O Encontro de Dois Gênios que a MPB Precisava
Há encontros que a música brasileira espera por décadas. O álbum “O mundo livre de Menesca & Peranzza”, lançado em 20 de maio de 2026 pela Mills Records, é exatamente isso: a celebração de uma amizade de quase 50 anos entre Roberto Menescal, um dos pais da bossa nova, e Gilson Peranzzetta, arranjador que deu forma a algumas das mais belas canções da MPB. Pela primeira vez, os dois assinam um disco inteiramente em dupla, mesclando composições inéditas e regravações que respiram liberdade e afeto.
O projeto nasceu do desejo do baixista Didier Fernan, que também assina a produção e idealização. Gravado, mixado e masterizado no estúdio La Maison entre 2025 e 2026, o álbum conta ainda com Ricardo Costa na bateria. Mas o centro é o diálogo entre a guitarra de Menescal e o piano de Peranzzetta, que soa como uma conversa entre velhos amigos — sem pressa, sem competição.
Quem São Menesca e Peranzzetta? Uma História de Respeito
Roberto Menescal dispensa apresentações para quem conhece a história da bossa nova. Ao lado de nomes como Tom Jobim e João Gilberto, Menescal ajudou a criar o ritmo que encantou o mundo. Parceiro de Ronaldo Bôscoli, compôs clássicos como “A morte de um Deus de sal” e “Bye bye Brasil” (com Chico Buarque), além de ter sido um dos responsáveis por levar a bossa nova aos palcos internacionais.
Gilson Peranzzetta, por sua vez, é um dos arranjadores mais respeitados do país. Seu trabalho com Ivan Lins é referência, e suas composições já foram gravadas por ninguém menos que a diva do jazz Sarah Vaughan, que registrou “Obsession” (parceria com Dori Caymmi) em 1987. Peranzzetta transita com naturalidade entre o popular e o erudito, e sua assinatura está presente em centenas de discos que marcaram a MPB.
Apesar de serem amigos há cerca de 50 anos, a parceria musical em estúdio só se concretizou agora. O resultado é um trabalho onde o respeito mútuo fala mais alto que qualquer demonstração técnica — embora a técnica de ambos seja impecável.
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As Joias Inéditas do Álbum
Das nove faixas do disco, quatro são totalmente inéditas. A abertura, “Samba impossível”, já mostra a simbiose da dupla: a primeira parte foi composta por Peranzzetta, e Menescal a completou, criando um samba de brisa marítima que remete aos melhores momentos da bossa nova. É a primeira parceria entre os dois.
Outro destaque é “Vem cá, Menesca”, um afago musical que Peranzzetta dedicou ao amigo. A faixa instrumental carrega no título e nas notas o carinho que permeia todo o projeto. Já “Quim, quim” (composta em 2026) surge com vocalizes que adicionam textura, sem romper a atmosfera predominantemente instrumental.
“Caminho do mar”, composta por Peranzzetta em 2025, evoca o ambiente leve e arejado que é marca registrada de Menescal. É como se o pianista tivesse escrito uma carta de amor ao universo sonoro do parceiro. Essas faixas inéditas se unem a regravações como “Obsession”, “Agarradinhos” e uma versão de seis minutos de “Bye bye Brasil” que beira o jazz em sua liberdade.
A crítica musical, em análise publicada originalmente no portal G1, captou a essência do disco com precisão ao afirmar:
“Sem notas jogadas fora, sem competições aparentes entre os instrumentistas e tampouco sem demonstrações egocêntricas de um virtuosismo perceptível em ambos os músicos de forma natural, o álbum flui harmoniosamente ao longo de quase 36 minutos guiados pela convergência afetuosa de dois universos musicais distintos.”
Por Que a Bossa Nova Ainda É Relevante em 2026?
Em tempos de músicas feitas para viralizar em 15 segundos, um álbum inteiramente instrumental de dois senhores da MPB pode parecer um gesto de resistência. Mas a bossa nova nunca foi só um gênero: foi um movimento que reinventou a música brasileira e influenciou o jazz mundial. Ter Menescal e Peranzzetta lançando material inédito em 2026 mostra que a essência desse movimento segue viva — e que há público para isso.
Para o brasileiro comum, acostumado ao bombardeio de playlists automáticas, esse tipo de trabalho oferece uma pausa. Ouvir “O mundo livre de Menesca & Peranzza” é redescobrir o prazer de prestar atenção em cada nota, em cada silêncio. Além disso, valorizar artistas em atividade é fundamental para que a cultura nacional não se resuma a nomes do passado. A última vez que tivemos um encontro tão afetuoso entre dois ícones instrumentais talvez tenha sido nos discos de Egberto Gismonti com Naná Vasconcelos — e isso faz décadas.
A presença de um álbum assim no streaming também contribui para que novas gerações tenham contato com a música instrumental brasileira de qualidade, muitas vezes ofuscada pelo algoritmo. Na prática, é uma chance de colocar a bossa nova de volta no mapa dos ouvintes mais jovens.
Na Visão do MundoManchete: Música que Resiste ao Tempo
Na visão do MundoManchete, “O mundo livre de Menesca & Peranzza” chega como um sopro de elegância em meio ao ruído. Não se trata de um disco nostálgico, mas de uma afirmação de que a experiência e a amizade podem gerar arte genuína. Menescal, aos 88 anos, e Peranzzetta, aos 75, não precisam provar nada — e talvez por isso tenham entregue um trabalho tão despretensioso e redondo.
O álbum também carrega uma mensagem implícita: em um país que muitas vezes esquece seus mestres, dois deles se abraçam e mostram que ainda há muito a dizer. A faixa “Vem cá, Menesca” é um convite que o público pode estender a si mesmo: pare, escute, sinta. Como poucas vezes na música recente, o disco não compete com nada. Ele simplesmente é.
Além disso, é notável que o projeto tenha nascido da iniciativa de um baixista francês (Didier Fernan), o que comprova o interesse internacional pela música brasileira de raiz. Isso reforça a tese de que nossa cultura tem valor inestimável e deve ser preservada e promovida.
FAQ: Perguntas que Todo Mundo Faz
1. Onde posso ouvir o álbum “O mundo livre de Menesca & Peranzza”?
O álbum está disponível nas principais plataformas de streaming, como Spotify, Apple Music e Deezer, sob o selo Mills Records. Para quem prefere o formato físico, vale ficar de olho em lojas especializadas ou no site da gravadora, já que tiragens independentes costumam ser limitadas.
2. Quem é Roberto Menescal e por que ele é tão importante?
Roberto Menescal é guitarrista, compositor e produtor, considerado um dos fundadores da bossa nova. Nos anos 1960, ao lado de parceiros como Ronaldo Bôscoli, compôs sucessos como “O Barquinho” e “A morte de um Deus de sal” e, mais recentemente, participou de projetos como “Agarradinhos” (com Leila Pinheiro). Como produtor, revelou nomes como Nara Leão e Elis Regina. Sua importância vai além das composições: Menescal ajudou a internacionalizar a música brasileira.
3. O álbum é totalmente instrumental ou tem vocais?
Predominantemente instrumental, “O mundo livre de Menesca & Peranzza” traz vocalizes apenas na faixa “Quim, quim”, uma das inéditas. O restante do repertório explora o diálogo entre guitarra, piano, baixo e bateria, sem letras. Mesmo sem palavras, o disco comunica emoção em cada nota.
O Que Você Deve Fazer Com Essa Informação
Agora que você sabe da existência desse álbum, o primeiro passo é reservar 36 minutos para ouvi-lo com calma — de preferência, com um bom fone de ouvido ou uma caixa de som que faça jus aos detalhes da produção. Compartilhe a descoberta com amigos que apreciam música de qualidade, especialmente aqueles que cresceram ouvindo bossa nova ou que estão cansados das mesmas playlists de sempre.
Se quiser ir além, explore a obra solo de Roberto Menescal e Gilson Peranzzetta. Descobrir álbuns como “Agarradinhos” (de Menescal com Leila Pinheiro) ou as trilhas que Peranzzetta compôs para o cinema é uma forma de mergulhar na riqueza da música instrumental brasileira.
Por fim, valorize os artistas enquanto estão em atividade. Siga-os nas redes sociais, compre discos físicos quando possível e, principalmente, não deixe que algoritmos ditem todo o seu consumo musical. O Brasil tem uma história sonora grandiosa — e álbuns como “O mundo livre de Menesca & Peranzza” são a prova de que ela ainda está sendo escrita.
Tags: Roberto Menescal, Gilson Peranzzetta, bossa nova, MPB instrumental, álbum 2026
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Foto: Reproducao / G1
