SUS terá novo exame de fezes para detectar câncer de intestino

SUS terá novo exame de fezes para detectar câncer de intestino Reproducao / G1

O Ministério da Saúde anunciou uma mudança significativa na prevenção do câncer colorretal no Brasil. A partir de agora, o Teste Imunoquímico Fecal (FIT) será o exame de referência para rastreamento da doença no SUS, voltado para homens e mulheres assintomáticos entre 50 e 75 anos. A medida, anunciada pelo ministro Alexandre Padilha durante agenda em Lyon, na França, pode ampliar o acesso de mais de 40 milhões de brasileiros à detecção precoce de um dos tumores mais comuns no país.

O que é o FIT e por que ele é melhor que os exames antigos?

O FIT é um exame de fezes que detecta pequenas quantidades de sangue oculto, invisíveis a olho nu. Diferente dos métodos tradicionais, ele usa anticorpos específicos para identificar sangue humano, o que aumenta a precisão e reduz falsos positivos. Na prática, isso significa que o paciente não precisa fazer dieta restritiva antes da coleta, nem usar laxantes ou preparar o intestino. Basta coletar uma pequena amostra com um kit fornecido pelo SUS e enviar para análise. O resultado sai em poucos dias.

O oncologista Stephen Stefani, da Oncoclínicas e da Americas Health Foundation, explica que o FIT já é usado em programas internacionais de rastreamento e ajuda a reduzir a mortalidade. “O exame é mais conveniente e mais barato para rastreamento populacional do que a colonoscopia em toda a população assintomática”, afirma. Com sensibilidade entre 85% e 92%, o teste é capaz de identificar alterações que podem indicar pólipos, lesões pré-cancerígenas ou câncer no intestino.

Quem deve fazer o exame e com que frequência?

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O novo protocolo do SUS é direcionado a pessoas sem sintomas, na faixa dos 50 aos 75 anos. Mas atenção: quem tem histórico familiar de câncer colorretal, doenças inflamatórias intestinais (como Crohn ou retocolite ulcerativa) ou síndromes genéticas pode precisar começar o rastreamento mais cedo. Nesses casos, a avaliação médica individualizada é essencial. Para a população geral, as diretrizes internacionais recomendam repetir o teste a cada um ou dois anos.

O Ministério da Saúde estima que o Brasil registre 53,8 mil novos casos de câncer de intestino por ano entre 2026 e 2028, segundo dados do Inca. É o segundo tipo de câncer mais frequente no país, atrás apenas dos tumores de pele não melanoma. A boa notícia é que, quando detectado precocemente, as chances de cura são altas — chegam a mais de 90%.

E se o resultado der positivo? Não é hora de desespero

Um resultado positivo no FIT não significa necessariamente câncer. Hemorroidas, inflamações intestinais e outras condições benignas também podem causar sangramentos detectados pelo exame. O que acontece na prática: o paciente é encaminhado para uma colonoscopia, considerada o padrão-ouro para avaliação do intestino. O procedimento permite visualizar diretamente o cólon e o reto, além de retirar pólipos durante o exame, evitando que algumas lesões evoluam para câncer.

O oncologista Stephen Stefani ressalta que “um resultado negativo também não elimina completamente o risco, já que algumas lesões pré-malignas podem não sangrar naquele momento”. Por isso, a repetição periódica do teste é fundamental. A eficácia do rastreamento depende não apenas da oferta do exame, mas também da capacidade do sistema de saúde de investigar e tratar rapidamente os casos suspeitos.

O maior desafio: garantir atendimento após o diagnóstico

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Na visão do MundoManchete, o anúncio do FIT é um avanço importante, mas o verdadeiro teste será a capacidade do SUS de dar continuidade ao cuidado. De nada adianta detectar sangue oculto se o paciente espera meses por uma colonoscopia ou por tratamento oncológico. O oncologista Stefani é categórico: “O que reduz a mortalidade não é só o exame, mas cuidar corretamente do paciente quando há necessidade de continuar a investigação”.

Atualmente, o Brasil enfrenta filas para exames especializados em várias regiões. A expectativa é que o novo protocolo venha acompanhado de investimentos em infraestrutura, capacitação de profissionais e ampliação da oferta de colonoscopias. Sem isso, o rastreamento pode gerar ansiedade e diagnósticos tardios, em vez de salvar vidas.

O que você deve fazer com essa informação

Se você tem entre 50 e 75 anos e não apresenta sintomas, procure uma unidade de saúde para saber como acessar o FIT pelo SUS. O exame é simples, indolor e pode ser feito em casa. Se você é mais jovem, mas tem histórico familiar da doença ou sintomas como sangue nas fezes, perda de peso inexplicada, anemia ou alteração persistente do hábito intestinal, não espere — procure um médico imediatamente. A prevenção ainda é o melhor caminho, e o SUS está dando um passo importante para ampliá-la.

Perguntas Frequentes

O FIT substitui a colonoscopia?

Não. O FIT é um exame de rastreamento, ou seja, serve para identificar quem tem maior chance de ter a doença. Se o resultado for positivo, a colonoscopia é necessária para confirmar o diagnóstico e, se possível, tratar as lesões. A colonoscopia continua sendo o padrão-ouro para avaliação do intestino.

Preciso de preparo intestinal para fazer o FIT?

Não. Uma das grandes vantagens do FIT é que ele não exige dieta restritiva, laxantes ou qualquer preparo intestinal. O paciente recebe um kit com uma haste coletora e um tubo, faz a coleta em casa e envia para o laboratório. É prático e confortável.

O exame está disponível em todo o Brasil?

O Ministério da Saúde anunciou o novo protocolo nesta quinta-feira (21), mas a implementação pode levar tempo para chegar a todas as regiões. A recomendação é procurar a unidade básica de saúde (UBS) mais próxima para verificar a disponibilidade local. A expectativa é que o teste esteja acessível a mais de 40 milhões de brasileiros nos próximos meses.

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Tags: câncer de intestino, FIT, SUS, exame de fezes, prevenção


Fonte Original: g1.globo.com

Foto: Reproducao / G1