A corrida pelas duas vagas: como está a disputa em Pernambuco
Pernambuco terá um troco eleitoral e tanto em outubro. Além da escolha do novo governador, o eleitor vai preencher duas cadeiras no Senado Federal — e a mais recente pesquisa Datafolha, divulgada em 29 de maio de 2026, já mostra quem larga na frente. A ex-deputada federal Marília Arraes (PDT) lidera nos dois cenários testados, com 39% e 40% das intenções de voto. Na segunda posição, aparece o atual senador Humberto Costa (PT), com 32% e 31%.
O levantamento ouviu 1.022 eleitores entre 25 e 27 de maio, tem margem de erro de 3 pontos percentuais e índice de confiança de 95%. O registro no TSE é PE-07888/2026. Os números confirmam um ambiente político fervendo no estado, onde as duas vagas de senador — que representam uma renovação de dois terços da bancada — devem provocar uma dança de alianças e voto útil.
O que os números de Marília Arraes e Humberto Costa realmente dizem
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No primeiro cenário projetado, Marília Arraes alcança 39%, seguida por Humberto Costa (32%), Eduardo da Fonte (22%), Miguel Coelho (19%) e Anderson Ferreira (16%). O segundo cenário troca Túlio Gadêlha no lugar de Miguel Coelho, e Marília sobe para 40%, enquanto Humberto oscila para 31% — um empate técnico dentro da margem, que sinaliza solidez para a pedetista.
Na visão do MundoManchete, o desempenho de Marília — neta do ex-governador Miguel Arraes — reflete uma mistura de capital político familiar com a insatisfação de parte do eleitorado com o sistema. Ela já havia sido a deputada mais votada do estado em 2022, com mais de 400 mil votos. Agora, carrega a bandeira do PDT e pode herdar votos tanto da centro-esquerda quanto de um antipetismo moderado. Humberto, por sua vez, mantém a fidelidade de bases organizadas do PT, mas depende de uma campanha que aqueça o partido até outubro.
Duas vagas em jogo: como isso muda a lógica do voto
Diferentemente da eleição para governador, em que o eleitor escolhe um nome só, para o Senado o pernambucano votará em dois candidatos diferentes, e os dois mais votados serão eleitos. Isso embaralha as estratégias: um candidato bem posicionado pode “puxar” um aliado, enquanto a fragmentação pode favorecer nomes com nichos consolidados.
A última vez que Pernambuco elegeu dois senadores no mesmo pleito foi em 2018, quando Jarbas Vasconcelos (MDB) e Humberto Costa (PT) saíram vitoriosos. Agora, com a saída de Jarbas, a disputa está mais aberta. Para o eleitor comum, isso significa que cada voto contará duplamente — e a chance de ver representantes de diferentes campos políticos eleitos aumenta.
Mais do que uma eleição estadual: o impacto nacional do Senado
A composição do Senado define a governabilidade do próximo presidente. Em 2026, o Brasil renovará dois terços das cadeiras (54 das 81). Se Pernambuco enviar dois nomes de oposição ou de situação ao Planalto, isso pode alterar o equilíbrio de forças em votações cruciais, como reformas e indicações para o STF. Marília, que já ensaiou aproximação com o governo Lula, mas mantém independência, e Humberto, petista histórico, representam dois tipos de relação com o Palácio do Planalto.
Para o pernambucano, essa influência é direta: o Senado decide a distribuição de recursos para estados, aprova empréstimos internacionais e autoriza obras. Quem ocupa essas cadeiras pode viabilizar ou travar projetos como a duplicação da BR-232, a revitalização do São Francisco ou a expansão de universidades federais no interior.
A força da renovação e da tradição na mesma chapa
Há um componente geracional na disputa. Marília, aos 40 anos, simboliza um novo ciclo político no estado, enquanto Humberto, 68, é um dos nomes mais longevos da esquerda pernambucana. A pesquisa Datafolha mostra que 41% dos entrevistados declararam voto branco, nulo ou nenhum — um índice alto que revela um eleitorado ainda em busca de definição. Entre os indecisos (17% a 18%), muitos podem migrar para nomes menos conhecidos, como Eduardo da Fonte (PP) ou Anderson Ferreira (PL), que têm entre 16% e 22% das intenções e podem ser os “coringas” da eleição.
O cenário se complica ainda mais quando olhamos para a rejeição dos governáveis. Segundo o Datafolha, Ivan Moraes (PSOL) é o mais rejeitado (59%), mas João Campos (PSB) e Raquel Lyra (PSD) também enfrentam resistência (29% e 25%). Embora essa métrica seja do Executivo, ela reflete um ambiente de crise de confiança que pode respingar nos candidatos ao Senado.
O que mudou desde abril e por que a dança das pesquisas importa
Em abril, o Datafolha já mostrava Marília em crescimento, mas Humberto aparecia numericamente atrás em alguns cenários. Agora, os dois se consolidam no pelotão da frente. A inversão no Executivo — Raquel Lyra passando João Campos no segundo turno — indica um movimento do eleitorado de centro que pode beneficiar candidaturas ao Senado com discursos mais pragmáticos.
Ainda assim, o instituto alerta: com 1.022 entrevistas, a margem de erro permite variações de até 3 pontos para cima ou para baixo. Ou seja, a disputa pelo segundo lugar entre Humberto e Eduardo da Fonte (que tem 22% e 21%) está tecnicamente indefinida. Para o cidadão, isso reforça a importância de acompanhar o noticiário local, verificar planos de governo e não tomar decisões baseadas apenas em um levantamento isolado.
“O Senado é a casa da Federação, e os candidatos precisam mostrar como vão defender Pernambuco em Brasília, não apenas repetir discursos partidários”, avalia o cientista político Antônio Lavareda, em análise para o MundoManchete.
Perguntas Frequentes
Por que há duas vagas para o Senado este ano em Pernambuco?
O mandato de senador é de oito anos, mas a renovação da casa ocorre a cada quatro anos, de forma alternada: em uma eleição, escolhe-se um terço dos senadores (27 cadeiras); na seguinte, dois terços (54). Em 2026, Pernambuco integra o grupo de estados que renovarão duas cadeiras, pois as vagas ocupadas por Humberto Costa (eleito em 2018) e Jarbas Vasconcelos (2018) estão em fim de mandato. Por isso, cada eleitor pode votar em dois nomes diferentes.
Qual a margem de erro da pesquisa Datafolha e o que ela significa?
A margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos, considerando um nível de confiança de 95%. Isso quer dizer que, se Marília Arraes tem 40% em um cenário, seu percentual real pode variar entre 37% e 43%. Essa margem explica por que variações pequenas entre Humberto Costa e Eduardo da Fonte ainda não configuram uma vantagem definitiva — eles estão em empate técnico.
Marília Arraes e Humberto Costa podem se aliar no segundo turno?
Não existe segundo turno para o Senado: os dois candidatos mais votados são eleitos diretamente no primeiro turno. No entanto, é comum que haja acordos de apoio mútuo entre chapas para concentrar votos em determinados nomes. Marília e Humberto são de partidos que compõem a base aliada do governo Lula, mas também têm históricos de divergência local, o que torna improvável uma aliança formal que exclua os demais concorrentes. O eleitor deve ficar atento às dobradinhas que se formarem até outubro.
O que você deve fazer com essa informação
A pesquisa Datafolha é um retrato momentâneo, e não um resultado final. O eleitor pernambucano terá até as urnas para conhecer melhor os candidatos, seus planos para o estado e sua atuação em Brasília. O MundoManchete recomenda três passos práticos: 1) Verifique o site do TSE ou dos candidatos para checar propostas oficiais; 2) Compare os históricos — Marília foi deputada federal por um mandato, Humberto é senador e ex-ministro da Saúde; 3) Converse sobre política em casa e no trabalho, pois o voto para o Senado muitas vezes acaba sendo decidido por orientação de lideranças comunitárias.
Com duas vagas em jogo, sua responsabilidade dobra: cada escolha vai influenciar os rumos do estado por oito anos. Não subestime o poder do seu voto.
Esta análise foi escrita com base nos dados da pesquisa Datafolha PE-07888/2026, registrada no Tribunal Superior Eleitoral.
Tags: Eleições 2026, Pernambuco, Senado, Datafolha, Marília Arraes
Fonte: Ir para Fonte
Foto: Reproducao / G1
