 pontos, vê a zona de classificação à Série A se afastar e a pressão sobre o técnico aumentar. Mas há implicações maiores: a vitória do Bernô fora de casa mostra que a equipe não se intimida com adversários tradicionais, o que a coloca como favorita ao acesso, ao lado de clubes com maior orçamento.
Financeiramente, a permanência no topo da tabela também aquece os cofres. Cada posição na Série B rende cotas de TV diferenciadas, e o retorno à elite — que o clube nunca frequentou — significaria um aporte mínimo de R$ 30 milhões em direitos televisivos e patrocínios. Para um time que opera com orçamento enxuto, o acesso representaria uma transformação que viabilizaria a construção de um centro de treinamento próprio e a retenção de talentos. O que era sonho distante começa a se tornar um projeto palpável, e a vitória em Goiânia é um passo concreto nessa direção.
Perguntas Frequentes (FAQ)
O São Bernardo tem condições reais de subir para a Série A?
Sim. Com 20 pontos em 10 jogos, o clube projeta média de 2 pontos por partida, suficiente para superar os 60 pontos que historicamente garantem vaga no G4. Além disso, o elenco já derrotou adversários diretos e tem a melhor defesa da competição. Se mantiver o desempenho fora de casa e evitar lesões, o acesso é um cenário muito provável.
Quem é Ricardo Catalá e por que ele é tão importante?
Ricardo Catalá é o treinador que assumiu o São Bernardo em 2025, após passagens discretas por clubes do interior. Ele implementou um sistema de jogo coletivo que valoriza a marcação pressão e a bola parada. Sob seu comando, o time não perdeu nenhum dos últimos sete jogos. Catalá é visto como um estrategista frio, que raramente expõe o grupo publicamente, mas extrai o máximo de peças limitadas.
Como o VAR impactou esse jogo em especial?
O árbitro de campo havia anulado o gol de Pablo Dyego, possivelmente por um suposto impedimento. Após revisão de quase três minutos, o VAR confirmou a regularidade do lance, validando o tento que deu a vitória ao São Bernardo. Sem a tecnologia, o jogo terminaria empatado, e o clube paulista perderia dois pontos preciosos na briga pela liderança.
O que você deve fazer com essa informação
A vitória do São Bernardo não é apenas uma notícia de domingo. Ela acena para um fenômeno raro no futebol brasileiro: um clube pequeno desafiando a lógica dos grandes investimentos. Se você é torcedor, esse é o momento de acompanhar de perto a Série B, uma competição que vem ganhando em competitividade e histórias surpreendentes. Assine serviços de streaming que transmitem os jogos, compartilhe os feitos do Tigre do ABC nas redes e, quem sabe, vista a camisa do time para inspirar outros a acreditarem que o futebol ainda reserva espaço para zebras.
Se você não é torcedor, preste atenção ao que está acontecendo: o acesso do São Bernardo à Série A injetaria dinheiro em uma região do estado de São Paulo que respira futebol, geraria empregos e movimentaria a economia local. Além disso, desafiaria a hegemonia dos clubes da capital. A história do Bernô é, acima de tudo, sobre perseverança e planejamento — valores que vão muito além das quatro linhas.
Tags: São Bernardo, Atlético-GO, Série B, futebol brasileiro, VAR
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Foto: Reproducao / Terra
