A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou medidas que surpreendem quem usa medicamentos injetáveis. Três lotes foram suspensos e recolhidos por problemas de qualidade — um deles com fragmento de vidro na ampola.
A decisão, publicada no Diário Oficial da União, afeta lotes do antibiótico Polycid (União Química), do antibiótico fosfato de clindamicina (Hypofarma) e da Solução Fisiológica de Cloreto de Sódio (Equiplex). A comercialização, distribuição e uso estão proibidos.
O que isso significa na prática para quem está em tratamento? E como saber se o medicamento em casa está entre os lotes problemáticos? Vamos direto ao ponto.
O que motivou o recolhimento de cada lote?
Cada medicamento teve um problema específico — e os riscos variam conforme a falha de qualidade.
Polycid (União Química) — lote 2519879
O caso mais grave: a fabricante iniciou um recolhimento voluntário após identificar um fragmento de vidro dentro de um frasco-ampola. Isso significa que, em uma unidade do lote, um pedaço de vidro estava solto no medicamento. Como o Polycid é injetável, esse fragmento poderia entrar na corrente sanguínea do paciente.
Fosfato de Clindamicina 150 mg/ml (Hypofarma) — lote 24101854
A suspensão veio após confirmação de desvios de qualidade: a solução apresentava coloração amarelada, corpos estranhos e precipitados em ampolas lacradas. Em medicamentos injetáveis, qualquer partícula ou alteração na cor pode indicar contaminação ou degradação do princípio ativo.
Solução Fisiológica Equiplex 9 mg/ml — lote 2513588
A Anvisa não detalhou o desvio, mas confirmou que o lote não estava em conformidade com normas de fabricação. A solução fisiológica é amplamente usada em hospitais para hidratação e administração de medicamentos — o que torna o recolhimento crítico.
Quais os riscos reais para quem já usou ou vai usar esses medicamentos?
Medicamentos injetáveis contaminados ou com partículas são um problema sério. Quando um corpo estranho entra na corrente sanguínea, as consequências podem incluir:
- Reações adversas locais e sistêmicas — desde inflamação no local da aplicação até febre e mal-estar.
- Infecções — se a partícula carregar microrganismos, pode haver infecção da corrente sanguínea (sepse), quadro grave que exige internação.
- Embolia — fragmentos maiores podem obstruir vasos sanguíneos, causando danos a órgãos como pulmão ou cérebro.
Na visão do MundoManchete, a ação rápida e transparente da Anvisa é positiva, mas muitos pacientes só descobrem o problema quando já estão com a medicação em casa — ou pior, após usá-la.
A última vez que um caso semelhante ganhou repercussão foi em 2023, quando lotes de um anestésico foram recolhidos por contaminação. Na ocasião, a Anvisa registrou dezenas de notificações de eventos adversos. Até o momento, as empresas afirmam que não há relatos de danos associados a esses lotes específicos.
Como saber se o seu medicamento está entre os lotes recolhidos?
A resposta é simples, mas exige atenção: verifique o número do lote na embalagem do produto. Ele vem impresso na caixa, no frasco ou na ampola. Confira abaixo os lotes proibidos:
- Polycid (União Química) — lote 2519879
- Fosfato de Clindamicina 150 mg/ml (Hypofarma) — lote 24101854
- Solução Fisiológica Equiplex 9 mg/ml — lote 2513588
Se o número do lote do seu medicamento corresponder a algum desses, não use o produto. Guarde a embalagem e entre em contato com o serviço de atendimento ao consumidor da fabricante para saber como proceder com a devolução e o reembolso.
Importante: a medida da Anvisa atinge apenas esses lotes específicos. Os demais lotes dos mesmos medicamentos continuam liberados para uso — desde que estejam dentro do prazo de validade e em boas condições de armazenamento.
O que dizem as fabricantes?
Procuradas pela reportagem, as três empresas se manifestaram:
Hypofarma informou que a resolução “está sendo tratada em conformidade com os protocolos regulatórios aplicáveis e em alinhamento com a autoridade sanitária” e que “mantém colaboração integral com os órgãos competentes e segue adotando todas as medidas adequadas e cabíveis”.
União Química afirmou que “de forma preventiva, optou por iniciar o recolhimento voluntário do referido lote e destaca que nenhum outro relato de uso indevido deste lote e/ou evento adverso decorrente do medicamento foi notificado em nosso sistema de Farmacovigilância”.
Equiplex detalhou que está cumprindo a determinação e realizando o recolhimento, classificando a ação como preventiva e cautelar. A empresa reforça que a medida se restringe exclusivamente ao lote citado.
Na visão do MundoManchete, as respostas são padronizadas e deixam uma lacuna: nenhuma delas informa claramente como o paciente deve proceder para trocar ou devolver o medicamento. O consumidor precisa buscar ativamente o SAC de cada empresa — o que nem sempre é simples.
O que você deve fazer com essa informação
Se você ou alguém da sua família faz uso de medicamentos injetáveis — especialmente antibióticos ou soro fisiológico —, siga este passo a passo:
- Verifique os lotes de todos os medicamentos em casa que se enquadrem nos nomes mencionados.
- Não use se o lote corresponder. Descarte apenas conforme orientação da farmacêutica — não jogue no lixo comum ou na pia.
- Entre em contato com o SAC da fabricante para solicitar a troca ou o reembolso. Guarde a nota fiscal e a embalagem.
- Comunique ao seu médico se você tiver recebido alguma aplicação recente desses lotes — especialmente se sentir qualquer sintoma diferente.
- Fique atento a novas publicações da Anvisa: a agência pode ampliar o recolhimento se novos problemas forem identificados.
📦 Recomendado pela redação
Massageador Muscular Percussivo
Como afiliado Amazon, o MundoManchete pode receber comissão por compras qualificadas.
Perguntas frequentes (FAQ)
1. Já usei o medicamento de um lote recolhido. O que devo fazer?
Se você já aplicou o medicamento e não sentiu nada, não entre em pânico. A maioria dos problemas não causa reações imediatas. Mas fique atento a sintomas como febre, inchaço no local da aplicação, dor intensa ou mal-estar. Em caso de qualquer sinal, procure atendimento médico e informe que você usou um medicamento de lote recolhido. Guarde a embalagem para mostrar ao profissional de saúde.
2. Posso devolver o medicamento na farmácia onde comprei?
Sim, você pode tentar. Mas a responsabilidade pelo recolhimento é das fabricantes, não das farmácias. O ideal é entrar em contato diretamente com o SAC da empresa que produziu o lote. Elas são obrigadas a fornecer instruções claras para devolução e reembolso. Se encontrar dificuldades, registre uma reclamação na Anvisa pelo site oficial.
3. Outros lotes do mesmo medicamento também estão proibidos?
Não. A suspensão atinge apenas os lotes específicos listados na resolução da Anvisa. Os demais lotes dos mesmos medicamentos continuam liberados para comercialização e uso, desde que estejam dentro do prazo de validade e em condições adequadas de armazenamento. Verifique sempre o número do lote na embalagem.
Tags: anvisa, recolhimento de medicamentos, polycid, clindamicina, soro fisiológico, segurança do paciente, lotes suspensos
Fonte Original: g1.globo.com
