n Morre Figueira Jr., voz de Fry e Androide 17, aos 60 anos

Morre Figueira Jr., voz de Fry e Androide 17, aos 60 anos

Morre Figueira Jr., voz de Fry e Androide 17, aos 60 anos Reproducao / G1

O Brasil perdeu neste sábado (27) uma das vozes mais marcantes da dublagem nacional. Figueira Junior morreu aos 60 anos. A informação foi confirmada pela também dubladora Tânia Gaidarji, que não revelou a causa da morte. A notícia pegou fãs de animações e séries de surpresa — e rapidamente se espalhou pelas redes sociais, com homenagens de colegas e admiradores.

Figueira era conhecido por dar vida a personagens que marcaram gerações: Philip J. Fry, o entregador atrapalhado de Futurama, e Androide 17, um dos guerreiros mais icônicos de Dragon Ball Z. Mas sua carreira ia muito além disso. Ele também dublou filmes como American Pie, Um Sonho de Liberdade e Matrix, mostrando versatilidade que poucos dubladores alcançam.

Na visão do MundoManchete, a perda de Figueira Jr. não é apenas mais uma baixa no meio artístico — é um lembrete do papel fundamental que os dubladores têm na cultura brasileira. Enquanto nos Estados Unidos os atores originais são celebrados, aqui no Brasil são as vozes dos dubladores que se tornam parte da nossa memória afetiva. Quantos de nós não imitamos o Fry ou o Androide 17 sem saber que aquela voz tinha nome e história?

Quem era Figueira Jr. além dos personagens?

Figueira Junior começou a carreira de dublador ainda jovem, nos anos 1980, quando a dublagem brasileira vivia uma era de ouro. Ele trabalhou em estúdios como a Herbert Richers e a Delart, dois dos maiores do país. Ao longo de mais de 30 anos de carreira, acumulou centenas de trabalhos — entre séries, filmes, desenhos e jogos.

Além de Fry e Androide 17, Figueira dublou personagens em produções como Bob Esponja, Os Simpsons e Family Guy. Ele também fez parte do elenco de dublagem de Harry Potter e Senhor dos Anéis. Sua voz era presença garantida em grandes lançamentos do cinema e da TV.

O que pouca gente sabe é que Figueira também era ator de teatro e professor de dublagem. Ele formou novos talentos e ajudou a profissionalizar a área. A Associação Brasileira de Dubladores (DUBLAR) publicou uma nota de pesar no Instagram destacando justamente esse lado formador: “Figueira agora estará eternizado através de sua voz em diversas obras. Desejamos luz em sua passagem e muita força para a família, em especial ao seu tão querido sobrinho Daniel Figueira.”

O legado de Fry e Androide 17 na cultura pop brasileira

Se você cresceu nos anos 2000, provavelmente ouviu a voz de Figueira Jr. sem saber. Futurama foi um dos desenhos mais reprisados da TV brasileira — primeiro no Cartoon Network, depois no FX e na Comedy Central. O Fry, com seu jeito ingênuo e atrapalhado, era a alma da série. E a dublagem de Figueira capturava perfeitamente a essência do personagem: um homem do ano 2000 perdido no futuro, tentando se adaptar.

Já o Androide 17 é um caso à parte. Em Dragon Ball Z, o personagem começa como vilão, depois se torna um dos guerreiros mais poderosos e, finalmente, um herói relutante. A voz de Figueira dava ao Androide 17 uma frieza calculada, mas também uma humanidade que o personagem ganhou ao longo da série. Muitos fãs consideram que a dublagem brasileira do Androide 17 é superior à original japonesa — e isso é mérito direto de Figueira.

Para quem não sabe, a dublagem brasileira de Dragon Ball é considerada uma das melhores do mundo. Os dubladores brasileiros conseguiram criar vozes que se tornaram tão icônicas quanto as originais. Figueira Jr. fazia parte desse seleto grupo.

O que a morte de Figueira Jr. revela sobre a dublagem no Brasil?

A morte de Figueira Jr. acende um alerta que o MundoManchete já vem observando há tempos: a dublagem brasileira está perdendo seus grandes nomes. Nos últimos anos, morreram dubladores como Márcio Seixas (voz do Coringa), Guilherme Briggs (voz do Buzz Lightyear) e agora Figueira Jr. — todos figuras centrais da chamada “era de ouro” da dublagem.

Mas o problema não é apenas etário. A profissão de dublador no Brasil enfrenta desafios sérios: baixos salários, falta de regulamentação e concorrência desleal com estúdios que pagam menos. Muitos dubladores precisam ter outros empregos para sobreviver. Além disso, a pirataria e o streaming ilegal reduzem a demanda por dublagens oficiais.

Na visão do MundoManchete, o Brasil precisa valorizar mais seus dubladores. Eles são os responsáveis por tornar acessíveis filmes e séries para milhões de brasileiros que não falam inglês. Sem eles, a cultura pop internacional simplesmente não chegaria à maioria da população. A morte de Figueira Jr. é uma oportunidade para refletirmos sobre isso.

Dados da Associação Brasileira de Dubladores indicam que existem cerca de 2.000 dubladores profissionais no país — um número pequeno para um país do tamanho do Brasil. Em comparação, os Estados Unidos têm mais de 50.000. A diferença é gritante.

Como a dublagem brasileira se compara à de outros países?

A dublagem brasileira é reconhecida internacionalmente como uma das melhores do mundo. Países como Portugal, Espanha e França também têm tradição forte, mas o Brasil se destaca pela qualidade técnica e pela criatividade dos dubladores. Figueira Jr. era um exemplo disso.

Uma curiosidade: o Brasil é um dos poucos países onde a dublagem é tão valorizada que os fãs muitas vezes preferem a versão dublada à original. Em Dragon Ball, por exemplo, a dublagem brasileira é tão icônica que muitos fãs torcem o nariz para a versão original japonesa. Isso não acontece em todos os lugares — em muitos países europeus, a dublagem é vista como um mal necessário.

No entanto, há um lado negativo. A dublagem brasileira enfrenta problemas de direitos autorais e de distribuição. Muitas séries e filmes são dublados por estúdios diferentes, o que gera inconsistências nas vozes dos personagens. Figueira Jr. reclamava disso em entrevistas: “Às vezes você dubla um personagem por anos, e de repente o estúdio troca e você perde o papel. É frustrante.”

O que você deve fazer com essa informação

A morte de Figueira Jr. é uma perda irreparável para a cultura pop brasileira. Mas, em vez de apenas lamentar, você pode fazer algo concreto: valorizar a dublagem nacional. Sempre que possível, assista a filmes e séries dublados — especialmente os que têm dubladores brasileiros de qualidade. Isso gera demanda e ajuda a manter a profissão viva.

Outra ação simples: compartilhe homenagens e informações sobre a carreira de Figueira Jr. nas redes sociais. Quanto mais pessoas souberem quem ele foi, maior será o reconhecimento público da dublagem brasileira. E, se você tem filhos ou sobrinhos, apresente a eles os desenhos e séries que marcaram a infância de tanta gente — com a dublagem original brasileira, claro.

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Por fim, o MundoManchete convida você a refletir: quantas vezes você ouviu a voz de Figueira Jr. sem saber? Quantas risadas ele te deu como Fry? Quantas emoções ele transmitiu como Androide 17? A voz dele agora é eterna — e cabe a nós manter viva a memória do homem por trás dela.

Perguntas Frequentes sobre Figueira Jr.

Qual foi a causa da morte de Figueira Jr.?

A causa da morte não foi revelada pela família nem pela Associação Brasileira de Dubladores (DUBLAR). A informação foi confirmada neste sábado (27) pela dubladora Tânia Gaidarji, mas sem detalhes sobre o que teria provocado o falecimento. A família pediu privacidade neste momento de luto.

Quais foram os personagens mais famosos dublados por Figueira Jr.?

Figueira Jr. é mais conhecido por dublar Philip J. Fry, o protagonista de Futurama, e Androide 17, de Dragon Ball Z. Além disso, ele também dublou personagens em filmes como American Pie, Um Sonho de Liberdade e Matrix. Sua carreira inclui ainda participações em Bob Esponja, Os Simpsons e Harry Potter.

Figueira Jr. era professor de dublagem?

Sim. Além de dublador, Figueira Jr. era ator de teatro e professor de dublagem. Ele ajudou a formar novos talentos e era muito respeitado no meio por sua didática e paixão pela profissão. A Associação Brasileira de Dubladores destacou esse lado formador na nota de pesar publicada no Instagram.

Tags: Figueira Jr., dublador, Futurama, Dragon Ball, morte


Fonte Original: g1.globo.com

Foto: Reproducao / G1