STF mantém prisão de condenados pela morte de Marielle Franco

STF mantém prisão de condenados pela morte de Marielle Franco Reproducao / G1

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta segunda-feira (25) manter as prisões preventivas dos cinco condenados pela morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em 2018. A decisão confirma que, mesmo com recursos ainda pendentes, os réus continuarão atrás das grades – um desfecho temporário, mas simbólico, para um dos crimes que mais abalaram a democracia brasileira nos últimos anos.

Quem são os condenados e qual foi a sentença

Em fevereiro deste ano, a Primeira Turma do STF condenou os cinco envolvidos em diferentes graus de participação. O conselheiro do Tribunal de Contas do Rio, Domingos Inácio Brazão, e seu irmão, o deputado estadual cassado João Francisco Inácio Brazão (Chiquinho Brazão), foram sentenciados a 76 anos e 3 meses de prisão cada um, por duplo homicídio, tentativa de homicídio e organização criminosa armada. A pena é uma das maiores já aplicadas pelo Supremo em um caso criminal direto.

O delegado Rivaldo Barbosa de Araújo Júnior, ex-chefe da Polícia Civil do Rio, pegou 18 anos por obstrução de justiça e corrupção passiva. O major da PM Ronald Paulo Alves Pereira foi condenado a 56 anos por duplo homicídio e tentativa de homicídio. Já o policial militar Robson Calixto Fonseca, ex-assessor de Domingos Brazão, recebeu 9 anos por organização criminosa.

Na prática, apenas um deles está em prisão domiciliar: Chiquinho Brazão, devido a um quadro de saúde considerado frágil. Os demais permanecem em presídios do Rio de Janeiro.

A decisão de Moraes e por que as prisões continuam

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Alexandre de Moraes, relator do caso, foi direto: “Não houve nenhum fato superveniente que alterasse a situação processual analisada pela Primeira Turma no momento do julgamento da ação penal, razão pela qual deve ser mantida a custódia preventiva até o trânsito em julgado”. Em outras palavras, enquanto o processo não for definitivamente encerrado – após todos os recursos possíveis –, os condenados seguem presos.

As prisões preventivas foram decretadas ainda no início da investigação, sob o argumento de risco à ordem pública, garantia da instrução criminal e possibilidade de obstrução da Justiça. Com a condenação, a manutenção da prisão antes do trânsito em julgado é uma prática comum quando não há fatos novos que indiquem mudança de circunstâncias.

Na visão do MundoManchete, a decisão de Moraes é uma sinalização clara de que o STF considera o caso excepcional, dadas a gravidade dos crimes e a influência política dos réus. Caso contrário, a chance de fuga ou obstrução poderia colocar em risco o desfecho do processo.

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O que essa decisão muda para a segurança pública no Rio

Além da relevância jurídica, o encarceramento dos mandantes e executores do crime envia um recado direto às milícias e ao crime organizado que se infiltraram na política fluminense. Marielle Franco foi assassinada porque seu trabalho de fiscalização incomodava interesses escusos – e a condenação de um conselheiro do TCE-RJ e de um deputado eleito mostra que o estado não está completamente rendido.

Para o cidadão comum, a manutenção das prisões é também um símbolo de que a Justiça pode, sim, alcançar figuras poderosas. O caso da vereadora se tornou emblemático exatamente pela demora: foram mais de cinco anos até a elucidação e mais oito meses até a condenação em primeiro grau. Agora, com os responsáveis presos, a sensação de impunidade diminui – mas o risco de retrocesso por meio de recursos ainda existe.

O histórico de luta por justiça desde 2018

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Marielle Franco e Anderson Gomes foram executados a tiros no centro do Rio em 14 de março de 2018. A investigação enfrentou tropeços e trocas de delegados até que, em 2023, a Polícia Federal assumiu o caso com a colaboração do Ministério Público e do STF. As prisões ocorreram em março de 2024, e a denúncia tornou público um esquema que envolvia desde policiais militares até políticos influentes.

O julgamento na Primeira Turma do STF durou semanas e teve ampla cobertura da imprensa. A condenação, embora em primeira instância colegiada, foi lida como um divisor de águas: pela primeira vez, um mandante de homicídio político era responsabilizado criminalmente ainda no exercício do cargo ou logo após perdê-lo.

As perguntas que ainda ficam sem resposta

Ainda que a decisão de Moraes mantenha os condenados atrás das grades, o caso está longe de um ponto final. As defesas podem recorrer ao plenário do STF e, eventualmente, a cortes internacionais. Há ainda a investigação sobre quem teria financiado o crime e se outras autoridades foram omissas ou cúmplices.

Outra lacuna: a família de Marielle e movimentos sociais pressionam por mais transparência sobre a conexão entre milícias e políticos no Rio. “Prender os autores é fundamental, mas é preciso desmontar a estrutura que permitiu que eles agissem impunemente por tanto tempo”, afirmou um representante do Instituto Marielle Franco em nota recente.

O que você deve fazer com essa informação

Acompanhar o desenrolar do caso não é apenas um exercício de cidadania – é uma forma de pressionar as instituições a continuarem investigando e julgando crimes contra defensores de direitos humanos. Algumas ações práticas:

  • Fique de olho nos recursos: as defesas podem tentar anular provas ou pedir prisão domiciliar para outros réus. A pressão popular pode influenciar o STF a manter a firmeza.
  • Apoie organizações de direitos humanos: entidades como a Anistia Internacional e o Instituto Marielle Franco seguem atuando na cobrança por justiça e no acompanhamento do caso.
  • Cobre seus representantes: deputados estaduais e federais têm o dever de fiscalizar a segurança pública e o bom funcionamento do Judiciário. E-mails e contatos em redes sociais ajudam a manter o tema vivo.
  • Compartilhe informação de qualidade: notícias falsas sobre o caso circulam há anos. Verificar fontes e compartilhar apenas conteúdo confiável evita a desinformação.

Perguntas frequentes

Os condenados já começaram a cumprir as penas?
Não. Como ainda cabem recursos (embargos de declaração e recursos ao plenário do STF), a prisão ainda é preventiva, ou seja, cautelar. O cumprimento definitivo só ocorre após o trânsito em julgado, quando não há mais possibilidade de apelação.

A decisão de Moraes pode ser revertida?
Sim. Outro ministro do STF pode pedir vista e levar o caso a plenário, onde a Primeira Turma seria superada. Além disso, se surgirem fatos novos (como problemas graves de saúde ou nulidades processuais), a prisão preventiva pode ser reavaliada a qualquer momento.

Por que Chiquinho Brazão está em prisão domiciliar?
A defesa comprovou que ele apresenta um quadro de saúde frágil, incompatível com o cárcere comum. O benefício é concedido com tornozeleira eletrônica e restrições de contato, mas ele segue condenado e continuará respondendo ao processo.

O MundoManchete continuará acompanhando os desdobramentos desse caso histórico e trará novas atualizações assim que surgirem. A manchete que importa é a que ajuda você a entender o que realmente está em jogo.

Tags: Marielle Franco, STF, Alexandre de Moraes, prisão preventiva, justiça

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Foto: Reproducao / G1