O Tesouro Reserva, nova modalidade de investimento do Tesouro Direto que permite aplicar a partir de R$ 1,00, atingiu R$ 2 bilhões em aplicações em apenas um mês desde seu lançamento. O número surpreendeu o governo. O secretário do Tesouro Nacional, Daniel Leal, afirmou que a expectativa era de um crescimento mais lento. “Achamos que ia demorar um pouco mais, mas ele vem surpreendendo e aumentando o número de investidores”, disse ele durante o lançamento de uma campanha de popularização do Tesouro Direto em parceria com a B3, estrelada pela jogadora Marta.
Para quem ainda não conhece, o Tesouro Reserva funciona como uma “poupança inteligente” atrelada à taxa Selic. O investidor pode depositar qualquer valor a partir de R$ 1,00 e resgatar o dinheiro a qualquer momento, sem perder a rentabilidade do período. A ideia é ser uma porta de entrada para quem nunca investiu ou tem pouco dinheiro sobrando no fim do mês.
O sucesso do Tesouro Reserva mostra que o brasileiro está cada vez mais interessado em sair da poupança tradicional e buscar alternativas mais rentáveis, mesmo com valores pequenos. A questão é se essa popularização vai se traduzir em educação financeira de longo prazo ou apenas em uma migração momentânea por causa da alta dos juros.
O que é o Tesouro Reserva e por que ele virou febre?
O Tesouro Reserva é um título público federal com liquidez diária, ou seja, o investidor pode resgatar o dinheiro quando quiser, sem perder os rendimentos já acumulados. Diferente do Tesouro Selic tradicional, que exige um investimento mínimo de cerca de R$ 100,00, o Tesouro Reserva permite aplicar a partir de R$ 1,00. Isso significa que qualquer pessoa, mesmo com pouco dinheiro, pode começar a investir em títulos públicos.
O funcionamento é simples: o dinheiro aplicado rende 100% da taxa Selic (atualmente em 14,25% ao ano), o que equivale a aproximadamente 1,18% ao mês. Para efeito de comparação, a poupança rende apenas 0,5% ao mês quando a Selic está acima de 8,5% ao ano. Ou seja, o Tesouro Reserva rende mais que o dobro da poupança.
Mas não é só a rentabilidade que explica o sucesso. A facilidade de uso e a segurança de um investimento garantido pelo governo federal são atrativos poderosos. Além disso, o Tesouro Reserva é oferecido pelo Banco do Brasil, mas a expectativa é que outras instituições financeiras também passem a oferecer o produto até o fim de 2026.
Como funciona na prática para o brasileiro comum?
Para o brasileiro que ganha um salário mínimo ou tem uma renda variável, o Tesouro Reserva pode ser uma alternativa concreta para começar a construir uma reserva de emergência. Imagine uma pessoa que consegue guardar R$ 50,00 por mês. Na poupança, em um ano ela teria cerca de R$ 615,00. No Tesouro Reserva, com a mesma quantia, o saldo seria de aproximadamente R$ 638,00. A diferença parece pequena, mas ao longo de vários anos, ela se torna significativa.
Outro ponto importante é que o resgate pode ser feito a qualquer momento, em qualquer dia útil, e o dinheiro cai na conta corrente em até um dia útil. Isso dá uma flexibilidade que a poupança também tem, mas com uma rentabilidade muito superior.
No entanto, é preciso ficar atento a um detalhe: o Imposto de Renda. Os rendimentos do Tesouro Reserva são tributados pela tabela regressiva do IR, que varia de 22,5% (para aplicações de até 180 dias) a 15% (para aplicações acima de 720 dias). A poupança, por sua vez, é isenta de IR. Ainda assim, mesmo com o imposto, o rendimento líquido do Tesouro Reserva supera o da poupança na maioria dos cenários.
Por que o governo está fazendo campanha com a Marta?
O governo federal, em parceria com a B3, lançou uma campanha publicitária com a jogadora Marta, maior nome do futebol feminino brasileiro, para popularizar o Tesouro Direto. O slogan escolhido foi “Posso ser direto?”, uma brincadeira com o nome do programa e a linguagem descomplicada que a campanha pretende usar.
A escolha de Marta não é aleatória. Ela é uma figura pública admirada, com uma história de superação e sucesso, que representa bem a ideia de que qualquer pessoa pode alcançar seus objetivos com planejamento e dedicação. Além disso, a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será sediada no Brasil, está se aproximando, e o governo quer aproveitar o momento para falar de educação financeira.
A campanha acerta ao usar uma figura popular e aspiracional, mas o desafio real é fazer com que a mensagem chegue a quem mais precisa: os brasileiros de baixa renda que nunca tiveram contato com o mercado financeiro. Não basta ter a Marta no comercial se o aplicativo do banco for complicado ou se a pessoa não tiver acesso à internet de qualidade.
Quando outros bancos vão oferecer o Tesouro Reserva?

Por enquanto, o Tesouro Reserva está disponível apenas para clientes do Banco do Brasil. Mas o secretário do Tesouro Nacional, Daniel Leal, afirmou que já está em negociação com outras instituições financeiras. “Já estamos trabalhando com alguns bancos para fazer a conexão tecnológica e num futuro bem próximo, até o fim deste ano, devemos ter os nomes dos interessados”, disse ele.
A demora na expansão para outros bancos se deve à necessidade de desenvolver uma tecnologia que garanta o funcionamento do sistema 24 horas por dia, sete dias por semana. Isso porque o Tesouro Reserva permite investimentos e resgates a qualquer momento, o que exige uma infraestrutura robusta e integrada com os sistemas dos bancos.
A expectativa é que, até o fim de 2026, todas as instituições financeiras interessadas estejam plugadas ao sistema. Isso significa que, em breve, clientes de bancos como Caixa Econômica Federal, Bradesco, Santander, Itaú e até fintechs como Nubank e C6 Bank poderão ter acesso ao produto.
O Tesouro Reserva vai canibalizar outros investimentos?
Uma dúvida comum é se o Tesouro Reserva vai “roubar” investidores de outros títulos do Tesouro Direto, como o Tesouro Selic tradicional ou o Tesouro IPCA. O secretário Daniel Leal não vê esse risco. “Não deve haver canibalização, o que pode haver é o Tesouro Selic perder um pouco, mas são irmãos siameses, são títulos praticamente iguais”, explicou.
Na prática, o Tesouro Reserva é uma versão mais acessível do Tesouro Selic. Quem já investe no Tesouro Selic não tem motivo para migrar, a menos que queira começar com valores muito baixos. O que pode acontecer é que novos investidores, que antes não tinham acesso ao Tesouro Selic por causa do valor mínimo, passem a usar o Tesouro Reserva como porta de entrada e, depois, migrem para outros títulos.
Paralelamente, o secretário observou um aumento no interesse pelos títulos indexados à inflação, como o Tesouro IPCA, que chegaram a pagar mais de 8% ao ano acima da inflação nas últimas semanas. Isso indica que, em momentos de alta de juros, os investidores mais experientes buscam proteger o poder de compra, enquanto os iniciantes preferem a simplicidade do Tesouro Reserva.
O que a alta dos juros significa para o investidor?
A taxa Selic está atualmente em 14,25% ao ano, o maior patamar dos últimos anos. Isso é bom para quem investe em renda fixa, mas ruim para quem precisa de crédito. Para o Tesouro Reserva, uma Selic alta significa rentabilidade maior. Quem aplicou R$ 1.000,00 no lançamento, há um mês, já viu o saldo crescer para cerca de R$ 1.011,80 (considerando o IR).
O secretário do Tesouro Nacional afirmou que não vê a alta das taxas com preocupação. “A gestão da dívida pública continua super saudável, o Tesouro tem dinheiro em caixa, pode sair do mercado e segurar as vendas de títulos nos momentos de maior volatilidade”, disse ele. Em outras palavras, o governo não está desesperado para vender títulos e pode esperar o momento certo para emitir novas dívidas.
Para o investidor comum, isso significa que o Tesouro Reserva continua sendo uma opção segura e rentável. No entanto, é importante lembrar que a Selic pode cair no futuro. Se o Banco Central começar a cortar os juros, a rentabilidade do Tesouro Reserva também vai cair. Por isso, especialistas recomendam diversificar os investimentos e não colocar todo o dinheiro em um único produto.
O que você deve fazer com essa informação
Se você ainda não investe ou quer começar com pouco dinheiro, o Tesouro Reserva é uma excelente porta de entrada. Antes de tudo, avalie sua situação financeira: você tem uma reserva de emergência equivalente a pelo menos seis meses dos seus gastos mensais? Se não, comece por aí. Use o Tesouro Reserva para construir essa reserva, já que ele oferece liquidez diária e rende mais que a poupança.
Se você já tem uma reserva de emergência, considere diversificar. O Tesouro IPCA, por exemplo, pode ser uma boa opção para quem quer proteger o dinheiro da inflação no longo prazo. Mas lembre-se: esse título não tem liquidez diária e pode sofrer com a marcação a mercado se você precisar resgatar antes do vencimento.
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Por fim, fique de olho nas novidades. Até o fim de 2026, outros bancos devem começar a oferecer o Tesouro Reserva, o que pode facilitar ainda mais o acesso. Enquanto isso, aproveite a campanha com a Marta para aprender mais sobre educação financeira. O site do Tesouro Direto tem materiais gratuitos que explicam desde o básico até estratégias mais avançadas.
FAQ: Perguntas frequentes sobre o Tesouro Reserva
1. Qual a diferença entre o Tesouro Reserva e o Tesouro Selic?
O Tesouro Reserva é uma versão do Tesouro Selic com valor mínimo de aplicação muito menor (R$ 1,00 contra cerca de R$ 100,00 do Tesouro Selic tradicional). Ambos rendem 100% da Selic e têm liquidez diária. A principal diferença é a acessibilidade: o Tesouro Reserva foi criado para permitir que qualquer pessoa, mesmo com pouco dinheiro, possa investir em títulos públicos.
2. O Tesouro Reserva é seguro? Posso perder dinheiro?
Sim, o Tesouro Reserva é considerado um dos investimentos mais seguros do Brasil, pois é garantido pelo governo federal (Tesouro Nacional). O risco de calote é extremamente baixo. No entanto, se você resgatar o dinheiro antes de 30 dias, pode perder parte do rendimento por causa do Imposto de Renda (que é maior para aplicações de curto prazo). Em termos absolutos, você nunca vai perder o valor investido, apenas pode ter um rendimento menor se resgatar muito cedo.
3. Preciso pagar alguma taxa para investir no Tesouro Reserva?
Não há taxa de administração ou custódia para o Tesouro Reserva. O único custo é o Imposto de Renda sobre os rendimentos, que segue a tabela regressiva (de 22,5% a 15%, dependendo do prazo). Além disso, se você investir por meio de uma corretora, pode haver taxas, mas o Banco do Brasil não cobra nada extra para clientes que usam o Tesouro Reserva.
Tags: Tesouro Reserva, Tesouro Direto, investimento, poupança, educação financeira, Marta, B3, Selic
Fonte Original: infomoney.com.br
Foto: Reproducao / InfoMoney
