O Ministério da Saúde decidiu estender a campanha de vacinação contra o HPV para adolescentes de 15 a 19 anos que ainda não receberam nenhuma dose do imunizante. A medida, que vale até 31 de dezembro de 2026, é uma tentativa de resgatar jovens que perderam a janela ideal de vacinação, entre 9 e 14 anos.
Até junho, apenas 287.647 jovens desse grupo haviam sido vacinados — bem longe da meta de 600 mil. A prorrogação, anunciada em ofício enviado a secretarias estaduais e municipais, também orienta que a vacinação seja levada para fora dos postos de saúde, como escolas e universidades.
Na visão do MundoManchete, a decisão acerta ao focar em quem ficou para trás, mas levanta uma pergunta importante: por que tantos jovens ainda não se vacinaram? A resposta pode estar na falta de informação, no medo de efeitos colaterais ou simplesmente na dificuldade de acesso. Seja qual for o motivo, o governo está dando mais uma chance — e o prazo agora é extenso.
Por que a vacina contra o HPV é tão importante?
O HPV (papilomavírus humano) é um vírus transmitido principalmente por contato sexual. Ele é o principal causador do câncer de colo do útero, mas também está ligado a tumores de ânus, pênis, vulva, vagina, boca e garganta. No Brasil, o câncer de colo do útero é o terceiro mais comum entre mulheres, com cerca de 17 mil novos casos por ano, segundo o INCA. A vacina, portanto, não é só uma proteção individual — é uma ferramenta de saúde pública.
O infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), explica que a vacina age antes que o vírus se estabeleça de forma persistente no organismo. “A partir do descobrimento desta relação íntima entre a infecção pelo HPV e o desenvolvimento de câncer surgiram as vacinas preventivas, ou seja, uma maneira de prevenir o câncer”, afirmou.
Em países que adotaram a vacinação em larga escala, como a Austrália, a queda nas verrugas genitais e nos cânceres relacionados ao HPV foi drástica. Lá, a meta é erradicar o câncer de colo do útero até 2035. O Brasil ainda está longe disso, mas a prorrogação da campanha pode ajudar a diminuir a lacuna.
Quem pode se vacinar e como funciona a dose única?
A vacina contra o HPV está disponível no SUS desde 2014, mas o esquema mudou em 2024: agora, crianças e adolescentes de 9 a 14 anos recebem apenas uma dose. A estratégia de resgate, que agora foi prorrogada, estende essa oferta para jovens de 15 a 19 anos que nunca foram vacinados. Basta ir a uma unidade de saúde com documento de identificação e, de preferência, a caderneta de vacinação.
Mas atenção: a vacina não é para quem já tomou alguma dose anteriormente. O foco é em quem nunca recebeu o imunizante. A dose única, segundo estudos, oferece proteção comparável ao esquema de duas ou três doses, com eficácia comprovada por pelo menos 15 anos — e a expectativa é que dure ainda mais.
Para quem perdeu o prazo, esta é a chance. Kfouri reforça: “Vacinar todos até 19 anos de idade é uma oportunidade única que não deve ser desperdiçada.” E não é só para meninas: meninos também devem se vacinar, já que o HPV também causa câncer de pênis e ânus, além de contribuir para a circulação do vírus.
O que muda na prática para o brasileiro comum?
Na prática, a prorrogação significa que adolescentes de 15 a 19 anos que não se vacinaram têm mais seis meses para procurar um posto de saúde. A meta do Ministério é alcançar 600 mil jovens, mas até agora só 287 mil foram vacinados — menos da metade. Se você tem um filho, sobrinho ou vizinho nessa faixa etária, vale a pena lembrá-lo.
Além disso, a orientação para levar a vacinação para escolas e universidades pode facilitar o acesso. Muitos jovens não vão ao posto de saúde por falta de tempo ou por não saberem da campanha. Com a vacina indo até eles, a chance de adesão aumenta.
Outro ponto importante: a vacina é segura. Kfouri afirma que “é uma vacina extremamente segura e altamente eficaz. Uma das vacinas mais eficazes que nós já desenvolvemos no mundo.” Os efeitos colaterais são raros e geralmente leves, como dor no local da injeção ou febre baixa.
Os desafios da vacinação: por que os jovens estão ficando para trás?
O Brasil tem histórico de vacinação bem-sucedida, mas a cobertura contra o HPV ainda deixa a desejar. Em 2023, a meta de vacinar 80% do público-alvo não foi atingida — ficou em torno de 70%. Entre os motivos estão a desinformação, o medo de agulhas e a falta de campanhas direcionadas.
Com a pandemia de covid-19, muitas vacinas de rotina foram deixadas de lado. O HPV, por não ser uma doença que cause sintomas imediatos, acaba sendo negligenciado. Mas as consequências aparecem anos depois, na forma de câncer. A prorrogação da campanha é um esforço para reverter esse quadro.
Na visão do MundoManchete, o governo poderia ir além: campanhas em redes sociais, parcerias com influenciadores jovens e horários estendidos nos postos de saúde poderiam aumentar a adesão. Afinal, de que adianta estender o prazo se a informação não chegar a quem precisa?
Perguntas frequentes sobre a vacina contra o HPV
1. A vacina contra o HPV é gratuita no SUS?
Sim, a vacina contra o HPV é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos em dose única, e agora, de forma temporária, para jovens de 15 a 19 anos que nunca foram vacinados. Basta procurar uma unidade básica de saúde com documento de identificação.
2. Homens também devem se vacinar contra o HPV?
Sim, a vacina é recomendada para meninos e meninas. O HPV pode causar câncer de pênis, ânus e orofaringe em homens, além de verrugas genitais. A vacinação masculina também ajuda a reduzir a circulação do vírus na população, protegendo indiretamente as mulheres.
3. Quais os efeitos colaterais da vacina contra o HPV?
Os efeitos colaterais mais comuns são leves e passageiros, como dor, vermelhidão ou inchaço no local da injeção, dor de cabeça, febre baixa e cansaço. Reações graves são extremamente raras. A vacina é considerada segura e eficaz, com milhões de doses aplicadas no mundo.
O que você deve fazer com essa informação
Se você tem entre 15 e 19 anos e nunca tomou a vacina contra o HPV, procure um posto de saúde o mais rápido possível. Se você é pai, mãe ou responsável, leve seu filho ou filha para se vacinar. A campanha vai até 31 de dezembro de 2026, mas não deixe para a última hora — a proteção contra o câncer vale muito mais do que alguns minutos de espera.
Compartilhe essa informação com amigos e familiares. Muitas pessoas ainda não sabem que a vacina está disponível para essa faixa etária. Quanto mais jovens vacinados, menor a chance de o HPV se espalhar e causar doenças graves no futuro.
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Tags: vacina HPV, câncer de colo do útero, vacinação adolescente, SUS, prevenção
Fonte Original: g1.globo.com
Foto: Reproducao / G1
