O pré-candidato à Presidência e ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), usou um evento do mercado financeiro em São Paulo para criticar a política externa do governo Lula e defender que o Brasil resolva o impasse com os Estados Unidos sobre o novo tarifaço de 25% — independentemente de quem esteja à frente da solução. A declaração, dada nesta terça-feira (7), coloca Zema no centro do debate sobre a crise comercial que já mexe com o bolso do brasileiro e aquece a disputa política em ano eleitoral.
O que está em jogo com o tarifaço americano?
Os Estados Unidos concluíram uma investigação comercial contra o Brasil e propuseram uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Na prática, isso significa que exportações nacionais — de aço a suco de laranja — podem ficar mais caras para o consumidor americano, reduzindo a competitividade do Brasil no mercado externo. Para o brasileiro comum, o efeito pode chegar indiretamente: menos exportação significa menos divisas, pressão sobre o câmbio e, no limite, inflação mais alta em itens importados. A última vez que uma ameaça desse porte aconteceu foi em 2019, durante o governo Trump, quando o Brasil negociou cotas para evitar sobretaxas no aço. Agora, o cenário é mais complexo, com a guerra comercial entre EUA e China ainda ativa.
Zema: ‘Independentemente de quem resolver’
Questionado sobre a atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nos Estados Unidos para tentar reverter a tarifa, Zema foi direto: “Eu espero que o Brasil resolva essa questão independentemente de quem vier a solucionar isso”. Na visão do MundoManchete, a declaração tenta equilibrar dois lados: não criticar abertamente a família Bolsonaro, que é aliada em potencial, mas também não endossar o que Lula chamou de “traidores da Pátria”. O ex-governador preferiu mirar no governo atual, afirmando que o Itamaraty “tem faltado com habilidade” na condução da política externa e criado uma dependência excessiva da China.
Por que a China entra nessa história?
Zema afirmou que o Brasil, sob Lula, se aproximou demais do gigante asiático em detrimento dos países ocidentais. Dados do Ministério do Desenvolvimento mostram que, em 2025, a China respondeu por 32% das exportações brasileiras, enquanto os EUA ficaram com 14%. Para o ex-governador, isso fragiliza o Brasil em negociações como a atual tarifa americana. “O Brasil, na minha gestão, não tem como se voltar mais aos países do Ocidente, que de certa maneira têm sido relegados a um segundo plano”, disse. A crítica ecoa um argumento recorrente entre economistas liberais: diversificar parceiros comerciais reduz riscos, mas também exige habilidade diplomática para não queimar pontes.
O que isso muda na prática para o brasileiro?
Se a tarifa de 25% for aplicada, setores como siderurgia, alimentos processados e calçados podem ser os mais afetados. Isso pode gerar demissões em cadeias produtivas que dependem das exportações para os EUA. Para o consumidor, o impacto imediato é menor, mas a médio prazo pode encarecer produtos como carne bovina e suco de laranja no mercado interno, já que a indústria pode redirecionar a produção para o mercado doméstico com preços mais altos. Além disso, a instabilidade cambial já se reflete no dólar, que ontem fechou a R$ 5,40, pressionando o custo de eletrônicos e combustíveis.
A disputa política esquenta em ano eleitoral
A crise comercial virou combustível para a campanha. Lula chamou de “traidores da Pátria” os que atuaram para submeter o Brasil aos interesses dos EUA — referência direta à família Bolsonaro. Zema, por sua vez, tenta se posicionar como alternativa moderada, criticando ambos os lados: o governo Lula pela falta de habilidade e a oposição por possível interferência externa. Na visão do MundoManchete, o ex-governador busca capitalizar a insatisfação do eleitorado com a política externa, mas evita uma briga direta com bolsonaristas, já que pode precisar do apoio deles em um eventual segundo turno.
O que você deve fazer com essa informação
Se você é empresário ou trabalha com comércio exterior, fique de olho nas negociações e nas alíquotas. Para o cidadão comum, a dica é acompanhar o câmbio e os preços de itens importados — uma alta do dólar pode encarecer desde o seu smartphone até o combustível. E, em ano eleitoral, preste atenção nas propostas dos candidatos para a política externa: a posição de cada um sobre tarifas e alianças comerciais pode afetar diretamente a economia do país nos próximos anos.
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Perguntas frequentes sobre o tarifaço dos EUA
O que é exatamente a tarifa de 25% proposta pelos EUA?
É uma sobretaxa que o governo americano quer aplicar sobre produtos brasileiros como resposta a práticas comerciais que considera “irrazoáveis”. Na prática, torna os produtos brasileiros mais caros no mercado dos EUA, reduzindo as exportações e prejudicando a balança comercial brasileira.
Como isso pode afetar o meu dia a dia?
Indiretamente, pode pressionar a inflação e o câmbio. Se o Brasil exportar menos, a entrada de dólares diminui, o que pode desvalorizar o real e encarecer produtos importados, de eletrônicos a medicamentos. Além disso, setores exportadores podem demitir, afetando o emprego.
O que o Brasil pode fazer para evitar a tarifa?
Negociar diretamente com os EUA, seja por meio do governo federal ou de representantes políticos. O ideal é buscar um acordo que reduza a sobretaxa ou a elimine, como aconteceu em 2019 com o aço. Mas a crise política interna pode dificultar a articulação, já que cada lado tenta usar o tema para ganhos eleitorais.
Tags: Romeu Zema, tarifaço EUA, política externa Brasil, Lula, crise comercial
Fonte Original: g1.globo.com
Foto: Reproducao / G1
