O bolsonarismo, que sempre pregou união em torno do nome de Jair Bolsonaro, agora enfrenta um racha público às vésperas da eleição presidencial de 2026. Aliados próximos do ex-presidente e do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) estão detonando a pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o candidato do clã à Presidência. As críticas, que antes ficavam nos bastidores, agora ganharam as redes sociais e expõem uma briga interna que pode custar caro à direita brasileira.
Fábio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação do governo Bolsonaro, Paulo Figueiredo, influenciador digital, e Kim Paim, também influenciador e aliado de Eduardo, são os nomes que lideram o coro contra a coordenação da campanha. Eles apontam falta de agenda, comunicação fraca, centralização excessiva e uma estratégia que, na visão deles, não consegue replicar a mobilização espontânea que marcou as disputas anteriores.
Na visão do MundoManchete, o que está em jogo não é apenas a eficiência da campanha, mas uma verdadeira queda de braço pelo controle do bolsonarismo depois de Bolsonaro. Quem manda de fato na direita? O filho 01 ou o grupo mais radical e digital? O resultado dessa disputa pode definir o tom da campanha presidencial nos próximos meses.
Quem são os críticos e o que eles estão dizendo?
As críticas mais contundentes vieram de Fábio Wajngarten. Em uma publicação nas redes sociais, ele afirmou que a campanha de Flávio “não existe” e listou deficiências: falta de agenda, comunicação, organização e planejamento. Na avaliação dele, a pré-campanha não conseguiu reproduzir a mobilização espontânea observada em eleições anteriores e, mesmo assim, o principal adversário não abriu vantagem. Em outra postagem, direcionada ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, Wajngarten defendeu uma ampla reformulação da estrutura da campanha, incluindo mudanças na coordenação-geral, na comunicação e no planejamento estratégico.
Paulo Figueiredo foi ainda mais duro. Após a viagem de Flávio aos Estados Unidos, ele criticou a equipe por não organizar entrevistas, divulgar imagens ou realizar uma coletiva de imprensa. Em vídeo, ele disse: “Ele publica um videozinho bem mais ou menos, a assessoria publica um texto claramente escrito pelo ChatGPT, não tem entrevista, não tem uma imagem para passar aqui hoje, não tem entrevista coletiva, a imprensa não recebeu exatamente o que ele falou. Mas, puta merda, que campanha desgraçada. Não se ajuda.”
Já Kim Paim publicou uma montagem ironizando o coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), comparando-o ao personagem Frodo, da série “O Senhor dos Anéis”. A mensagem é clara: Marinho estaria levando a campanha para um destino incerto e sem rumo.
O que está por trás das críticas? Disputa por poder ou incompetência?
Nos bastidores do PL, a versão oficial é que não há crise. A campanha de Flávio rejeita as críticas reservadamente e afirma que a ofensiva parte de pessoas insatisfeitas por não terem sido incorporadas à estrutura da campanha. Segundo interlocutores, trata-se de um movimento de aliados que buscam espaço na equipe, e não de uma articulação comandada por Eduardo Bolsonaro.
No entanto, a cúpula do partido reconhece que as críticas têm provocado incômodo. Parte da insatisfação está concentrada na forma como Rogério Marinho exerce a coordenação. Ele é acusado de ser excessivamente centralizador e pouco aberto à participação de pessoas de fora do seu núcleo. Isso significa que, para entrar na campanha, é preciso passar pelo crivo de Marinho — o que não agrada a grupos que se sentem excluídos, como os influenciadores digitais e setores mais radicais do bolsonarismo.
Na visão do MundoManchete, a situação é delicada porque expõe uma fragilidade que o campo conservador sempre tentou esconder: a falta de unidade em torno de um nome. Enquanto Jair Bolsonaro estava no centro, as disputas internas eram abafadas. Agora, com ele inelegível, o vácuo de poder está gerando atritos que podem beneficiar os adversários. A pergunta que fica é: até que ponto a direção do PL conseguirá promover mudanças sem aprofundar a briga interna?
O que isso significa para a eleição de 2026?
Para o eleitor brasileiro, essa briga interna pode ter consequências práticas. Uma campanha rachada e mal coordenada tende a perder votos, especialmente em um cenário onde a disputa presidencial promete ser acirrada. O principal adversário de Flávio, o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), já tem uma campanha estruturada e unificada. Qualquer vacilo do lado bolsonarista pode ser explorado.
Além disso, as críticas públicas podem desgastar a imagem de Flávio antes mesmo da campanha oficial. Se os próprios aliados estão dizendo que a campanha não existe, o que o eleitor vai pensar? A confiança do eleitorado conservador pode ser abalada, e a abstenção ou o voto útil em outros candidatos de direita (como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ou o governador de Minas Gerais, Romeu Zema) pode crescer.
Na visão do MundoManchete, o bolsonarismo precisa resolver essa crise internamente e rapidamente. Se as críticas continuarem a ecoar publicamente, o risco é que a direita perca a chance de voltar ao poder. O tempo é curto: as convenções partidárias estão próximas e a campanha eleitoral oficial começa em agosto. Qualquer mudança na estrutura precisa ser feita agora, sob pena de comprometer todo o planejamento.
O que a campanha de Flávio diz sobre as críticas?

A campanha de Flávio Bolsonaro nega que haja uma crise interna. Em conversas reservadas, integrantes da equipe afirmam que as críticas são infundadas e que a estrutura atual é adequada para a disputa. Eles também negam que Eduardo Bolsonaro esteja por trás das manifestações, atribuindo-as a uma busca por espaço de aliados insatisfeitos.
No entanto, interlocutores do PL admitem que as críticas têm provocado incômodo. A campanha reconhece que as reclamações são reais, mas alega que nenhuma mudança é necessária ou será feita no futuro. Isso sugere que, ao menos por enquanto, Rogério Marinho continua no comando e a estrutura permanece a mesma.
Mas a pressão pode aumentar. Se os resultados das pesquisas de intenção de voto não forem favoráveis, a tendência é que as cobranças se intensifiquem. E aí, a direção do PL terá que decidir se mantém Marinho ou se cede às pressões do grupo de Eduardo Bolsonaro. Essa decisão pode definir os rumos da campanha e, quem sabe, o resultado da eleição.
Como o brasileiro comum pode ser afetado por essa briga?
Para o brasileiro que não acompanha política de perto, essa briga pode parecer algo distante. Mas não é. Uma campanha presidencial desorganizada pode resultar em um governo igualmente desorganizado. Se Flávio Bolsonaro vencer, a falta de coordenação e as disputas internas podem prejudicar a capacidade de governar, afetando áreas como economia, saúde e segurança pública.
Além disso, o racha pode abrir espaço para outros candidatos, como Lula, que já tem uma máquina eleitoral montada. Para quem quer a mudança de governo, essa divisão pode ser um obstáculo. Para quem prefere a continuidade, a briga é uma boa notícia, pois enfraquece a oposição.
Na visão do MundoManchete, o eleitor deve ficar atento. As críticas públicas são um sinal de que algo não vai bem. E, em política, o que não vai bem tende a piorar. Acompanhar os próximos capítulos dessa novela é essencial para entender o cenário eleitoral de 2026.
FAQ: Perguntas que você pode estar fazendo
Por que as críticas estão vindo agora?
As críticas sempre existiram nos bastidores, mas agora estão sendo vocalizadas publicamente porque a campanha de Flávio Bolsonaro não conseguiu decolar. A falta de uma agenda consistente e de uma comunicação eficaz gerou insatisfação entre aliados que esperavam uma campanha mais agressiva e organizada. Além disso, a proximidade das convenções partidárias e o início da campanha oficial aumentam a pressão por resultados.
Isso pode prejudicar a candidatura de Flávio Bolsonaro?
Sim. Uma campanha rachada e com críticas públicas tende a perder votos. A imagem de união que o bolsonarismo sempre cultivou pode ser abalada, e o eleitorado conservador pode se sentir desmotivado. Além disso, a falta de coordenação pode resultar em erros estratégicos que beneficiem os adversários. Se a crise não for resolvida rapidamente, o impacto pode ser significativo.
Quem pode substituir Rogério Marinho na coordenação da campanha?
Não há um nome claro no momento. A saída de Marinho seria uma derrota política para ele e para o grupo que o apoia. Entre os possíveis substitutos, especula-se que o próprio Eduardo Bolsonaro poderia assumir um papel mais ativo, ou que um nome de fora do núcleo atual, como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), poderia ser convidado. No entanto, qualquer mudança precisaria ser aprovada por Valdemar Costa Neto e pelo próprio Flávio Bolsonaro.
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O que você deve fazer com essa informação
Acompanhe de perto os próximos movimentos. As críticas públicas são um termômetro da saúde da campanha de Flávio Bolsonaro. Se elas continuarem, é sinal de que a crise está longe do fim. Se a cúpula do PL conseguir aparar as arestas, a campanha pode se fortalecer. De qualquer forma, fique atento às pesquisas de intenção de voto e aos debates. E, na hora de votar, lembre-se: uma campanha desorganizada pode ser um indicativo de um governo igualmente desorganizado. Informe-se e vote com consciência.
Tags: Flávio Bolsonaro, campanha presidencial 2026, bolsonarismo racha, Rogério Marinho, Eduardo Bolsonaro
Fonte Original: infomoney.com.br
Foto: Reproducao / InfoMoney
