n Malu Rodrigues homenageia Erasmo Carlos em show no Rio

Malu Rodrigues homenageia Erasmo Carlos em show no Rio

Malu Rodrigues homenageia Erasmo Carlos em show no Rio Reproducao / G1

No dia 2 de julho de 2026, o Rio de Janeiro foi palco de um tributo emocionante a Erasmo Carlos, ícone do rock brasileiro que completaria 85 anos. O show “Malu Rodrigues e banda do Tremendão tocam Erasmo Carlos” aconteceu no Manouche, casa tradicional da cidade, e reuniu músicos que dividiram palco com o Gigante Gentil por décadas. A noite teve duas horas de repertório que passeou por diferentes fases da carreira do artista, desde os rocks da Jovem Guarda até as canções mais maduras dos anos 2000.

Para quem não conhece, Erasmo Carlos foi muito mais que o parceiro de Roberto Carlos. Ele ajudou a construir o rock nacional nos anos 1960, mas depois se aventurou por samba-rock, soul, funk e baladas românticas. Sua obra é vasta e influenciou gerações. O tributo, portanto, era esperado com ansiedade – e a presença de músicos que realmente tocaram com ele dava um peso extra ao evento.

Na visão do MundoManchete, o show cumpriu seu papel de celebrar a memória de um dos maiores nomes da música brasileira, mas deixou um gostinho de “quase lá” para quem esperava uma releitura mais ousada. Vamos aos detalhes.

A banda que sabia o que estava tocando

Um dos pontos altos da noite foi a qualidade instrumental. A banda que acompanhou Malu Rodrigues era formada por Luiz Lopez (guitarra), Mario Vitor (guitarra), Pedro Herzog (baixo) e Rike Frainer (bateria) – todos músicos que tocaram com Erasmo em diferentes momentos. Luiz e Rike, por exemplo, estiveram ao lado do Tremendão por mais de dez anos. Isso fez toda a diferença: cada acorde, cada virada de bateria soava familiar, como se Erasmo estivesse ali, invisível, ditando o ritmo.

Além deles, o maestro José Lourenço fez uma participação luxuosa nos teclados. Ele é conhecido por tocar com Erasmo e traduziu perfeitamente o clima de canções como “É preciso dar um jeito, meu amigo” (1971). Durante “É preciso saber viver” (1968), José Lourenço deu um show à parte, arrancando aplausos do público. Para quem ama música brasileira, ver esses músicos juntos foi um presente.

Mas o que isso muda na prática para o brasileiro comum? Se você é fã de Erasmo Carlos, saber que a banda que o acompanhava em vida está mantendo o legado vivo é reconfortante. Para quem não conhece tanto, é uma porta de entrada para descobrir um repertório riquíssimo – e com a garantia de que a execução é fiel ao original.

Leo Jaime: o discípulo que fez a diferença

Outro momento que merece destaque foi a participação de Leo Jaime. Discípulo declarado de Erasmo, ele foi apontado pelo próprio Tremendão como um sucessor quando surgiu nos anos 1980. No show, Leo cantou duas músicas em dueto com Malu Rodrigues: “Gatinha manhosa” (1965) e “Sou uma criança, não entendo nada” (1974). A primeira ele já havia gravado em 1988, e a conexão com a plateia foi imediata.

Leo Jaime tem uma energia contagiante no palco, e sua presença elevou o nível do tributo. Ele não apenas cantou bem, como trouxe aquele carisma que só quem viveu a Jovem Guarda de perto consegue transmitir. Para quem estava no Manouche, foi como voltar no tempo.

Na visão do MundoManchete, a escolha de Leo Jaime como convidado foi acertada. Ele representa uma ponte entre a geração de Erasmo e o público mais jovem, e sua participação mostrou que a obra do Tremendão continua viva através de novos intérpretes.

Malu Rodrigues: técnica afiada, mas faltou alma?

Malu Rodrigues é atriz e cantora com experiência em musicais de teatro, e isso ficou claro na apresentação. Sua afinação é impecável, e a técnica vocal é sólida. No entanto, a crítica apontou que ela não conseguiu imprimir sua própria personalidade às músicas de Erasmo. O show, em vários momentos, soou como um cover bem executado, mas sem aquele “algo a mais” que transforma uma interpretação em algo memorável.

Isso ficou evidente já nos rocks de abertura: “Minha fama de mau” (1964), “Vem quente que estou fervendo” (1967) e “Quero que vá tudo pro inferno” (1965). Faltou o fogo que Erasmo colocava em cada apresentação. Da mesma forma, a balada “Devolva-me” (1966) perdeu a melancolia que a torna tão marcante. Em compensação, Malu acertou em cheio em “Mais um na multidão” (2001), parceria de Erasmo com Carlinhos Brown e Marisa Monte, onde adotou um tom mais delicado e introspectivo.

Para o público, isso pode ser um ponto de atenção: se você espera uma releitura ousada, talvez se decepcione. Mas se quer ouvir as músicas de Erasmo bem executadas, com respeito ao original, o show cumpre o papel.

Músicos da banda também brilharam nos vocais

Uma surpresa agradável foi ver os músicos da banda assumindo os vocais em algumas canções. Pedro Herzog cantou “Minha superstar” (1981) com suavidade, enquanto Rike Frainer deu voz a “Gente aberta” (1971), uma música que expandiu os horizontes de Erasmo para além da Jovem Guarda. Já Mario Vitor fez um belo solo em “Mulher (Sexo frágil)” (1981) e duetou com Malu em “Sentado à beira do caminho” (1969), canção que marcou a transição do artista após o fim do movimento jovem.

O guitarrista Luiz Lopez também teve seu momento ao apresentar “Erasmo” (2022), composição própria feita sob o impacto da morte do cantor. A música é uma homenagem sincera e mostrou que o legado de Erasmo inspira até hoje.

Esses solos vocais, no entanto, reforçaram a sensação de que o show era mais um tributo do que uma reinvenção. Os timbres dos músicos eram muito parecidos com o de Erasmo, o que, se por um lado agrada os saudosistas, por outro pode soar como falta de ousadia.

O que você deve fazer com essa informação

Se você é fã de Erasmo Carlos, vale a pena conferir o show se ele passar por sua cidade – a banda é excepcional e o repertório é uma verdadeira aula de música brasileira. Se você não conhece tanto a obra do Tremendão, essa pode ser uma oportunidade de se apaixonar por um dos maiores compositores do país. Mas vá com a expectativa certa: não espere uma releitura revolucionária, e sim uma celebração respeitosa e bem executada.

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Para quem quer se aprofundar na discografia de Erasmo, uma dica é começar pelo álbum “Pra falar de amor” (2001), que tem parcerias com nomes como Marisa Monte e Carlinhos Brown. Ou, se preferir, ouça “O futuro pertence à… Jovem Guarda” (2022), o último trabalho do artista, que fecha o ciclo com chave de ouro.

Perguntas frequentes sobre o tributo a Erasmo Carlos

O show vai passar por outras cidades?

Até o momento, não há confirmação oficial de uma turnê. O evento no Manouche foi uma apresentação única, mas, dado o sucesso, é possível que Malu Rodrigues e a banda repitam a experiência em outras capitais. Fique de olho nas redes sociais dos artistas para novidades.

Qual a melhor forma de conhecer a obra de Erasmo Carlos?

Para quem está começando, uma boa pedida é ouvir a coletânea “Erasmo Carlos: 50 anos de música” ou o álbum “Pra falar de amor” (2001), que mostra a fase mais madura do artista. Também vale assistir a documentários sobre a Jovem Guarda para entender o contexto histórico.

O show vale o ingresso?

Depende do que você busca. Se quer ver músicos excepcionais tocando clássicos com precisão e respeito, sim. Se espera uma interpretação inovadora, talvez fique frustrado. A nota 3 de 5 estrelas reflete justamente esse equilíbrio: tecnicamente bom, mas sem grandes surpresas.

Tags: Erasmo Carlos, Malu Rodrigues, tributo, show Rio de Janeiro, música brasileira


Fonte Original: g1.globo.com

Foto: Reproducao / G1